terça-feira, 31 de março de 2009

Joanna Newsom - Coisas promissoras à vista



Parece que a rapariga deu um concerto secreto, cujos relatos falam de algo que pode ultrapassar os excelentes "The Milk-Eyed Mender" e "YS". Aqui fica um excerto desse relato:

It’s always an interesting moment when one of your favorite artists takes to the stage to showcase their next evolution of musical progress. However, from the first pluck of her harp through the last note the performance was nothing short of rapturous. The makeup of her new songs combines the strong melodic presence of songs on the Milk-Eyed Mender with her continued instrumentational prowess and maturation beyond Y’s. It was unclear how many of the songs covered in the course of the two and a half hour set would ever be recorded, but there was never a sour note or “should be cut” moment to be heard. If anything a double album here would make perfect sense, and be one of the most enjoyable albums I’ve heard in ages.

A totalidade do relato pode ser lidaaqui.

Super Furry Animals "Dark Days / Light Years"



O nono disco da carreira dos Super Furry Animals fica aquém do grau de genialidade que a banda galesa não atinge desde o saudoso "Phantom Power", três álbuns atrás. Não quer isto dizer, obviamente, que não se trate de um bom álbum, como tudo aquilo em que estes rapazes tocaram desde a sua estreia em 1994. A surpresa começa logo na primeira "Crazy Naked Girls", onde Jamie Lidell parece ter sido uma influência. Depois, noutras músicas, o uso da guitarra faz também pensar que esta gente andou a ouvir Thin Lizzy, ZZ Top, Status Quo, ou mesmo Black Sabbath. Isto, claro, sem o lado virtuoso, e tratando tudo em modo pop efervescente ao invés de assolado pelo blues-rock. Pop essa que também não falta em muito do álbum. O que faltará, talvez, são mais refrões capazes de atingir o Olimpo de tantas e tantas canções do seu historial. Ficará como um álbum para se conviver com durante um bom tempo.

Aqui fica a nova "Inaugural Trams":

segunda-feira, 30 de março de 2009

Deerhunter "Microcastle"



O caso dos Deerhunter em "Microcastle" é um daqueles casos em que ir atrás para avançar faz todo o sentido. Abandonando em larga escala, mas não totalmente, as formas liquefeitas do anterior "Cryptograms", neste terceiro álbum a banda de Bradford Cox foi buscar as músicas que povoavam a Inglaterra dos finais dos anos 80, princípios dos 90, nomeadamente a pop esbatida de uns Ride, Lush ou Spiritualized fase-"Pure Phase". Temos, assim, uma série de óptimas melodias de coração de grandes dimensões, que as guitarras se encarregam de semi-esconder no meio das suas revoadas de peluche-eléctrico.

Em baixo, podem ouvir "Nothing Ever Happened" deste álbum:

domingo, 29 de março de 2009

The Killers - Um acto de idolatração

Esta música foi ouvida ontem no programa Discos Voadores, apresentado por Nuno Galopim, na Radar. Sabemos como este adora os Duran Duran. Ora tentem ouvir o baixo inicial e o saxofone nesta "Joyride" sem pensar nos rapazes de Simon LeBon:

Franz Ferdinand - rendimentos decrescentes

O novo single dos Franz Ferdinand, "No You Girls", serve como exemplo perfeito porque não fiquei entusiasmado com o novo álbum "Tonight: Franz Ferdinand". Não é surpresa que tenha sido escolhido como single, visto que é a música mais convencional do disco, e isto de dizer que se vai arriscar é muito bonito até um certo ponto. A verdade é que "No You Girls" não parece aquilo que se esperaria dos FF ao terceiro álbum, sobretudo para uma banda que começou com "Michael", "Darts Of Pleasure" ou "Dark Of The Matinee". Na verdade, "No You Girls" soa a algo que mais rapidamente acreditaria ter vindo de uma demo ou lado B dos primeiros tempos da banda. Ou a uma banda que, na altura do sucesso do primeiro álbum, quisesse reproduzir a fórmula Franz, sem o estilo e energia destes. Entre músicas como esta, e riscos que não o chegam bem a ser, ou a confluír em canções memoráveis, temos um disco aquém das expectativas.

O vídeo de "No You Girls":

sexta-feira, 27 de março de 2009

(Título óbvio) Ele estava lá



Que o vocalista dos Mão Morta era um melómano atento de longa data, já se sabia. Mas, e penitencio-me por não o saber antes, foi engraçado ler a sua entrevista de 25 anos de carreira à Blitz, e saber que Adolfo esteve presente nos primeiros concertos quer dos Xutos & Pontapés, quer dos Corpo Diplomático. Não há contemplações da parte de Adolfo em relação à verdadeira dimensão da movida punk em Lisboa. Apenas serve para perceber de onde nasceu alguma da inspiração dos Mão Morta. Suponho que os Sonic Youth, os Swans e os Birthday Party não andassem muito longe.

Jason Lytle (ex-Grandaddy) a solo



O homem por detrás de discos tão bons como "Under The Western Freeway" e "Sophtware Slump" editará a 19 de Maio o seu primeiro disco a solo, "Yours Truly, The Commuter". "Brand New Sun" é o primeiro avanço e soa...igual a Grandaddy. Voz melíflua, electrónica tão ou mais melíflua, guitarra acústica, refrão esvoaçante. Enfim, todo aquele ar de andorinha a pairar sobre as grandes florestas americanas. O que é uma óptima notícia para os apreciadores do trabalho de Lytle, e para todos os recém-chegados que gostem do estilo. "Brand New Sun" pode ser ouvida aqui.

Macacos do Chinês no Ípsilon

Na entrevista dedicada ao lançamento do álbum de estreia "Ruídos Reais", o qual recebeu críticas positivas quer na Time Out, quer no próprio Ípsilon, a banda afirma que algumas reacções menos lisonjeiras ao single "Rollin' Na Reboleira" são motivadas pela ideia de que se trataria de um single "comercial".

Pensei que teria a obrigação de quebrar a norma, por isso aqui vai:

O single é chato, é redundante, é reaccionário, é anacrónico, é mole, é cópia de milhões de gajos entediantes que tentam fazer este "soul orgânico", e não tem nada a ver com o que fez as pessoas prestarem atenção aos MdC! E tem aquelas letras do "Ai, não sou rico, e não passo na MTV" que já devia fazer toda a gente levar as mãos à garganta! Parece que o resto do disco, a julgar pelas críticas, mantém-se naquela electrónica grime/ping-pong que fazia dos singles iniciais algo de especial e diferente. Talvez seja só uma questão de seleccionar bem as faixas que se ouve.

EDIT: A descrição "jazz-rap amorangado" feita na Blitz por Ricardo Raínho é excelente. E no entanto o disco leva 4/5, o que deixa antever melhor qualidade no resto.

Para quem tiver paciência, aqui fica o single da discórdia:

(ex-MF) Doom com Tony Starks

"Born Like This" é o disco que aí vem da "estrela" do hiphop dito "alternativo" Daniel "Doom" Dumille. À primeira audição parece estar à altura dos pergaminhos criados por este idiossincrático e destro MC, e capaz de proporcionar muitas e boas audições. A faixa com Tony Starks, heterónimo do brilhante Ghostface Killah, membro dos Wu-Tang Clan, destaca-se pelas cordas que evocam os filmes de espionagem e ficção científica dos 60s/70s. Não é que seja propriamente uma novidade. É apenas porque as rimas dos dois MCs encaixam aqui muito bem, e afinal de contas isto é um universo bastante compatível com a persona de Doom:

quinta-feira, 26 de março de 2009

Origens de "Ten"



Em leitura da nova Blitz, o destaque vai, desde já, inteirinho para a entrevista com os membros dos Pearl Jam, relacionada com a reedição do álbum de estreia "Ten", a que já fiz referência neste blog. Eddie Vedder, Stone Gossard, Mike McReady, Jeff Ament e Matt Cameron saem desta entrevista sob uma luz extremamente favorável, demonstrando um grande carinho pelos dias que levaram à criação do seu primeiro disco, e ainda cheios de entusiasmo e esperança pelo presente e futuro da banda. Mas não irei estar aqui a escalpelizar toda a entrevista. Apenas quero indicar dois pormenores da história dos Pearl Jam que me chamaram a atenção:

- Já nos seus tempos de membros dos Green River, Stone Gossard era fã dos Van Halen, enquanto Jeff Ament preferia os Black Flag. Vieram a ter o seu momento de "iluminação" ao assistirem a um concerto dos Jane's Addiction. Mark Arm, futuro Mudhoney e então vocalista dos Green River, odiou esse concerto.

- Eddie Vedder era um vocalista tímido e introspectivo até que Chris Cornell, dos Soundgarden, lhe disse, numa noite de copos, para se soltar mais. É difícil pensar em Vedder como retraído, quando nos lembramos do quão expressivo consegue ser em palco.

Outros detalhes, como a ligação de Mike McReady ao lendário Stevie Ray Vaughn, ficam para os olhos dos futuros leitores.

Rokia Traore em Lisboa



Foi dos melhores concertos que alguma vez vi no Castelo de Sines! Autêntico terramoto afro-funk-soul eléctrico caído em cima das nossas cabeças, complementado por uma voz esmagadora! A 28 de Maio, o Lux receberá Rokia Traore (toca na Casa da Música no dia anterior). Parece um espaço demasiado pequeno e apertado para conter a energia que emana desta mulher, mas em princípio é de não perder!

Um vídeo de Rokia ao vivo:

Escrever sobre escrever



Estava a pensar o que havia de pôr como próximo post do Importo-me Bué. A duvida assolava-me. Levantei-me, fui à cozinha é abri um pacote de amendoins salgados. A escrita leva-me sempre a ponderar qual o significado metafísico de todas estas considerações sobre a conjugação dos sons das notas com o ar que ressoa por entre as frinchas da parede. Para onde vai o eco dos dedos a repicarem no teclado, enquanto as ideias procurarm fluír tão livres como um jogador que acaba de rescindir contracto com um clube búlgaro. É aí que podemos contemplar toda a beleza das sinapses que produzem frases que julgamos poderem contentar-nos a nós e a todos os que nos lêm, e...

Isto é chato como o caraças, não é?

Isto é dedicado a todos os colunistas de opinião que insistem em escrever textos de opinião sobre escrever textos de opinião. Uma pessoa lê as vossas colunas para saber a opinião e ponto de vista que têm sobre assuntos concretos! Não é sobre a porra do vosso umbigo, e o que consideram ser o vosso incomensuravelmente interessante processo de ordenação de ideias! Já é difícil encontrar gente que escreva nessas colunas e valha a pena ler regularmente! Não o estraguem ainda mais! Parece aqueles músicos que, para disfarçar que já não têm nenhuma ideia nova, tocam a regravar material antigo em dueto ou com novos arranjos!

terça-feira, 24 de março de 2009

Reedição de "Ten"



O álbum de estreia dos Pearl Jam foi agora reeditado numa série de diferentes formatos e remasterizações. Não irei gastar o tempo a descrever todas porque, por um lado não sou doido de me lembrar, por outro não é relevante para este post. Apetece-me, sim, voltar a pensar num disco que passou por todas as fases da minha evolução melómana, para chegar a um ponto em que é, tão somente, um excelente disco de rock.

O olhar em 2009 é necessariamente diferente de 1992, pois desde então muita nova música me passou pelos ouvidos. É muito mais clara, por exemplo, a influência de gente como Neil Young nos sons de guitarra, e na voz de Eddie Vedder. "Ten" é muito diferente de todo o lixo grunho que foi feito sob a suposta influência do "grunge". O que os Pearl Jam fizeram não foi apenas apanhar os riffs mais básicos, e um estilo de cantar homogéneo. Houve a preocupação de criar canções. Canções que buscavam influências tradições vindas do rock ligado quer à americana, quer ao r&b inglês de uns The Who, e formar espaços dentro delas para que da simplicidade de um verso e refrão rock, novos cantos e recantos pudessem nascer. Pura e simplesmente, não se acaba "Black", "Jeremy", "Release", "Why Go" ou "Even Flow" da mesma forma como se começou. Eddie Vedder, apesar de ser um frontman extraordinário, pleno de carisma e intensidade, nunca mais esteve tão bem como aqui.

É pena que depois do excelente "Yield" a banda nunca mais tenha conseguido fazer um bom álbum. Aqui fica uma memória de um grande momento:

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pyramids "Pyramids"



Aqui está algo muito bom vindo de 2008. Vindos do Texas, os Pyramids apanham os sons e cânticos liquefeitos do shoegaze, e levam-no a um ponto outrora pouco explorado onde as suas guitarras e baterias acasalam com as suas primas afastadas no black metal. Como uma imagem MBV-iana que tanto se refracta sobre si própria que amanhece numa das estepes escarpadas dos Emperor, blastbeats incluídas. Não é à toa que muita da imprensa dedicada aos sons do que hoje em dia se designa por avant ou post-metal.

No MySpace podem ouvir duas músicas presentes no disco:

Pyramids

Are you resting?



Ao contrário de Tupac Shakur, Jimi Hendrix foi um génio inigualável na história da música! Ao contrário de Tupac Shakur, Jimi Hendrix lançou três álbuns que são experiência religiosa para qualquer melómano que se preze! Ao contrário de Tupac Shakur, Jimi Hendrix merece a estátua que lhe fizeram!

Mas...

A new DVD of Jimi Hendrix relaxing offstage and in between gigs is to be officially released by the late guitarist's estate.

The candid footage was originally shot in 1969, when a camera crew followed Hendrix around for a month and captured the until-now unseen shots of him, reports The Guardian.

The Hendrix estate, which looks after the iconic star's recordings and releases, will issue the DVD in conjunction with Universal Music Publishing Group.


Alguém quer mesmo comprar um DVD DE UM GAJO A DESCANSAR?????? Ele foi um dos maiores, se não o maior, guitarrista rock de todos os tempos! Não foi o melhor "descansador" de todos os tempos! Comprem a reedição do "Electric Ladyland" e poupem o dinheiro que sobrar para coisas mais úteis!

Lollapalooza



Aos muitos festivais que as finanças e a geografia me impedem de presenciar, junta-se agora este. Razões? Que tal já terem anunciado Beastie Boys, Depeche Mode, Jane's Addiction, Andrew Bird, Neko Case, Lou Reed, Tool e The Killers?

Data e local? Pá...não interessa!

domingo, 22 de março de 2009

Vicky Cristina Barcelona



Woody Allen criou um filme que vale pela história cativante, pelos diálogos acima da média, e pelas performances de alguns dos seus actores, sobretudo Javier Bardem e Penelope Cruz, que conseguem que as facetas dos seus personagens apareçam mais naturais e menos forçadas do que, por exemplo, os "dilemas" de Rebecca Hall. A personagem do marido de Hall também é mais unidimensional do que talvez devesse ser, e o narrador torna-se irritante. Mas, como disse, o filme consegue ultrapassar esses pequenos senãos.

Nota: 7.5/10

PS: É difícil não pensar que a personagem de Bardem é uma fantasia pessoal de Allen, que adoraria ser um artista radical, boémio, jovem e de aspecto mais másculo que super-nerd, com uma conversa que metesse gajas na cama a torto e a direito.

Fulham 2 Manchester United 0

1-0 Murphy 18' (pen)



2-0 Gera 87'



Uma péssima exibição, coroada com duas expulsões infantis, coloca a liderança do United em perigo.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A nostalgia certa?



A 29 de Maio, o Pavilhão Atlântico receberá uma daquelas festas "Aaah, os 80s...", com a participação de Rick Astley, Kim Wilde, Belinda Carlisle, ABC, Nik Kershaw e Curiosity Killed The Cat. Já se sabe que estas festas têm no cartaz artistas que um dia perceberam que as coisas novas que gravavam não interessavam a ninguém, e começaram a apostar no campo das memórias. A dúvida que me assola é, no entanto, será este um cartaz para Portugal?

Em Inglaterra, claro que sim. Toda a gente com mais de 35 anos lembrar-se-à de "The Look Of Love" ou "Never Gonna Give You Up". Mas aqui, a julgar pelo que se ouve nas rádios nostálgicas (ie: as com mais audiência - a que nem sempre uma pessoa pode escapar), as memórias "no meu tempo é que era bom" estão mais associadas à "Hurts So Good", à "Doctor Doctor", à música do "Dirty Dancing", à "You Can Leave Your Hat On" e assim por diante. Não me recordo de ouvir os artistas deste cartaz nessas rádios. Só que também estive enganado quando pensava que aquele concerto com Meat Loaf e B-52s não ia levar público, por isso a meia-idade portuguesa é bem capaz de surpreender. Entretanto, era bonito poder ir ver os Magazine a Inglaterra para também ter alguma nostalgia de quando tinha 5 anos!

Country Death Cartoon

Em passeios pelo YouTube descobri este vídeo. Parece que o autor fez como trabalho de fim de ano na sua disciplina de animação um desenho animado/teledisco para a clássica "Country Death Song" dos Violent Femmes. Aqui fica o resultado final para ilustração de uma das melhores "murder songs" de sempre:

quarta-feira, 18 de março de 2009

Morrissey "Years Of Refusal"



E para já vão 3 bons álbuns de seguida para Stephen Patrick Morrissey. Algo que ninguém que tenha tido a infelicidade de passar os ouvidos por "Maladjusted" há tantos anos poderia prever. "Years Of Refusal" não tenta reinventar a roda. Temos Morrissey a fazer aquilo que faz melhor. A pegar numa letra que parece só lhe servir a ele, e a transformá-la num canto de um coração aberto a todo o deslumbramento, que se oferece como cordeiro sacrificial para expiação de todos os mal-entendidos e desencontros amorosos do mundo. Quando diz "grow uuu-woauuu-woauuuup" ou "arouund Paris becaaause" transcende qualquer cliché. A banda acompanhante aparece também repleta de energia, sobretudo na bateria, verdadeira coluna amplificadora das melodias vocais, dando ao disco elevadas doses de vitalidade. E nem faltam os toques mariachi nalgumas músicas. Os anos 00 estão definitivamente ganhos para ele.

Em baixo uma actuação ao vivo na TV inglesa:

Num sabia que habia nu YueToube!

Quem diria que alguém encontrou este clássico:

Skatalites no Alquimista

Já por cá passaram algumas vezes, nomeadamente em Sines e em Algés. Desta vez, os lendários Skatalites têm a festa que sempre acompanha as suas actuações em palco marcada para o Santiago Alquimista, no dia 5 de Abril. O que esperar é simples: ritmos de classe ímpar, os sopros cinéticos que estiveram nas raízes do ska e o tornaram música de eleição dos bailes em Kingston, e um conjunto em que todos os integrantes parecem impecavelmente sintonizados com o objectivo expresso de agitar articulações. Em baixo, um vídeo de "Freedom Sound" ao vivo:

Sexta sem The Bug

Seria daqui a dois dias que o inglês Kevin Martin ir-se-ia apresentar na ZdB sob o pseudónimo The Bug, acompanhado pelo MC Flowdan. "London Zoo", o último álbum lançado como The Bug, e que conta com a participação de vários MCs ligados ao dancehall e ragga, foi considerado um dos melhores álbuns do ano por muita gente, tendo inclusivé obtido o primeiro lugar na lista da The Wire. Na falta do concerto, cancelado por motivos desconhecidos, e que prometia fazer as janelas do "aquário" tremer com os sub-graves, foi dia de passar pelo magnífico "London Zoo", e o seu dancehall para tiranossauros rex. Fica aqui o teledisco para "Poison Dart", com a vocalização de Warrior Queen:

segunda-feira, 16 de março de 2009

És uma seca!!!



Como hoje não houve tempo para muita música, acabarei o dia com um desabafo. Um desabafo sobre a classe mais chata de fãs de música.

Não, não estou a falar dos gajos que lêm a Guitar Player e veneram o Yngwie Malmsteen. Também não estou a falar dos que dizem que só gostam de "música alegre", ou "música romântica", ou que gostam "de todo o tipo de música", ou dos que dizem que "antigamente é que se fazia música a sério".

Estou a falar de um tipo que conjuga todos esses problemas. E é provável que vocês que estão aí a ler os conheçam. São simplesmente os tipos do bom gosto impecável. Bom gosto que consiste quase exclusivamente dos "grandes" singer-songwriters. Temos um Cohen aqui, um Reed acolá, um Cave, um Dylan, um Waits, uma Joni e assim. Temos, claro, um Caetano, um Buarque, um Jobim. Temos um Miles, um pouco de clássica, alguma world music estilo Cesária ou June Tabor, talvez uma Amália, e por aqui ficamos.

Claro, qualidade aqui existe em alta quantidade. Mas existe na proporção em que falta um desvio à norma, uma vontade de procurar algo que não seja consensual, a porra de um riff violento, uma batida arrasa-quarteirão, uma voz gritada, um arranjo maluco, uma mistura impensada, uma melodia de levantar estádios ou uma freakalhada que ponha um grupo de gajos marados a estremecer como num terramoto. Algo que faça levantar da cadeira e pensar como é bom viver em 2009 e descobrir uma banda destas (sem contar com o Antony). Procurar só "classe" na música é como o gajo que está sempre "early to bed and early to rise" na canção dos Morphine.

A minha vida musical seria muito triste se a minha próxima excitação melómana dependesse da saída de um novo disco do Chico Buarque.

sábado, 14 de março de 2009

Manchester United 1 Liverpool 4

1-0 Ronaldo 23'(Pen)



1-1 Torres 28'



1-2 Gerrard 44'(Pen)



1-3 Fábio Aurélio 77'



1-4 Dossena 90'



Avanço do United sobre o Liverpool reduzido para 4 pontos, com um jogo a menos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Woven Hand em Portugal



E de volta ao computador ao fim da noite, deparo-me com uma fantástica notícia. Os Woven Hand, de David Eugene Edwards, autores do nº3 no meu top de discos de 2008 com "Ten Stones", estarão em Leiria no próximo dia 17 de Maio. Pode ser um Domingo, mas será muito difícil resistir à tentação. Edwards tem a fama de ser um fabuloso performer em palco, trazendo às suas canções de americana trespassada por catástrofes e trovões bíblicos uma dimensão extra, que chega a fazer temer pela sua integridade física. Aguarda-se informação sobre quando estarão à venda os bilhetes.

Em baixo um vídeo de "Kicking Bird" ao vivo:

Nova Op

A indispensável Op apresenta a sua nova edição, já disponível nas bancas. Daqui já se sabe que vem excelentes e informativos textos, de gente conhecedora, e que sabe partilhar esse conhecimento. Seguem-se as capas, e o resumo dos conteúdos:



Op. #27: Kanye West, George Steiner, Ken Vandermark, Desigual, Steinski, Christopher Nolan, António Brito / Paulo Bandeira Faria, Tom Zé, Hal Hartley, Michelangelo Antonioni / Pier Paolo Pasolini / Valerio Zurlini, Eric Rohmer, Teatro da Cornucópia, Anton Tchékhov, Jacinto Lucas Pires, George Orwell, Motown, A apropriação britânica da cultura dos sistemas de som: dancehall, U.K. hip hop, grime & dubstep, Film Comment, Monty Python, David Byrne, Steve Soderbergh, Pierre Boulez, Jonathan Klein, Randy Newman, Michael Haneke, Joaquim Paulo, 100 discos do séc. XX: as listas de João Gomes e de Xico Ferrão, + música + moda + publicidade + artes plásticas + cinema + teatro + literatura + etc...

Novo single de Super Furry Animals



Antes de chegar o dia 13 de Abril, e o lançamento oficial da versão física de "Dark Days/Light Years", já está disponível para audição o novo single dos galeses maravilha. "Inaugural Trams" vem combinar uma aproximação à motorika emprestada dos Stereolab, com a verve pop que sempre foi apanágio desta magnífica banda, onde a voz endorfínica de Gruff Rhys é peça fundamental. E tem Nick McCarthy dos Franz Ferdinand a rimar em alemão.

O single pode ser ouvido aqui.

Gang Gang Dance "Saint Dymphna"



2009 continua a ser mais dedicado à descoberta e/ou reapreciação de alguns discos marcantes de 2008. No caso dos nova-iorquinos Gang Gang Dance, "Saint Dymphna", o sucessor do já de si muito bom "God's Money", leva-os para terrenos ainda mais esotéricos e ritualistas. A voz de Lizzy Bougatsos parece ter transcendido as imposições de permanecer apenas num lugar de cada vez inerentes ao corpo humano, tornando-se entidade gasosa. Neste estado, vagueia por zonas onde os sons, ambientais e fortemente rítmicos, transmitem-lhe impulsos de radar, que a guiam como farol, e dão a esta música características de um onirismo prestes a transbordar, mas que se mantém sempre a uma distância mínima de o fazer. Ah, e mete post-punk, mutant disco e grime nalguns sítios.

Em baixo podem ouvir "House Jam" do álbum:

quinta-feira, 12 de março de 2009

REM + Patti Smith

No concerto de homenagem aos REM, que decorreu no Carnegie Hall em New York, houve um daqueles momentos "surpresa/não surpresa", em que Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck acompanharam Patti Smith numa versão da fantástica "E-Bow The Letter". Segue o vídeo da actuação:



Só 2 perguntas, Michael:

1 - Porque não fizeste a parte do "Aluminum tastes like fear..." nos primeiros refrões?

2 - Isso é barba??

Thom sabe escolhê-los



O vocalista dos Radiohead publicou no seu blog, Dead Air Space, a sua playlist para a tour da América do Sul. Nela aparecem coisas como o hip-hop de Jaylib (O falecido J.Dilla + Madlib) e Dabrye, a electrónica de Mr. Oizo e Matthew Dear, o dancehall apocalíptico de The Bug, a carnalidade de PJ Harvey, a soul de Nina Simone, e a psychadelia dos Beta Band. Há espaço para a música clássica também. Uma selecção de altíssima qualidade, portanto, e que está em linha com outras feitas por Yorke ao longo dos anos.

Muita gente podia aprender com esta banda da sua eleição que a música inspiradora e criativa está muito longe de se esgotar no indie-rock de guitarras.

Michael Jackson - As revelações prosseguem



O número de espectáculos na 02 Arena não para de aumentar. As últimas informações dão conta de 45(!!!) actuações de Michael Jackson na dita sala de espectáculos. Se já havia dúvidas sobre se ele seria capaz de dar 10 concertos, 45 então nem se fala. Entretanto, também já se sabe qual deve ser o alinhamento dos concertos:

1) Billie Jean
2) Wanna Be Startin' Something
3) Rock With You
4) The Way You Make Me Feel
5) Don't Stop Till You Get Enough
6) I Just Can't Stop Loving You
7) Human Nature
8) Smooth Criminal
9) Girlfriend
10) Man in the Mirror
11) Beat It
12) One Day in Your Life
13) Heal the World
14) You Are Not Alone
15) Remember The Times
16) Thriller

Basicamente, as primeiras 5 são obrigatórias, e a sequência 13-14 obriga a uma fuga rápida para salvar a sanidade mental, e o grau de sacarina no sangue.

Manchester United 2 Inter 0

1-0 Vidic 3'



2-0 Ronaldo 48'



Manchester United apurado para os quartos-de-final da Champions.

quarta-feira, 11 de março de 2009

PJ Harvey & John Parish


Primeiro avanço para "A Woman A Man Walked By", segundo álbum de colaboração entre Harvey e Parish. "Black Hearted Love" tem algo da sensualidade de "Stories From The City, Stories From The Sea", embora com um som mais contido, mais centrado na guitarra de Parish, que lhe fornece uma dose de sedução noir. Infelizmente, não poderei estar no concerto na Casa da Música. Espero que o disco compense.

O single pode ser ouvido aqui.

Mastodon

Os metaleiros épicos-pesadões-progressivos de maior destaque dos dias de hoje apresentam o primeiro avanço para o novo "Crack The Skye" com este "Divinations". De certo modo, é uma tentativa de resumir o Método Mastodon em pouco menos de 4 minutos. Não será perfeito para quem aprecia as reviravoltas e passagens abruptas de outras músicas, mas para o efeito é bastante competente. Vídeo abaixo:

Depeche Mode - 2 em 2



"Come Back" escapuliu-se para a internet, e é com prazer que o coloco neste blog. A música inscreve-se na tradição baladeira dos Depeche Mode, constituindo um ponto intermédio entre os ambientes clareira-à-noite de algumas músicas de "Music For The Masses" ("Sacred", talvez), e o maior peso que existia em "Ultra". Já em "Wrong" parecia haver reminiscências deste último álbum, tendência que só pode dar bons resultados.

A faixa pode ser ouvida aqui.

Fever Ray

Este é o projecto a solo de Karin Dreijer, metade dos suecos The Knife. Não se percebe muito bem que isto é a solo, visto que a voz e o instrumental são basicamente The Knife. Felizmente, isso é uma coisa boa. Será difícil à pop electrónica ficar tão maravilhosamente gélida como aqui. A voz cortante de Karin ajuda, e muito.

Em baixo, o vídeo de "When I Grow Up":


When I Grow Up from Fever Ray on Vimeo.

Próxima Wire - Obrigatório comprar



(agradecimentos ao André do Fórum Sons pela foto)

Uma das minhas bandas preferidas na capa, os SunnO))), e uma peça sobre os Magma, que apesar de não ter nenhum álbum deles, adoro tudo quanto ouvi da sua carreira. Será uma leitura indispensável.

Zu "Carboniferous"


Com a data de edição no digipack a dizer 2008, este disco é das melhores coisas de 2009 até agora. Os Zu são um trio italiano, formado por baixo, saxofone e bateria, e "Carboniferous" é o seu primeiro disco na famosa editora Ipecac, de Mike Patton. O seu som som é constituído por um baixo pesadão, que parece estar sempre em esforço, uma bateria que alterna a marcação de ritmo com sprints desejosos de atravessar vidros grossos, e um saxofone que irrompe pelas melodias em tons distorcidos e furiosos. Somos tentados a lembrar-nos do turbilhão noise dos Lightning Bolt, dos passos pesados, arrastados e sub-metaleiros com viola (é assim que se diz?) dos Noxagt, da sujidade e peso dos Melvins, ou até da fúria dos Borbetomagus.

Em baixo podem ouvir "Soulympics", com vocalizações de Mike Patton:

terça-feira, 10 de março de 2009

Liberdade condicional para atrasado mental



(não, não ponho a foto dele aqui)

O norueguês neo-nazi que matou o colega de banda Euronymous nos Mayhem vai receber liberdade condicional ao fim de 16 anos na cadeia. Varg Vikernes afirma-se muito feliz por poder estar com a mãe, mulher e 2 filhos, viver numa quinta, e diz que já há muito tempo que não tem contacto com as organizações de extrema-direita.

Já que tem que ser liberto, espero que ao menos fique longe de qualquer media, e deixe-se tar sossegadinho em casa a ler aquele tipo de literatura que conta "a verdade" sobre a conspiração esquerdista/judaica/capitalista/americana que domina o mundo.

Mais pontos para o metal



Os Machine Head foram hoje anunciados como fazendo parte do alinhamento metaleiro do primeiro dia do palco principal do Festival Alive. A julgar pela popularidade astronómica dos cabeças-de-cartaz Metallica, grande de Slipknot e Machine Head, e em contínua ascensão dos Mastodon e Lamb Of God, a enchente irá ser assustadora! Como espero lá estar, mas ainda não sei os horários dos dois palcos, fica por determinar que concertos me passarão pelos olhos.

segunda-feira, 9 de março de 2009

Os 38 do Professor


Estes são os pré-convocados de Carlos Queiroz para o encontro de apuramento para o Mundial com a Suécia, e particular com a África do Sul. Fica por explicar porquê 6 guarda-redes, porquê alguns desses guarda-redes, e porque uma série de outras escolhas. Se me disserem que é porque não há ninguém melhor, deem-me licença que vou ali carpir as mágoas.

Deco, Quaresma, Hilário, Bosingwa e Ricardo Carvalho (Chelsea)
Bruno Alves, Raul Meireles e Rolando (FC Porto)
Hélder Postiga, João Moutinho e Rui Patrício (Sporting)
Simão e Maniche (Atlético de Madrid)
Ruben Amorim e Nuno Gomes (Benfica)
Nelson e Ricardo (Betis)
Orlando Sá e Eduardo (Sp. Braga)
Eliseu e Duda (Málaga)
Nani e Cristiano Ronaldo (Manchester United)
Manuel Fernandes e Miguel (Valencia)
Edinho (AEK)
Varela (Estrela da Amadora)
José Gonçalves (Nuremberga)
Danny (Zenit)
Fernando Meira (Galatasaray)
Tiago (Juventus)
Beto (Leixões)
Pedro Mendes (Rangers)
Pepe (Real Madrid)
Gonçalo Brandão (Siena)
Hugo Almeida (Werder Bremen)
Daniel Fernandes (Bochum)
André Marques (Vitória de Setúbal)

Beirut "March Of The Zapotec" / "Real People Holland"



Um lançamento que aparentemente deve ser encarado como uma diversão para Zach Condon enquanto não chega o terceiro disco, sucessor de "The Flying Club Cup", e uma colectânea de antigas experiências na área do electro-pop. Pouco estimulante, quer na primeira parte de simples "jam" com músicos mexicanos, quer na segunda parte de batidas Magnetic Fields anémicas. Fica o desejo que Condon reencontre a sua inspiração no seu próximo álbum a sério.

Festejar, ou não, a vinda de uma lenda



Foi anunciado hoje que a lenda viva do dub, Lee "Scratch" Perry, fará parte do cartaz do Festival Músicas do Mundo em Sines, actuando no dia 25 de Julho no Castelo da cidade.

Os melómanos mais atentos saberão da incomensurável importância que "Scratch" teve na implantação do reggae/dub, através da produção de centenas de músicas para si e para outras luminárias do movimento. As inovações por ele trazidas graças ao seu trabalho no estúdio Black Ark influenciaram gente das mais diversas proveniências. A caixa "Arkology" é um óptimo lugar para explorar esse currículo.

Ou seja, prevê-se um concerto inesquecível, certo? Bom...talvez. Hoje em dia, a presença de "Scratch" em palco assemelha-se mais a um debitar incessante de palavras de voz rouca e sotaque cerrado, sem grande fio condutor. Os clássicos ou os pormenores de produção não parecem ter tanta importância. Estamos mais perante o discurso cru de uma figura única e histórica. Trará algo mais especial para receber o fogo de artifício do castelo? Assim espero, para bem dos amigos que já manifestaram o seu contentamento. Como eu provavelmente não irei este ano, fica o desejo que tudo lhes corra bem.

domingo, 8 de março de 2009

Boas guitarras no Reino Unido

Foi preciso algum tempo para que fosse conquistado pelas boas melodias e letras inteligentes, sardónicas, vívidas e cheias de sentido de humor dos Arctic Monkeys, presentes nos seus discos "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not" e "Favourite Worst Nightmare". Este post serve para destacar o trabalho de guitarras em dois dos seus singles - "Brianstorm" e "Teddy Picker". Evidentemente não se trata de destaques relacionados com tecnicismo. Falamos de Britrock-pop. E o que as guitarras de Jamie Cook e Alex Turner aqui fazem é criar melodias que se podem trautear enquanto se faz air-guitar, e emprestar uma óptima dinâmica e energia rock às músicas. Aqui ficam os vídeos dos singles mencionados:



Saúde a mais enjoa


Durante um pacato lanche num café da zona, pude observar o placard dos gelados Olá, algo que já não fazia há muito tempo. De todos, o que mais me chamou a atenção foi uma versão do Epá SEM açúcar! Isto serve na minha cabeça como prova de que a mania da comida saudável bateu ainda mais no fundo. Nada contra quem queira ter uma alimentação regrada, com cuidado na dose de sal ou gorduras, beba sumos naturais, coma iogurtes com bifidus imunitass, ou evite comer alimentos com colesterol. Mas alguns alimentos SÃO suposto ser insalubres! Os gelados NÃO são para se comer enquanto se pensa nos seus benefícios para as defesas do organismo, ou para o trânsito intestinal! SÃO GELADOS! Estão lá para saberem bem e refrescarem, como um refrigerante, um pacote de batatas fritas, um cachorro-quente ou um pastel de Belém. Quem vai comer um gelado preocupado com comer os que dizem que não têm açúcar, claramente não merece o prazer de uma boa guloseima. Por favor, deixem os alimentos "maus" em paz, antes que inventem o Calippo de cereais!

sábado, 7 de março de 2009

A adolescência de Johnny Marr


Numa peça da Uncut, o guitarrista dos Smiths discorre sobre os discos que considera os mais importantes da sua vida, por entre os milhares que fazem parte da sua colecção. Sobre "Hanging On The Telephone", dos Blondie, Marr teve isto para dizer:

"Blondie was a godsend in 1978 and 79 because there wasn't a lot going on for me. There were only a handful of groups that I liked and for every Wire's Outdoor Miner there were four Stranglers singles and you couldn't move for kids liking the Boomtown Rats, [Meat Loaf's] 'Bat Out Of Hell' and [Jeff Wayne's] 'War Of The Worlds' and ELO were around at the time and it was a psychic and verbal battle with the other lads at school as to why my Marvelettes stuff was better than their Rush shit. It was important for something to happen for my generation and that was post-punk. Until then I had to look back. So when an intelligent and great group with a run of singles came about I was really into it. 'Hanging On The Telephone' reminds me of going to parties and complaining that I didn't want to hear 'Peaches' [by The Stranglers] for the eleventh time and going through record collections with all that ELO shit in them and pulling out 'Parallel Lines' and goingm 'All right then, let's listen to this very, very loud!' This track's got a guitar riff I could imagine wanting to write and play. I didn't know it was a cover of The Nerves' song but that makes sense. It was one of those things that I couldn't work out how it was pieced together so it intrigued me. It was one of those that I'd play no less than 15 times in succession."

Fulham 0 Manchester United 4

0-1 Tevez 19



0-2 Tevez 34



0-3 Rooney 49



0-4 Park 80



United apurado para as meias-finais da FA Cup.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Escolha de fãs



Anteontem fiz menção, de forma irónica, à declaração de Michael Jackson de que iria tocar "o que os fãs querem ouvir" nos seus futuros shows em Londres. Hoje, e perdoem-me as contradições, irei elogiar algo parecido.

Dia 17 de Julho, em Chicago, o primeiro dia do Pitchfork Music Festival contará com as actuações de Built To Spill, Yo La Tengo, Jesus Lizard e Tortoise (nomes anunciados para já). Os compradores de bilhetes online receberão um email com um link para uma página onde poderão votar nas canções que querem ouvir nesses concertos. A compilação dos votos dos fãs servirá de base às bandas para construírem a sua setlist. Porque é que acho isto positivo? Primeiro, porque tem o potencial de reunir todo o tipo de músicas das bandas e pode resultar nalgumas surpresas. Segundo, porque é uma excepção. É algo que ocorrerá neste festival especificamente, tornando estes concertos num momento irrepetível. Claro que só posso falar dele, ou ver vídeos no You Tube, mas achei interessante o suficiente para o mencionar.

Vejam! Ele escreveu um argumento para um filme!


Em mais uma notícia do morto há mais de 12 anos Tupac Shakur, ficámos a saber que este terá escrito um argumento, de seu nome "Live 2 Tell", com ideias de o transformar num filme em que o próprio teria o papel principal. A ideia do filme? Um traficante de droga que se arrepende da vida que leva e tenta deixá-la. Muito original, como se vê. Problema com isto? Não devia haver nenhum. Só que isto acumula com toda a treta que tem sido feita nos últimos 12 anos para tentar-nos convencer que Tupac Shakur era uma espécie de mártir, um anjo na Terra, um poeta urbano de qualidade superlativa, que teve o azar de estar no lugar errado à hora errada. Desde o seu assassinato, o culto criado à sua volta, o qual, na minha opinião, tem sido um caso de reapreciação post-mortem ("Na verdade ela era um profeta!", "Ia, agora que vejo bem ele era!"), assumiu proporções quase bíblicas.

Acontece que Tupac Shakur era tudo menos um anjo. Tupac foi preso por violação, vangloriou-se de ter espancado um rival na rua, declarou ter comido a mulher de Notorious B.I.G., e editou músicas a gabar-se de coisas semelhantes. Fez uma de amor à mãe? As Spice Girls também fizeram. Foi DEPOIS de morrer que pegaram em versos dele, construíram músicas à volta (não são dele, por mais que nos queiram vender o contrário) com o refrão da "Broken Wings" dos Mr. Mister, e construíram essa aura de Cristo Thug à volta dele, com pessoas num vídeo a andar à volta da estátua(!!!) dele a deitar florzinhas!

Notorious B.I.G. foi um MC excelente. Tinha um flow claro, poderoso e evocativo, óptimas, detalhadas e vívidas letras, e transportava-nos para um mundo em que o poder e a arrogância se misturavam com confusão e medo. Outros artistas da chamada "música negra" como Marvin Gaye, Stevie Wonder, Curtis Mayfield, ou, passando para o hip-hop, Chuck D, KRS-One, Wu-Tang Clan, Scarface, Jay-Z ou Nas têm no seu repertório várias músicas sobre dúvida, sofrimento individual, responsabilidade social, memórias do passado e confusão sobre que caminho a seguir. Tupac Shakur NÃO está sequer perto do nível destes. Francamente, basta ouvir os discos do português Chullage para ouvir algo muito melhor e pungente que o que este tipo fez. O que é demais cansa!

O atropelo


16000 visitas por segundo no site de venda de bilhetes para a possível carambola que falei ainda ontem. A ânsia atingiu muitíssima gente.

Facsimiles cor-de-rosa



Deve ser uma pena para muitos editores não ter uma Amy Winehouse a sério por cá. Continuem a esforçar-se, pode ser que um dia consigam algo convincente.

Klaxons no Alive

O palco secundário de 9 de Julho continua a compor-se. Após a muito alegre notícia que foi a vinda dos TV On The Radio, os britânicos Klaxons juntam-se a estes e aos Crystal Castles, no mesmo dia em que o palco principal terá o esquadrão metaleiro em actuação.

Como me sinto? Expectante. Gosto bastante do disco de estreia dos rapazes, "Myths Of The Near Future". Acho-o um interessante exemplo de mistura de sintetizadores agressivos, vocalizações eufóricas, e sentido pop. Só que quem viu o concerto no SBSR 2007 (eu não pude ir) apelidou-o de "amador" entre outras coisas. Estarão mais rodados e preparados este ano para transpor o resultado de estúdio para o palco? Se os horários permitirem, estarei lá para ver.

Em baixo uma actuação na BBC Live Sessions. Nota-se claramente a diferença - para pior - em relação ao disco:

quinta-feira, 5 de março de 2009

Mazgani recebe louvor...suspeito?


Parece que há uma coisa chamada International Songwriting Competition. E entre os juízes desse concurso estão uma série de vultos da música a quem todas a vénias são merecidas (não, não estou a falar do T-Pain). Ora essa gente vota num monte de categorias, e nos finalistas de uma está o "nosso" Mazgani. Que, compreensivelmente, está exultante. "Imaginei como uma possibilidade maravilhosa o Tom Waits carregar no play da sua aparelhagem para escutar um tema meu. Era só esse o sonho".

Bom, parabéns Mazgani (não tenho confiança para o chamar Sharyar). Só é pena que a nomeação seja na área "adulto alternativo". É que soa tão contraditório. Adulto, em música, costuma significar ausência de risco, conservadorismo, "certinho". Algo que não associo a "alternativo", visto que ainda gosto de pensar que quer mesmo significar isso. Espero que o prémio incentive Mazgani a prosseguir a sua carreira como escritor de canções influenciada pelos grandes nomes do songwriting da escola Cohen-Cave, e da americana. E espero que também o incentive a arriscar mais, como o seu ídolo Tom Waits. É que faltava isso para que o seu álbum de estreia fosse realmente bom. Boa sorte. Cá estarei para ouvir o resultado.

O MySpace de Mazgani

Michael Jackson ao vivo - Roleta russa de 10 tiros


O cinquentenário com o ar mais desfeito do mundo que não frequenta a zona de Santa Apolónia ou da Meia Laranja a partir das 02:30 irá dar uma série de 10 concertos na 02 Arena (equivalente londrino ao Pavilhão Atlântico), começando a 8 de Julho. Michael Jackson diz que serão os seus últimos concertos em Londres, o que é bastante menos surpreendente do que ele sequer conseguir pensar em dar mais concertos.

O que podemos esperar dos shows? Segundo o Sr. Moonwalk, "the songs the fans want to hear". Sim, ele achou por bem confirmar, não houvesse quem pudesse pensar que iríamos assistir a uma interpretação integral do álbum "Invincible".

Mas sejamos sinceros, o melhor de Michael Jackson (ie: até à última faixa de "Thriller") está entre o melhor que a música pop teve para oferecer ao longo da sua história. No seu auge, Michael Jackson foi capaz de juntar soul, funk, disco, rock, e os valores de produção altíssimos de Quincy Jones numa série de músicas que lhe garantem imortalidade. Só que temos que ser sinceros também noutra coisa. Alguém espera que Michael consiga dar o espectáculo de dança e coreografia que fez a sua imagem de marca? Alguém duvida que muita gente vá estar a ver as notícias ou os próprios concertos com a curiosidade mórbida de quem viu um concerto de Amy Winehouse em 2008, para ver se esta tinha um achaque em palco? Alguém que não um fã mega-empedernido (e Michael tem-nos, oh se os tem!) quer ver Michael imóvel em palco a cantar "Beat It" ou "Don't Stop Til You Get Enough"?

Quer uma despedida em grande? Nada contra. Muitos artistas menos merecedores tiveram-no, e até acredito que ele queira muito viver estes momentos pelo menos mais uma vez. Só que este pode ser um caso em que a imagem pode ficar ainda mais danificada. Estarei errado? Não ficarei triste se assim o fôr.

Newcastle 1 Manchester United 2

1-0 Lovenkrands



1-1 Rooney



1-2 Berbatov



United mantém liderança de 7 pontos sobre Chelsea e Liverpool, com um jogo a menos.

Fire Vs Flaming


Bom, nem foi preciso esperar muito. Win Butler, vocalista dos Arcade Fire, já tratou de responder ao ataque de Wayne Coyne. Sem mais demoras, aqui fica a declaração publicada no site da banda:

"Wow, I can't believe I am actually writing to defend my bands "real" personality. I wish I could not respond to something like this, but the reality is is that people will be asking me questions about it for the next 5 years. I also fear that people will base their opinion of our band on the media quotes of a guy who doesn't even know us.

The only time we have ever shared a stage with the Flaming Lips was our last show on the Funeral tour at a festival in Las Vegas (over 3 years ago)...we arrived the morning of the show from Brazil, slept all day and awoke into some kind of surreal Vegas jet-lag dream in which we were playing after the Flaming Lips...how strange...I was really excited to meet Wayne. Clouds Taste Metallic was a huge record for me, and growing up in the weirdness of Houston, I always imagined Oklahoma City to be in the same universe. I was really nervous to meet him and I felt a little weird that we were playing after them. We traded a little hello, but he was a hard guy to get a read on. Steven Drodz was super nice, and I felt good after talking to him...

So...I am not sure Wayne is the best judge (based on seeing us play at a couple of festivals) if we are righteous, kind and goodhearted people like The Edge and Justin Timberlake (who I am sure he knows intimately as well). I can't imagine a reason why we would have been pompous towards The Flaming Lips, a band we have always loved, on that particular night, all those years ago. Unless I was way more jet-lagged then I remember, I hope I was less of a "prick" then telling Rollingstone that a bunch of people I don't know at all are really assholes.

As a closing note, the main point that I am offended by in this whole thing is for Wayne to say we treat our audience like shit...

At times like these I am comforted by knowing that even though Wayne slammed Beck all those years ago, he seems like a really nice guy to me. I guess everyone has a different idea of what being pompous means.

Win"

quarta-feira, 4 de março de 2009

Flaming Vs Fire


Nos concertos da sua banda, os Flaming Lips, Wayne Coyne recorre muito a adereços como sangue falso. Mas parece que desta vez o sangue é tudo menos a fingir. Em declarações à Rolling Stone, Coyne desfere um violento ataque à preciosa coqueluche do mundo "indie", os Arcade Fire. Parece que alguma coisa correu mal da última vez que os seus caminhos se cruzaram. Ora vejam:

"I'm a fan of them on one level, but on another level I get really tired of their pompousness ... We've played some shows with them and they really treat people like shit. Whenever I've been around them, I've found that they not only treated their crew like shit, they treated the audience like shit. They treated everybody in their vicinity like shit. I thought, 'Who do they think they are?' I don't know why people put up with it. I wouldn't put up with it. I don't care if it's Arcade Fire or Brian Eno. If either of them walked into a room and treated people like shit I'd be like, 'Fuck you, get outta here.'
... People treat Arcade Fire like they're the greatest thing ever and they get away with it. Those sort of opinions change my view of their music. They have good tunes, but they're pricks, so fuck 'em. Who does Arcade Fire think they are? I've been around groups. I've been around the Edge from U2 and he's the fucking sweetest guy ever. I was around Justin Timberlake when he was young and he was just a normal, nice, kind person. Anyone can be polite and kind and people who have the privilege and money and attention should understand that. If they don't, then fuck 'em."

Estas declarações são no mínimo surpreendentes. Quer por virem de um tipo que é hoje em dia conhecido pelos seus shows onde se celebra a comunhão entre as pessoas, quer por terem como alvo uma banda que criou a fama de criar igualmente estados de comunhão e euforia nos seus concertos, inclusivé tocando no meio da assistência já depois dos concertos acabarem, como há bastas provas no YouTube. Enfim, esperemos para ver se Win Butler e comparsas respondem à invectiva.

Prenda de anos perfeita


13 de Abril de 2009 é a data de lançamento de "Dark Days/Light Years", o novo álbum dos Super Furry Animals. Quem não gostaria de ter um disco novo de uma das suas bandas preferidas a sair no seu dia de anos?

Ok, a edição digital sai uns tempos antes, a 18 de Março. Mas para quem ainda vai gostando de ter o CD em casa, a satisfação permanece intacta!

O que delicia Stuart Staples



Gonzales, Todd Rundgren, Nina Simone, bandas dinamarquesas e livros sobre treinadores de futebol é o que tem servido de entretenimento para o líder dos tão apreciados por cá Tindersticks.

Para ver a entrevista completa basta clickar aqui.

TV On The Radio no Alive

A melhor notícia do dia. Os magníficos TV On The Radio estão de regresso dia 9 de Julho, quando subirão ao palco secundário do festival Alive. No mesmo dia actuarão no palco principal várias bandas metaleiras, com destaque para Metallica e Mastodon, e sabe-se já que o palco secundário terá também a presença dos Crystal Castles. Mas todas estas outras notícias são meros pormenores. O que importa é que os autores dos excelentes "Return To Cookie Mountain" e "Dear Science" (2º classificado no meu top 2008) estarão por cá a apresentar a sua mistura única de rock, pop, funk, soul, doo-wop, electrónica, distorção e engajamento político.

Para antecipar, fica uma fabulosa interpretação de "Dancing Choose" para a televisão americana:

Dizzee divertido?

Para o seu 4º álbum, previsto para Junho próximo, o MC inglês Dizzee Rascal teve o seguinte para dizer à Mojo:

"Fun: that's the main focus, ma. Especially with what's goin' on out here now - the country's in a state economically, everybody's worried, blah blah - people wanna escape from all that. That's what music's for: it's a healer."

Algo nestas palavras soa familiar. Foi uma situação social problemática no início da década de 80 em Inglaterra que criou um ambiente propício ao escapismo representado pela geração New Romantic. É estranho pensar que o autor de discos tão pessoais e intensos como os magníficos "Boy In Da Corner" e "Showtime" esteja agora a ponderar usar a sua música para se alhear do que existe à sua volta. No entanto, Dizzee também diz existirem momentos sérios, por isso esperemos para ver. Nada de mal em haver algumas faixas "leves". Ao contrário de muitos, eu até gosto da "Dance Wiv Me" (vídeo abaixo)

O Rali que não volta a ser


Uma memória indissociável da minha infância e adolescência são as aventuras pelas serras de Sintra e Montejunto, inclusivé passar a noite anterior no carro com um belo termo de chá quente para a manhã fria que se seguia, para assistir à passagem dos carros do Rali de Portugal. Na altura pouco me importava saber quem mais gostava, ou que a maior parte dos pilotos não estivesse lá senão para andar devagarinho. Adorava esperar à saída de uma curva, de lista de inscritos na mão, antecipando o próximo concorrente de nome mais ou menos famoso, num carro favorito ou simplesmente pitoresco. Nomes como Hannu Mikkola, Timo Salonen, Markku Alen, Miki Biasion, Ari Vatanen, Michelle Mouton ou Walter Rohrl farão sempre parte do meu imaginário.

É por isso que me custa ver o programa do "rali" versão-2009. A antiga aventura de sul a norte, asfalto e terra batida, 4-5 etapas, Fafe, Buçaco, Arganil, etc, é agora uma simples e muito diminuta volta pelo Algarve, a que não faz sentido nenhum chamar "Rali de Portugal". As razões não conheço, porque há muito que deixei de acompanhar as notícias deste desporto. Mas é difícil não sentir um aperto no coração. É provável que, como já acontece com a Volta a Portugal, haja uma transmissão em directo, com um qualquer apresentador famoso, muita publicidade a marcas conhecidas, e actuações de um qualquer Mikael Carreira para entreter a malta. Que façam bom proveito.

terça-feira, 3 de março de 2009

Ouvir mais cedo o novo Sonic Youth


Do site da Matador Records:

"As announced previously, the new Sonic Youth double LP/CD/digital album, ‘The Eternal’ is coming out on June 9 (link to original album announcement) . However, the album will be available to those taking part in Matador’s Buy Early Get Now campaign on April 28.
Along with your preorder of ‘The Eternal’ on LP or CD, you’ll get an instant stream of the album, and later (through the auspices of the U.S. Postal Service) a bonus limited edition live LP* culled from Sonic Youth’s July 4, 2008 show in Battery Park, NYC, along with an exclusive poster. Additional MP3’s will follow (but not from the post office).
As with prior Buy Early Get Now campaigns, the album can be preordered from a trusted local retailer or directly from Matador starting April 28."

Como bom amigo dos leitores deste blog, já fiz o favor de procurar lojas aderentes que enviem para fora dos EUA. Uma dessas é a Repo Records na Pensylvania.

Se, como provavelmente acontecerá, alguém sacar o disco da net antes de 28 de Abril, é avisar, que eu cá não me importo nada! Quem é que não está ansioso para saber se aquela história de influências black metal era verdade?

T.I. "Paper Trail"

Talvez seja a iminente pena de prisão que T.I. terá que cumprir por ter tentado comprar armas ilegalmente, mas "Paper Trail", o 6º álbum do MC de Atlanta, contém vários momentos de introspecção e vulnerabilidade, por entre a esperada arrogância. T.I. não se deixa intimidar pelo tom bombástico e sintético de praticamente todas as produções do disco, e dá às suas rimas uma nitidez e sentido de espaço que lhes permite chegar mais eficazmente ao ouvido e cérebro dos que o escutam. Mesmo nos momentos mais radiofónicos, como o single "Whatever You Like", o talento de MC de T.I. não desaparece por entre os refrões cantados. E claro, "Swagga Like Us", feito com base num sample de M.I.A., e com participação do "dream team" Lil'Wayne, Jay-Z e Kanye West, é grito de guerra e desafio alimentado a percussão militarizada. Podem escutar a canção no vídeo abaixo:

Guillul volta ao ataque


Depois de declarações à revista Actual onde apontava a existência de uma aristocracia que se protegia entre si na música portuguesa, o manda-chuva da muito aipada Flor Caveira veio dizer o seguinte em entrevista à Blitz:

"O Adolfo...eu gosto de Mão Morta , mas acho que ele é uma espécie de reciclagem do José Mário Branco. O Adolfo é um pregador, mas no pior sentido. O Zé Mário também é um pregador. O Sérgio Godinho é um dos pregadores mais chatos, para mim. Eu preferia que ele de facto pregasse e que chateasse o pessoal, mas a agenda das músicas...Um dos meus álbuns preferidos dele é o 'Domingo No Mundo' mas aquilo é tão, sei lá, 1994...é a música contra a Sida, a música contra a discriminação das minorias éticas...parece que estás a assistir a um congresso do PS"
(...)
"As pessoas são moralistas da pior maneira na música portuguesa. O Adolfo também tem algo disso, aquela coisa das causas. E os Peste & Sida quando Sarajevo estava a ser bombardeada...Claro que as pessoas têm direito às suas convicções ideológicas, eu também as tenho, mas há um modo encapotado que me irrita um pouco. A música portuguesa sempre viveu nessa timidez e por isso é que esses pregadores me chateiam mais. Fica tudo muito sério quando é para falar de certas causas. O Reininho é uma excepção, embora esteja a amolecer, mas também já tem 50 e poucos."

A minha reacção a esta invectiva é ambígua. Por um lado é bom que alguém quebre o consenso que parece vingar na música portuguesa, em que não há uma única voz mediática que seja capaz de dizer que não gosta dos Xutos & Pontapés. Por outro, parece-me que alguns alvos estão mal escolhidos. Dizer que não há humor na música de Sérgio Godinho é um grande erro. A sátira tem sido fundamental na sua obra. E tal como "Domingo No Mundo é 94, também os seus álbuns pré-25 de Abril são inquestionavelmente marcados pela era. Não preciso dizer quantos mais álbuns a história da música teve marcados pelo seu tempo sem que isso lhes diminua a qualidade. Aliás, o elogiado José Mário Branco fez muita música baseada nos tempos do PREC, e época posterior. O histórico "FMI" tem essa conotação. Por último, considero igualmente errado dizer que não há humor na música dos Mão Morta. O seu álbum mais político, "Há Já Muito Tempo Que Nesta Latrina o Ar Se Tornou Irrespirável" tem bons exemplos disso, como "Em Directo Para a Teelvisão".

Enfim, as cartas estão lançadas. Era bonito que alguém do outro lado ripostasse. Era bonito que, por uma vez, o circo pegasse fogo.

Silvestre Varela no Porto?


Não é por ser adepto incondicional do Manchester United, nem por causa do tema central deste blog ser a música, que irei coibir-me de comentar as idiossincrasias do resto do mundo futebolístico. É impossível não perguntar porque quererá o Porto contratar um jogador que, por mais jogos bons que faça pelo Setúbal ou, actualmente, pelo Estrela da Amadora, já teve a sua hipótese no Sporting e não vingou, e já teve a sua hipótese no...Recreativo Huelva e não vingou. Pode ainda só ter 24 anos, mas hoje em dia os jogadores que têm qualidade para ficar no plantel de um dos grandes demonstram-no aos 20-21 anos. Assim sendo, só consigo compreender esta contratação pelo facto do banco do Porto ser tão mau, que entre Varela e um Mariano Gonzalez, talvez fiquem a ganhar.

segunda-feira, 2 de março de 2009

Os 50 piores artistas de sempre

Uma lista da Blender antes de ir para a cama (tenho e gosto de discos de 3 deles):

50 - Iron Butterfly
49 - Toad The Wet Sprocket
48 - Master P
47 - Goo Goo Dolls
46 - Spin Doctors
45 - Gypsy Kings
44 - Manowar
43 - Mike & The Mechanics
42 - Rick Wakeman
41 - Whitesnake
40 - Blind Melon
39 - Bob Geldof
38 - (não tem)
37 - The Doors
36 - 98 Degrees
35 - Paul Oakenfold
34 - Live
33 - Japan
32 - The Hooters
31 - Arrested Development
30 - Richard Marx
29 - Skinny Puppy
28 - Crash Test Dummies
27 - Color Me Badd
26 - Celine Dion
25 - Jamiroquai
24 - Bad English
23 - Creed
22 - Primus
21 - The Alan Parsons Project
20 - Howard Jones
19 - Dan Fogelberg
18 - Pat Boone
17 - Benzino
16 - Oingo Boingo
15 - Yanni
14 - Yngwie Malmsteen
13 - Mick Jagger
12 - Tin Machine
11 - Latoya Jackson
10 - Air Supply
9 - Lee Greenwood
8 - Vanilla Ice
7 - Asia
6 - Kansas
5 - Starship
4 - Kenny G
3 - Michael Bolton
2 - Emerson Lake & Palmer

1 - INSANE CLOWN POSSE

Parabéns!

Miguel Esteves Cardoso certeiro


No Ípsilon da passada 6ª, Vítor Belanciano escreveu uma peça sobre o passado, presente e futuro do Bairro Alto. Apesar de não achar que merecia ser capa do suplemento, e de ter ficado feliz por nunca ter ido ao Cpt. Kirk, onde as pessoas iam para ver e ser vistas, e alguns até iam para se divertir, o texto era agradável de se ler. Era inevitável, claro, que algumas vozes lamentassem que o Bairro está bem pior do que antigamente. São essas vozes o destinatário deste parágrafo que MEC escreveu e que o Público mostrou hoje:

"A verdade é que as gerações consecutivas vão mantendo vivo o Bairro Alto - mudando-o consoante querem e podem - e que é essa a única maneira do Bairro Alto não morrer. Dá a ideia que o maior sonho dos saudosistas era que, mal começaram a deixar de ir, tudo aquilo tivesse sido demolido ou transformado num Bairro-Museu."

Muse sobem - ou descem - mais um degrau na escala




"A symphonic album has turned up here, like a full collaboration with an orchestra. There's definitely a few things on the album which are segueing into each other and it's all very orchestral, but that could take over the album, so it could actually be kind of classical act basically, and move away from rock all together."

O autor desta frase é Matt Bellamy, vocalista dos Muse. Quem me conhece sabe bem como imbirro com esta banda. Um vocalista que transforma o poder evocativo e belo de Thom Yorke num grito esganiçado para chegar à bancada mais distante, guitarras e pianos que tentam a todo o momento mostrar que ouviram música clássica, para que quem ouve saiba que está perante algo ÉPICO, e letras que confundem existencialismo e paranóia com referências baratas a extraterrestres e viagens pelo espaço. Agora aparece-me isto à frente. Claro que não me devia importar, e alhear-me das bandas que não gosto. Só que já sei que de uma maneira ou outra irei apanhar com isto uma série de vezes. Por isso, permitam-me que me lamente em antecipação!