segunda-feira, 23 de março de 2009

Lollapalooza



Aos muitos festivais que as finanças e a geografia me impedem de presenciar, junta-se agora este. Razões? Que tal já terem anunciado Beastie Boys, Depeche Mode, Jane's Addiction, Andrew Bird, Neko Case, Lou Reed, Tool e The Killers?

Data e local? Pá...não interessa!

domingo, 22 de março de 2009

Vicky Cristina Barcelona



Woody Allen criou um filme que vale pela história cativante, pelos diálogos acima da média, e pelas performances de alguns dos seus actores, sobretudo Javier Bardem e Penelope Cruz, que conseguem que as facetas dos seus personagens apareçam mais naturais e menos forçadas do que, por exemplo, os "dilemas" de Rebecca Hall. A personagem do marido de Hall também é mais unidimensional do que talvez devesse ser, e o narrador torna-se irritante. Mas, como disse, o filme consegue ultrapassar esses pequenos senãos.

Nota: 7.5/10

PS: É difícil não pensar que a personagem de Bardem é uma fantasia pessoal de Allen, que adoraria ser um artista radical, boémio, jovem e de aspecto mais másculo que super-nerd, com uma conversa que metesse gajas na cama a torto e a direito.

Fulham 2 Manchester United 0

1-0 Murphy 18' (pen)



2-0 Gera 87'



Uma péssima exibição, coroada com duas expulsões infantis, coloca a liderança do United em perigo.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A nostalgia certa?



A 29 de Maio, o Pavilhão Atlântico receberá uma daquelas festas "Aaah, os 80s...", com a participação de Rick Astley, Kim Wilde, Belinda Carlisle, ABC, Nik Kershaw e Curiosity Killed The Cat. Já se sabe que estas festas têm no cartaz artistas que um dia perceberam que as coisas novas que gravavam não interessavam a ninguém, e começaram a apostar no campo das memórias. A dúvida que me assola é, no entanto, será este um cartaz para Portugal?

Em Inglaterra, claro que sim. Toda a gente com mais de 35 anos lembrar-se-à de "The Look Of Love" ou "Never Gonna Give You Up". Mas aqui, a julgar pelo que se ouve nas rádios nostálgicas (ie: as com mais audiência - a que nem sempre uma pessoa pode escapar), as memórias "no meu tempo é que era bom" estão mais associadas à "Hurts So Good", à "Doctor Doctor", à música do "Dirty Dancing", à "You Can Leave Your Hat On" e assim por diante. Não me recordo de ouvir os artistas deste cartaz nessas rádios. Só que também estive enganado quando pensava que aquele concerto com Meat Loaf e B-52s não ia levar público, por isso a meia-idade portuguesa é bem capaz de surpreender. Entretanto, era bonito poder ir ver os Magazine a Inglaterra para também ter alguma nostalgia de quando tinha 5 anos!

Country Death Cartoon

Em passeios pelo YouTube descobri este vídeo. Parece que o autor fez como trabalho de fim de ano na sua disciplina de animação um desenho animado/teledisco para a clássica "Country Death Song" dos Violent Femmes. Aqui fica o resultado final para ilustração de uma das melhores "murder songs" de sempre:

quarta-feira, 18 de março de 2009

Morrissey "Years Of Refusal"



E para já vão 3 bons álbuns de seguida para Stephen Patrick Morrissey. Algo que ninguém que tenha tido a infelicidade de passar os ouvidos por "Maladjusted" há tantos anos poderia prever. "Years Of Refusal" não tenta reinventar a roda. Temos Morrissey a fazer aquilo que faz melhor. A pegar numa letra que parece só lhe servir a ele, e a transformá-la num canto de um coração aberto a todo o deslumbramento, que se oferece como cordeiro sacrificial para expiação de todos os mal-entendidos e desencontros amorosos do mundo. Quando diz "grow uuu-woauuu-woauuuup" ou "arouund Paris becaaause" transcende qualquer cliché. A banda acompanhante aparece também repleta de energia, sobretudo na bateria, verdadeira coluna amplificadora das melodias vocais, dando ao disco elevadas doses de vitalidade. E nem faltam os toques mariachi nalgumas músicas. Os anos 00 estão definitivamente ganhos para ele.

Em baixo uma actuação ao vivo na TV inglesa:

Num sabia que habia nu YueToube!

Quem diria que alguém encontrou este clássico:

Skatalites no Alquimista

Já por cá passaram algumas vezes, nomeadamente em Sines e em Algés. Desta vez, os lendários Skatalites têm a festa que sempre acompanha as suas actuações em palco marcada para o Santiago Alquimista, no dia 5 de Abril. O que esperar é simples: ritmos de classe ímpar, os sopros cinéticos que estiveram nas raízes do ska e o tornaram música de eleição dos bailes em Kingston, e um conjunto em que todos os integrantes parecem impecavelmente sintonizados com o objectivo expresso de agitar articulações. Em baixo, um vídeo de "Freedom Sound" ao vivo:

Sexta sem The Bug

Seria daqui a dois dias que o inglês Kevin Martin ir-se-ia apresentar na ZdB sob o pseudónimo The Bug, acompanhado pelo MC Flowdan. "London Zoo", o último álbum lançado como The Bug, e que conta com a participação de vários MCs ligados ao dancehall e ragga, foi considerado um dos melhores álbuns do ano por muita gente, tendo inclusivé obtido o primeiro lugar na lista da The Wire. Na falta do concerto, cancelado por motivos desconhecidos, e que prometia fazer as janelas do "aquário" tremer com os sub-graves, foi dia de passar pelo magnífico "London Zoo", e o seu dancehall para tiranossauros rex. Fica aqui o teledisco para "Poison Dart", com a vocalização de Warrior Queen:

segunda-feira, 16 de março de 2009

És uma seca!!!



Como hoje não houve tempo para muita música, acabarei o dia com um desabafo. Um desabafo sobre a classe mais chata de fãs de música.

Não, não estou a falar dos gajos que lêm a Guitar Player e veneram o Yngwie Malmsteen. Também não estou a falar dos que dizem que só gostam de "música alegre", ou "música romântica", ou que gostam "de todo o tipo de música", ou dos que dizem que "antigamente é que se fazia música a sério".

Estou a falar de um tipo que conjuga todos esses problemas. E é provável que vocês que estão aí a ler os conheçam. São simplesmente os tipos do bom gosto impecável. Bom gosto que consiste quase exclusivamente dos "grandes" singer-songwriters. Temos um Cohen aqui, um Reed acolá, um Cave, um Dylan, um Waits, uma Joni e assim. Temos, claro, um Caetano, um Buarque, um Jobim. Temos um Miles, um pouco de clássica, alguma world music estilo Cesária ou June Tabor, talvez uma Amália, e por aqui ficamos.

Claro, qualidade aqui existe em alta quantidade. Mas existe na proporção em que falta um desvio à norma, uma vontade de procurar algo que não seja consensual, a porra de um riff violento, uma batida arrasa-quarteirão, uma voz gritada, um arranjo maluco, uma mistura impensada, uma melodia de levantar estádios ou uma freakalhada que ponha um grupo de gajos marados a estremecer como num terramoto. Algo que faça levantar da cadeira e pensar como é bom viver em 2009 e descobrir uma banda destas (sem contar com o Antony). Procurar só "classe" na música é como o gajo que está sempre "early to bed and early to rise" na canção dos Morphine.

A minha vida musical seria muito triste se a minha próxima excitação melómana dependesse da saída de um novo disco do Chico Buarque.

sábado, 14 de março de 2009

Manchester United 1 Liverpool 4

1-0 Ronaldo 23'(Pen)



1-1 Torres 28'



1-2 Gerrard 44'(Pen)



1-3 Fábio Aurélio 77'



1-4 Dossena 90'



Avanço do United sobre o Liverpool reduzido para 4 pontos, com um jogo a menos.

sexta-feira, 13 de março de 2009

Woven Hand em Portugal



E de volta ao computador ao fim da noite, deparo-me com uma fantástica notícia. Os Woven Hand, de David Eugene Edwards, autores do nº3 no meu top de discos de 2008 com "Ten Stones", estarão em Leiria no próximo dia 17 de Maio. Pode ser um Domingo, mas será muito difícil resistir à tentação. Edwards tem a fama de ser um fabuloso performer em palco, trazendo às suas canções de americana trespassada por catástrofes e trovões bíblicos uma dimensão extra, que chega a fazer temer pela sua integridade física. Aguarda-se informação sobre quando estarão à venda os bilhetes.

Em baixo um vídeo de "Kicking Bird" ao vivo:

Nova Op

A indispensável Op apresenta a sua nova edição, já disponível nas bancas. Daqui já se sabe que vem excelentes e informativos textos, de gente conhecedora, e que sabe partilhar esse conhecimento. Seguem-se as capas, e o resumo dos conteúdos:



Op. #27: Kanye West, George Steiner, Ken Vandermark, Desigual, Steinski, Christopher Nolan, António Brito / Paulo Bandeira Faria, Tom Zé, Hal Hartley, Michelangelo Antonioni / Pier Paolo Pasolini / Valerio Zurlini, Eric Rohmer, Teatro da Cornucópia, Anton Tchékhov, Jacinto Lucas Pires, George Orwell, Motown, A apropriação britânica da cultura dos sistemas de som: dancehall, U.K. hip hop, grime & dubstep, Film Comment, Monty Python, David Byrne, Steve Soderbergh, Pierre Boulez, Jonathan Klein, Randy Newman, Michael Haneke, Joaquim Paulo, 100 discos do séc. XX: as listas de João Gomes e de Xico Ferrão, + música + moda + publicidade + artes plásticas + cinema + teatro + literatura + etc...

Novo single de Super Furry Animals



Antes de chegar o dia 13 de Abril, e o lançamento oficial da versão física de "Dark Days/Light Years", já está disponível para audição o novo single dos galeses maravilha. "Inaugural Trams" vem combinar uma aproximação à motorika emprestada dos Stereolab, com a verve pop que sempre foi apanágio desta magnífica banda, onde a voz endorfínica de Gruff Rhys é peça fundamental. E tem Nick McCarthy dos Franz Ferdinand a rimar em alemão.

O single pode ser ouvido aqui.

Gang Gang Dance "Saint Dymphna"



2009 continua a ser mais dedicado à descoberta e/ou reapreciação de alguns discos marcantes de 2008. No caso dos nova-iorquinos Gang Gang Dance, "Saint Dymphna", o sucessor do já de si muito bom "God's Money", leva-os para terrenos ainda mais esotéricos e ritualistas. A voz de Lizzy Bougatsos parece ter transcendido as imposições de permanecer apenas num lugar de cada vez inerentes ao corpo humano, tornando-se entidade gasosa. Neste estado, vagueia por zonas onde os sons, ambientais e fortemente rítmicos, transmitem-lhe impulsos de radar, que a guiam como farol, e dão a esta música características de um onirismo prestes a transbordar, mas que se mantém sempre a uma distância mínima de o fazer. Ah, e mete post-punk, mutant disco e grime nalguns sítios.

Em baixo podem ouvir "House Jam" do álbum: