
Como hoje não houve tempo para muita música, acabarei o dia com um desabafo. Um desabafo sobre a classe mais chata de fãs de música.
Não, não estou a falar dos gajos que lêm a Guitar Player e veneram o Yngwie Malmsteen. Também não estou a falar dos que dizem que só gostam de "música alegre", ou "música romântica", ou que gostam "de todo o tipo de música", ou dos que dizem que "antigamente é que se fazia música a sério".
Estou a falar de um tipo que conjuga todos esses problemas. E é provável que vocês que estão aí a ler os conheçam. São simplesmente os tipos do bom gosto impecável. Bom gosto que consiste quase exclusivamente dos "grandes" singer-songwriters. Temos um Cohen aqui, um Reed acolá, um Cave, um Dylan, um Waits, uma Joni e assim. Temos, claro, um Caetano, um Buarque, um Jobim. Temos um Miles, um pouco de clássica, alguma world music estilo Cesária ou June Tabor, talvez uma Amália, e por aqui ficamos.
Claro, qualidade aqui existe em alta quantidade. Mas existe na proporção em que falta um desvio à norma, uma vontade de procurar algo que não seja consensual, a porra de um riff violento, uma batida arrasa-quarteirão, uma voz gritada, um arranjo maluco, uma mistura impensada, uma melodia de levantar estádios ou uma freakalhada que ponha um grupo de gajos marados a estremecer como num terramoto. Algo que faça levantar da cadeira e pensar como é bom viver em 2009 e descobrir uma banda destas (sem contar com o Antony). Procurar só "classe" na música é como o gajo que está sempre "early to bed and early to rise" na canção dos Morphine.
A minha vida musical seria muito triste se a minha próxima excitação melómana dependesse da saída de um novo disco do Chico Buarque.