terça-feira, 31 de março de 2009

Joanna Newsom - Coisas promissoras à vista



Parece que a rapariga deu um concerto secreto, cujos relatos falam de algo que pode ultrapassar os excelentes "The Milk-Eyed Mender" e "YS". Aqui fica um excerto desse relato:

It’s always an interesting moment when one of your favorite artists takes to the stage to showcase their next evolution of musical progress. However, from the first pluck of her harp through the last note the performance was nothing short of rapturous. The makeup of her new songs combines the strong melodic presence of songs on the Milk-Eyed Mender with her continued instrumentational prowess and maturation beyond Y’s. It was unclear how many of the songs covered in the course of the two and a half hour set would ever be recorded, but there was never a sour note or “should be cut” moment to be heard. If anything a double album here would make perfect sense, and be one of the most enjoyable albums I’ve heard in ages.

A totalidade do relato pode ser lidaaqui.

Super Furry Animals "Dark Days / Light Years"



O nono disco da carreira dos Super Furry Animals fica aquém do grau de genialidade que a banda galesa não atinge desde o saudoso "Phantom Power", três álbuns atrás. Não quer isto dizer, obviamente, que não se trate de um bom álbum, como tudo aquilo em que estes rapazes tocaram desde a sua estreia em 1994. A surpresa começa logo na primeira "Crazy Naked Girls", onde Jamie Lidell parece ter sido uma influência. Depois, noutras músicas, o uso da guitarra faz também pensar que esta gente andou a ouvir Thin Lizzy, ZZ Top, Status Quo, ou mesmo Black Sabbath. Isto, claro, sem o lado virtuoso, e tratando tudo em modo pop efervescente ao invés de assolado pelo blues-rock. Pop essa que também não falta em muito do álbum. O que faltará, talvez, são mais refrões capazes de atingir o Olimpo de tantas e tantas canções do seu historial. Ficará como um álbum para se conviver com durante um bom tempo.

Aqui fica a nova "Inaugural Trams":

segunda-feira, 30 de março de 2009

Deerhunter "Microcastle"



O caso dos Deerhunter em "Microcastle" é um daqueles casos em que ir atrás para avançar faz todo o sentido. Abandonando em larga escala, mas não totalmente, as formas liquefeitas do anterior "Cryptograms", neste terceiro álbum a banda de Bradford Cox foi buscar as músicas que povoavam a Inglaterra dos finais dos anos 80, princípios dos 90, nomeadamente a pop esbatida de uns Ride, Lush ou Spiritualized fase-"Pure Phase". Temos, assim, uma série de óptimas melodias de coração de grandes dimensões, que as guitarras se encarregam de semi-esconder no meio das suas revoadas de peluche-eléctrico.

Em baixo, podem ouvir "Nothing Ever Happened" deste álbum:

domingo, 29 de março de 2009

The Killers - Um acto de idolatração

Esta música foi ouvida ontem no programa Discos Voadores, apresentado por Nuno Galopim, na Radar. Sabemos como este adora os Duran Duran. Ora tentem ouvir o baixo inicial e o saxofone nesta "Joyride" sem pensar nos rapazes de Simon LeBon:

Franz Ferdinand - rendimentos decrescentes

O novo single dos Franz Ferdinand, "No You Girls", serve como exemplo perfeito porque não fiquei entusiasmado com o novo álbum "Tonight: Franz Ferdinand". Não é surpresa que tenha sido escolhido como single, visto que é a música mais convencional do disco, e isto de dizer que se vai arriscar é muito bonito até um certo ponto. A verdade é que "No You Girls" não parece aquilo que se esperaria dos FF ao terceiro álbum, sobretudo para uma banda que começou com "Michael", "Darts Of Pleasure" ou "Dark Of The Matinee". Na verdade, "No You Girls" soa a algo que mais rapidamente acreditaria ter vindo de uma demo ou lado B dos primeiros tempos da banda. Ou a uma banda que, na altura do sucesso do primeiro álbum, quisesse reproduzir a fórmula Franz, sem o estilo e energia destes. Entre músicas como esta, e riscos que não o chegam bem a ser, ou a confluír em canções memoráveis, temos um disco aquém das expectativas.

O vídeo de "No You Girls":

sexta-feira, 27 de março de 2009

(Título óbvio) Ele estava lá



Que o vocalista dos Mão Morta era um melómano atento de longa data, já se sabia. Mas, e penitencio-me por não o saber antes, foi engraçado ler a sua entrevista de 25 anos de carreira à Blitz, e saber que Adolfo esteve presente nos primeiros concertos quer dos Xutos & Pontapés, quer dos Corpo Diplomático. Não há contemplações da parte de Adolfo em relação à verdadeira dimensão da movida punk em Lisboa. Apenas serve para perceber de onde nasceu alguma da inspiração dos Mão Morta. Suponho que os Sonic Youth, os Swans e os Birthday Party não andassem muito longe.

Jason Lytle (ex-Grandaddy) a solo



O homem por detrás de discos tão bons como "Under The Western Freeway" e "Sophtware Slump" editará a 19 de Maio o seu primeiro disco a solo, "Yours Truly, The Commuter". "Brand New Sun" é o primeiro avanço e soa...igual a Grandaddy. Voz melíflua, electrónica tão ou mais melíflua, guitarra acústica, refrão esvoaçante. Enfim, todo aquele ar de andorinha a pairar sobre as grandes florestas americanas. O que é uma óptima notícia para os apreciadores do trabalho de Lytle, e para todos os recém-chegados que gostem do estilo. "Brand New Sun" pode ser ouvida aqui.

Macacos do Chinês no Ípsilon

Na entrevista dedicada ao lançamento do álbum de estreia "Ruídos Reais", o qual recebeu críticas positivas quer na Time Out, quer no próprio Ípsilon, a banda afirma que algumas reacções menos lisonjeiras ao single "Rollin' Na Reboleira" são motivadas pela ideia de que se trataria de um single "comercial".

Pensei que teria a obrigação de quebrar a norma, por isso aqui vai:

O single é chato, é redundante, é reaccionário, é anacrónico, é mole, é cópia de milhões de gajos entediantes que tentam fazer este "soul orgânico", e não tem nada a ver com o que fez as pessoas prestarem atenção aos MdC! E tem aquelas letras do "Ai, não sou rico, e não passo na MTV" que já devia fazer toda a gente levar as mãos à garganta! Parece que o resto do disco, a julgar pelas críticas, mantém-se naquela electrónica grime/ping-pong que fazia dos singles iniciais algo de especial e diferente. Talvez seja só uma questão de seleccionar bem as faixas que se ouve.

EDIT: A descrição "jazz-rap amorangado" feita na Blitz por Ricardo Raínho é excelente. E no entanto o disco leva 4/5, o que deixa antever melhor qualidade no resto.

Para quem tiver paciência, aqui fica o single da discórdia:

(ex-MF) Doom com Tony Starks

"Born Like This" é o disco que aí vem da "estrela" do hiphop dito "alternativo" Daniel "Doom" Dumille. À primeira audição parece estar à altura dos pergaminhos criados por este idiossincrático e destro MC, e capaz de proporcionar muitas e boas audições. A faixa com Tony Starks, heterónimo do brilhante Ghostface Killah, membro dos Wu-Tang Clan, destaca-se pelas cordas que evocam os filmes de espionagem e ficção científica dos 60s/70s. Não é que seja propriamente uma novidade. É apenas porque as rimas dos dois MCs encaixam aqui muito bem, e afinal de contas isto é um universo bastante compatível com a persona de Doom:

quinta-feira, 26 de março de 2009

Origens de "Ten"



Em leitura da nova Blitz, o destaque vai, desde já, inteirinho para a entrevista com os membros dos Pearl Jam, relacionada com a reedição do álbum de estreia "Ten", a que já fiz referência neste blog. Eddie Vedder, Stone Gossard, Mike McReady, Jeff Ament e Matt Cameron saem desta entrevista sob uma luz extremamente favorável, demonstrando um grande carinho pelos dias que levaram à criação do seu primeiro disco, e ainda cheios de entusiasmo e esperança pelo presente e futuro da banda. Mas não irei estar aqui a escalpelizar toda a entrevista. Apenas quero indicar dois pormenores da história dos Pearl Jam que me chamaram a atenção:

- Já nos seus tempos de membros dos Green River, Stone Gossard era fã dos Van Halen, enquanto Jeff Ament preferia os Black Flag. Vieram a ter o seu momento de "iluminação" ao assistirem a um concerto dos Jane's Addiction. Mark Arm, futuro Mudhoney e então vocalista dos Green River, odiou esse concerto.

- Eddie Vedder era um vocalista tímido e introspectivo até que Chris Cornell, dos Soundgarden, lhe disse, numa noite de copos, para se soltar mais. É difícil pensar em Vedder como retraído, quando nos lembramos do quão expressivo consegue ser em palco.

Outros detalhes, como a ligação de Mike McReady ao lendário Stevie Ray Vaughn, ficam para os olhos dos futuros leitores.

Rokia Traore em Lisboa



Foi dos melhores concertos que alguma vez vi no Castelo de Sines! Autêntico terramoto afro-funk-soul eléctrico caído em cima das nossas cabeças, complementado por uma voz esmagadora! A 28 de Maio, o Lux receberá Rokia Traore (toca na Casa da Música no dia anterior). Parece um espaço demasiado pequeno e apertado para conter a energia que emana desta mulher, mas em princípio é de não perder!

Um vídeo de Rokia ao vivo:

Escrever sobre escrever



Estava a pensar o que havia de pôr como próximo post do Importo-me Bué. A duvida assolava-me. Levantei-me, fui à cozinha é abri um pacote de amendoins salgados. A escrita leva-me sempre a ponderar qual o significado metafísico de todas estas considerações sobre a conjugação dos sons das notas com o ar que ressoa por entre as frinchas da parede. Para onde vai o eco dos dedos a repicarem no teclado, enquanto as ideias procurarm fluír tão livres como um jogador que acaba de rescindir contracto com um clube búlgaro. É aí que podemos contemplar toda a beleza das sinapses que produzem frases que julgamos poderem contentar-nos a nós e a todos os que nos lêm, e...

Isto é chato como o caraças, não é?

Isto é dedicado a todos os colunistas de opinião que insistem em escrever textos de opinião sobre escrever textos de opinião. Uma pessoa lê as vossas colunas para saber a opinião e ponto de vista que têm sobre assuntos concretos! Não é sobre a porra do vosso umbigo, e o que consideram ser o vosso incomensuravelmente interessante processo de ordenação de ideias! Já é difícil encontrar gente que escreva nessas colunas e valha a pena ler regularmente! Não o estraguem ainda mais! Parece aqueles músicos que, para disfarçar que já não têm nenhuma ideia nova, tocam a regravar material antigo em dueto ou com novos arranjos!

terça-feira, 24 de março de 2009

Reedição de "Ten"



O álbum de estreia dos Pearl Jam foi agora reeditado numa série de diferentes formatos e remasterizações. Não irei gastar o tempo a descrever todas porque, por um lado não sou doido de me lembrar, por outro não é relevante para este post. Apetece-me, sim, voltar a pensar num disco que passou por todas as fases da minha evolução melómana, para chegar a um ponto em que é, tão somente, um excelente disco de rock.

O olhar em 2009 é necessariamente diferente de 1992, pois desde então muita nova música me passou pelos ouvidos. É muito mais clara, por exemplo, a influência de gente como Neil Young nos sons de guitarra, e na voz de Eddie Vedder. "Ten" é muito diferente de todo o lixo grunho que foi feito sob a suposta influência do "grunge". O que os Pearl Jam fizeram não foi apenas apanhar os riffs mais básicos, e um estilo de cantar homogéneo. Houve a preocupação de criar canções. Canções que buscavam influências tradições vindas do rock ligado quer à americana, quer ao r&b inglês de uns The Who, e formar espaços dentro delas para que da simplicidade de um verso e refrão rock, novos cantos e recantos pudessem nascer. Pura e simplesmente, não se acaba "Black", "Jeremy", "Release", "Why Go" ou "Even Flow" da mesma forma como se começou. Eddie Vedder, apesar de ser um frontman extraordinário, pleno de carisma e intensidade, nunca mais esteve tão bem como aqui.

É pena que depois do excelente "Yield" a banda nunca mais tenha conseguido fazer um bom álbum. Aqui fica uma memória de um grande momento:

segunda-feira, 23 de março de 2009

Pyramids "Pyramids"



Aqui está algo muito bom vindo de 2008. Vindos do Texas, os Pyramids apanham os sons e cânticos liquefeitos do shoegaze, e levam-no a um ponto outrora pouco explorado onde as suas guitarras e baterias acasalam com as suas primas afastadas no black metal. Como uma imagem MBV-iana que tanto se refracta sobre si própria que amanhece numa das estepes escarpadas dos Emperor, blastbeats incluídas. Não é à toa que muita da imprensa dedicada aos sons do que hoje em dia se designa por avant ou post-metal.

No MySpace podem ouvir duas músicas presentes no disco:

Pyramids

Are you resting?



Ao contrário de Tupac Shakur, Jimi Hendrix foi um génio inigualável na história da música! Ao contrário de Tupac Shakur, Jimi Hendrix lançou três álbuns que são experiência religiosa para qualquer melómano que se preze! Ao contrário de Tupac Shakur, Jimi Hendrix merece a estátua que lhe fizeram!

Mas...

A new DVD of Jimi Hendrix relaxing offstage and in between gigs is to be officially released by the late guitarist's estate.

The candid footage was originally shot in 1969, when a camera crew followed Hendrix around for a month and captured the until-now unseen shots of him, reports The Guardian.

The Hendrix estate, which looks after the iconic star's recordings and releases, will issue the DVD in conjunction with Universal Music Publishing Group.


Alguém quer mesmo comprar um DVD DE UM GAJO A DESCANSAR?????? Ele foi um dos maiores, se não o maior, guitarrista rock de todos os tempos! Não foi o melhor "descansador" de todos os tempos! Comprem a reedição do "Electric Ladyland" e poupem o dinheiro que sobrar para coisas mais úteis!