quarta-feira, 8 de abril de 2009

MANCHESTER UNITED 2 PORTO 2

0-1 Rodriguez 3'



1-1 Rooney 15'




2-1 Tevez 85'



2-2 Mariano 88'



Um jogo de altíssimo nível, que deixa antever uma 2ª mão emocionante, onde o United terá de jogar muito para passar às meias-finais.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

The Skatalites@Santiago Alquimista

Num Santiago Alquimista completamente à pinha, com um público incrivelmente jovem, se considerarmos a idade da banda, os Skatalites tiveram contra si um voo atrasado, e um som com problemas nas primeiras músicas, e deram a volta a tudo isto para darem um concerto magnífico. A banda que pegou no jazz, swing e r&b, e transformou-os numa criação original da ilha da Jamaica, levou todo este caldeirão à multidão que pulou, dançou, cantou, pulou e gritou como se não houvesse amanhã. E por aqui passa também o rocksteady, o reggae, e mesmo a música das bandas-sonoras de Lalo Schifrin ou John Barry. Em resumo, nada aqui é deixado ao acaso ou é destinado ao repouso e a contemplação. Se a idade avançada da banda não é indicada para grandes movimentações em palco, a música mais do que compensa. Ao fim de 95 minutos, o público ainda pedia efusivamente o regresso, o que obrigou um roadie a avisar que não haveria mesmo mais. Compreende-se. E depois do que se passou, quem lhes poderia levar a mal?

Nota: 9/10

Um vídeo - mais uma vez com mau som, mas é o que se arranja - da noite de onteM

Pearl Jam - Eu Vs JML




Na edição de Sábado do suplemento Actual do Expresso, o estimado JML escreveu um texto especialmente cáustico sobre a, já aqui elogiada, reedição de "Ten", álbum de estreia dos Pearl Jam.

No restante deste post irei apresentar os meus argumentos relativos à defesa do dito álbum, de uma forma cuidada e apoiada em pormenores que me pareçam relevantes, procurando evitar a habitual grunhice dos comentários anti-gajo-que-disse-mal-da-nossa-banda. Para mais, não é nada que não seja habitual entre melómanos blogueiros de outras paragens.

Sendo assim, aqui vai:

- "Mickey Rourke lamenta que o caminho glorioso do glam metal de Guns N'Roses e companhia tenha sido arruinado nos anos 90 com a chegada de Kurt Cobain e do grunge"

O caminho glorioso dos G'N'R não foi interrompido por ninguém excepto pelos próprios. O díptico "Use Your Illusion" deu azo a uma digressão que encheu estádios pelo mundo todo ao mesmo tempo que Nirvana e Pearl Jam atingiam o sucesso. Os Bon Jovi também encheram estádios durante essa época, sobretudo na Europa. O álbum dos Van Halen de 1991 foi um sucesso, tal como "Adrenalize" dos Def Leppard, e os Aerosmith tornaram-se mais populares do que nunca. Outros, como os Motley Crue, sofreram por terem trocado de vocalista e lançado músicas pouco apelativas para as rádios, o mesmo acontecendo com David Lee Roth. Entretanto, a popularidade de clássicos como Metallica, Led Zeppelin, Black Sabbath e AC/DC nunca caiu, conquistando mesmo milhares de fãs entre as novas gerações. Perderam-se uns Tesla, Poison, Cinderella, Dokken, Ratt e afins? Paciência!

- "Do glam metal, os Pearl Jam (e o grunge) excisaram o glam, a agilidade, a exuberância visual, a força rítmica e, pior que tudo, as canções"

Colocando de lado a questão das aparências, em que poderíamos debater quem atingiu estatuto icónico nos dois campos, vejamos as restantes questões. É difícil dizer que deixou de haver "canções", sobretudo se pensarmos que tantas atingiram o estatuto de hinos. É verdade que isso não deixa de ser um facto para muitas tragédias musicais ao longo da história, mas o facto é que não faltavam melodias inspiradas às bandas da altura. Apenas mais derivadas da história do hardcore, hardrock mais duro, punk e metal. Ou até de gente como Neil Young, The Who, The Doors e até The Beatles e Pixies como era o caso dos Nirvana. Quanto à dita força rítmica, é impossível não apresentar como argumento contrário o trabalho de Matt Cameron em "Superunknown" dos Soundgarden, onde a bateria aparece como herdeira directa de John Bonham. E onde há Bonham há força rítmica. Compare-se isto ao anónimo boom-PAH de milhentas bandas dos 80s, e, pelo menos para mim, vê-se onde está a força rítmica.

- "'Ten' é um pastelão disforme e atolado em autocomiseração. 11 capítulos onde Eddie Vedder mastiga sílabas e o resto da banda toca rock virtuoso e castrado."

É muito difícil considerar "Ten" disforme. Por mais "virtuosismo" que se veja, não existe nenhuma canção no disco em que as guitarras sabotem a ideia de canção com princípio, meio e fim. Observemos as mais compridas intervenções das guitarras, como em "Even Flow" ou "Alive". Em nenhuma destas se perde o lado melódico e, diria, cantarolável. Ao mesmo tempo, mais do que autocomiseração, músicas como "Black" ou "Jeremy" são gritos, são rock pronto a rebentar com as artérias, incapaz de ser contido dentro de uma boca humana. O que as bandas que se seguiram, como os atrozes Godsmack, Staind ou Creed, fizeram, foi retirar toda esta ideia de catarse e substituí-la pelo balão de ar rock FM que, aí sim, era herdeiro do glam metal. Quando Scott Stapp cantava "With Arms Wide Open", não era difícil visualizar Jon Bon Jovi a fazer o mesmo.

Em jeito de conclusão, afirmo que, mais do que precursoras de uns Live, Candlebox ou Matchbox 20, os Alice In Chains, Pearl Jam ou Soundgarden (os Nirvana estão excluídos, por não terem sido "alvejados") são herdeiros dos Black Sabbath ou Led Zeppelin (que não são inocentes no reino da autocomiseração). E o mundo fica mais a ganhar com esta espécie de rock, em que a melodia e as grandes canções se conjugam com riffs que rasgam a pele, em vez de de disputar espaço épico com teclados foleiros e baterias unidimensionais. "Ten" é um álbum que merece ser posto ao lado da grande linhagem, e não dos desastres.

domingo, 5 de abril de 2009

Manchester United 3 Aston Villa 2

1-0 Ronaldo 14'



1-1 Carew 30'



1-2 Agbonlahor 58'



2-2 Ronaldo 80'



3-2 Macheda 90+3'



Uma excelente recuperação e um grande golo de um jogador de 17 anos mantém o United na frente!

Parabéns aos protestantes!



Claro, eu percebo. Ficaram fodidos por não terem conseguido chegar ao pé do edifício da cimeira, e tinham que descarregar essa energia raivosa acumulada de alguma maneira. E que melhor maneira de o fazer senão partir e deitar fogo ao local de trabalho de outras pessoas que não têm nada a ver com o assunto? Claro, perdem o trabalho e tal, mas decerto compreenderão que foi no âmbito de uma tomada de posição simbólica contra os pérfidos imperialistas. Quando ateiam o fogo à loja estão, na verdade, a ver a cara de um Jaap de Hoop Schaffer ou Angela Merkel. Sem dúvida que na sociedade sem chefes e classes que vocês defendem essas pessoas viveriam muito melhor e mais livres. Aliás, se não o quisessem, decerto depressa seriam "admoestadas". O meu agradecimento profundo vai para vocês, e toda a "liberdade" que representam. Algo, aliás, partilhado por aqueles gajos que também odeiam a NATO. Uns tais de talibans!

(nota: embora discordando de várias das suas posições, o direito legítimo de protestar pacificamente, usado pela maioria dos manifestantes em Estrasburgo, não está, de forma alguma, posto em causa)

sábado, 4 de abril de 2009

Born A Lion + The Hypers@Musicbox

Foi uma noite muito agradável aquela que os Born A Lion ofereceram para apresentar o seu novo, e francamente superior ao anterior "John Captain", álbum "Bluezebu". A informação sobre a banda no anúncio do concerto fala em Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple. Dos primeiros viu-se muito nos riffs da guitarra, dos outros não se pode dizer que tenha havido muito, apesar de estarem como influência no MySpace da banda. Aqui mora mais a urgência garage de uns MC5 (houve versão de "American Blues"), a tremideira do eixo Kyuss-QOTSA, ou até algum do deboche de uns Monster Magnet, menos o psicadelismo destes últimos. Dúvidas que esta malta ama o rock and roll com todo o seu ser sobram poucas. Um guitarrista - Melquiadez - não tem aquele cabelo e barba, e aquele blusão de ganga por diversão, e um baixista - Nuñez - não tem um baixo à Lemmy só porque sim. E a verdade é que tocam de forma a que cada segundo seja um concurso de tiro ao alvo em que qualquer falha seja eliminação automática. Mereciam é, talvez, um público mais participativo. É certo que os entusiastas impuseram dois encores, mas a regra poucos-mas-bons não esteve propriamente entre os cerca de 50 presentes no Musicbox, entre os quais se contava o lendário António Sérgio, a quem a banda dedicou uma música. Venham mais concertos e palcos.

Nota: 8/10

Os The Hypers entraram em palco com menos de 15 pessoas na sala. Tentaram o seu melhor, num estilo entre o garage e o punk, devidamente vitaminado e empenhado, em formato de power-trio. Uma comparação poderão ser os "desaparecidos" Soledad Brothers, o que não é desonra para ninguém. Veremos se os próximos tempos os fazem subir um pouco mais na escala.

Nota: 7/10

Em baixo, um vídeo - com som um bocado mauzito - para "Chemical Vibes", música de abertura do concerto:

sexta-feira, 3 de abril de 2009

The Bombazines - Portugueses e excelentes!



A foto é praticamente a única que existe, por isso terá de servir. Marta Ren (ex-Sloppy Joe) e Rui (ex-Zen) são a linha da frente desta banda. Porque é que é tão especial? Quem me ouviu falar por mais de 2 minutos é provável que me tenha ouvido queixar da forma como "soul" tem sido entendido pelos músicos portugueses. Voz límpida, bem desenhada, fresca, "boa vibe". Ora, desde quando é que a soul viveu sem umas boas tripas com vontade de saltar para fora? É isso que traz Marta Ren, e é isso, mais uma banda que sabe muito bem quem foram Sly Stone e os Funkadelic (é ouvir o orgão de Eurico Miranda capaz de derreter chapa metálica), que me deixa entusiasmadíssimo, e desejoso de que o EP que têm previsto lançar com a FNAC e a Optimus esteja já à venda este fim-de-semana!

Podem ouvir algumas músicas aqui.

Fever Ray ainda irrepreensível



Num ano que promete ser histórico para a synth-pop, Karin Dreijer Andersson está bem colocada para o terminar como uma das rainhas do mesmo. Em "Triangle Walks", o projecto Fever Ray da cantora dos The Knife pega nos intimismos de Bjork em "Post" ou "Vespertine", e leva-os aos seus expoentes, até que a evasão ao mundo real deixa de ser um desejo, para se tornar em algo vital. Esta música corre o risco de queimar a pele de quem tentar chegar demasiado perto. Ouça-se "Triangle Walks" em baixo e tire-se as conclusões que se quiser:


Fever Ray - Triangle Walks from SimonMA on Vimeo.

Mos Def de regresso



"The Ecstatic" é o álbum que se encontra a caminho do autor do fabuloso "Black On Both Sides". A julgar pelas faixas presentes no MySpace de Mos Def, este está em terreno de MCing conforme mandam as regras, com a sua voz autoritária rodeada de tambores raivosos, ou electrónica de alta pressão.

Produzidos por Mr. Flash e Preservation respectivamente, "Life In Wonderful Times" e "Quiet Dog" podem ser ouvidas aqui.

Who Made Who "The Plot"



Este é daqueles discos que obriga a questionar o que ouvimos no passado, só que não no bom sentido. O primeiro álbum dos Who Made Who, sem ser uma obra-prima, muito longe disso, tinha bons pedaços de disco-funk-pop, que ao vivo surgia ampliado em volume e groove, e proporcionava grandes incentivos à festa. Isto, pelo contrário, parece letárgico de ponta a ponta. É, basicamente, o que os Cut Copy fariam caso sofressem de anemia aguda irreversível. Sabe-se que os dinamarqueses têm um gosto especial pela performance em cima de um palco. Neste caso, terão que estar mesmo no pico da forma para dar vida a estas canções!

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Comparação inevitável



O que fazer quando se ouve uma música, e pelo tom, timbre, cadência e tudo o mais da voz, e tipo de instrumentação, estamos perfeitamente convencidos que se trata de uma banda, e depois descobrimos que é outra?

Não - isto não são os Clã!

Sonic Youth - Nova música ao vivo

Alguém conseguiu, num concerto dos veteranos de NY no Chile, apanhar esta performance da nova "Calming The Snake".

Não tem propriamente black metal, mas quando ouvimos Kim Gordon a cantar no meio do habitual inferno SYiano, o que importa? Vídeo em baixo:

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Televisão clonada




Este texto foi publicado no Público de hoje por Jorge Mourinha:

"...começa a ser incómodo ver que não há mais ninguém para apresentar concursos; ou é Gabriel ou é Malato, tal como só Sílvia Alberto ou Catarina Furtado apresentam os programas e galas de fim-de-semana. Isso cria uma confortável sensação de continuidade para o espectador, mas sugere também que, na realidade, os concursos são todos iguais e intermutáveis entre si - é a temida redução ao mínimo denominador comum..."

Claro que isto não é novidade. Mas está bem expressado, e é sempre pertinente.

Grizzly Bear "Veckatimest"



O terceiro álbum dos Grizzly Bear mantém algumas das características do projecto Department Of Eagles, em que Daniel Rossen participa, e cujo "In Ear Park" foi o meu álbum favorito de 2008. A característica mais marcante da música de Rossen é a criação de um universo que é demasiado hermético para ser pastoral, demasiado cristalino na voz para ser psicadélico, demasiado percussivo para ser folk, e demasiado impressionista para ser pop. A voz, melíflua e límpida, é geralmente acompanhada de uma guitarra acústica que é mais rítmica que melódica, e por sons de bateria mais martelados que propulsivos. Pode tornar-se um pouco repetitivo, e esse problema sente-se mais aqui que em "In Ear Park". Não deixa, ainda assim, de conter uma grande beleza, que explora sabiamente todos os recantos de espaços falsamente reduzidos.

Podem ouvir aqui "Cheerleader" do disco:

O memorial de quê?



Não conseguem ver? É aquela coisa disforme, cor de ferrugem que está ali presa no muro que dá para o rio. Algo que a Sra. Beep Beep disse parecer uma coisa que sobrou de umas obras.

Não olham logo para ela e associam-na a um evento específico da história portuguesa? Não me digam! Aquilo não diz logo "PONTE DAS BARCAS! PONTE DAS BARCAS!"?

Vou experimentar esta brincadeira. Ora...isto é em homenagem aos mortos do acidente de avião nos Açores há alguns anos:



E isto é em honra dos emigrantes que fugiram da guerra colonial:



Esta, por último, é em homenagem a quem recebe subsídios para gozar com a cara das pessoas: