Sim, este concerto é a não perder! Estes tipos têm uma colecção impressionante de canções pop-punk de efervescência irresistível, e só se fosse maluco é que não quereria lá estar!
"Know Your Enemy" serve de avanço a "21st Century Breakdown". Nota-se um som bastante mais enraízado no hardrock, sem com isso perder aquela frescura que parece embalada em vácuo, imune a contaminações. O vídeo pode ser visto em baixo:
Não há muitas - aliás, praticamente nenhumas - girls-bands que gostasse de ver por cá. As Girls Aloud são honrosa excepção. São-no porque os seus escritores de canções, o colectivo Xenomania, sabem que a pop deve ser mais do que o vaudeville brit-bimbas de umas Spice Girls, o r&b socialite de umas All Saints, ou até as baladas telenovelescas que contaminam o que poderia ser o bom repertório das Sugababes. Deve olhar para o futuro, imaginar um refrão não como O clímax, e sim um de muitos arrepios na espinha. Deve surpreender, encontrar novas soluções dentro do formato da celebração colectiva. É isso que tantos singles deste colectivo de cinco raparigas tem feito ao longo da sua carreira. Na impossibilidade de Portugal receber Sarah, Kimberley, Cheryl, Nadine e Nicola, aqui fica a interpretação de "Biology" em Manchester:
Venho aqui agradecer efusivamente aos participantes nas caixas de comentários da Blitz. Isto é que é uma lista! Qual James Brown? Qual Aretha Franklin? Qual Marvin Gaye? Matt Bellamy e Axl Rose é que é! Se estou surpreendido? Claro que não. E, valha a verdade, a lista desses leitores até tem muita coisa jeitosa. É apenas demasiado fechada no seu gueto.
Não sendo a primeira vez que falo aqui do projecto de Karin Dreijer Andersson, não é possível evitar uma menção ao seu álbum como um todo. Apetece usar o cliché, e falar de "Fever Ray" como o disco que coloca a synth-pop no meio dos fiordes, florestas e nevoeiros da Escandinávia natal de Karin. Não há aqui nada do que se vulgarmente se entende por melodias calorosas, ou refrões de estádio. "Fever Ray" é ferida que sangra lentamente, corpo preservado pela baixíssima temperatura, vozes que só podem existir, paradoxalmente, no vácuo. O caminho é lento, as palavras e os ruídos electrónicos fluem a um ritmo que poderia ser pachorrento, se não parecesse tão intenso. A ouvir de óculos escuros para evitar ofuscações.
Uma colaboração organizada pela editora Strut, entre o veterano pai do jazz etíope, e o colectivo britânico fã dos lados mais cósmicos e exóticos do jazz, e do ritmo único do funk. "Inspiration Information" é uma obra que se ouve com grande deleite, cujas propriedades são exactamente aquelas que põem um disco destes num patamar superior. Melodias que levam o jazz dos EUA até a África Oriental, com escala extra no Médio Oriente, acompanhadas por uma banda com as veias e artérias cheias de funk e soul até rebentar. A cada passo, descobre-se um novo ritmo que preenche todos os espaços de energia cinética, uma inspiradíssima tirada do vibrafone, piano ou clarinete do Mulatu Astatke, e a vontade de deixar que toda esta combinação nos provoque a vibração incontrolável que a música deste quilate merece. Um concerto cá era bem bonito!
Não é desta que os Depeche Mode poderão ser considerados uma banda sem nada para dizer. Nada de novo? Talvez. O som em "Sounds Of The Universe" é, mais do que inovador, depurado. Em vez da grandiosidade de discos como "Music For The Masses" ou "Songs Of Faith And Devotion" (os dois óptimos, atenção), aqui joga-se mais ao toca-e-foge, com finas agulhas electrónicas que têm algo de semelhante com aquilo que os Kraftwerk fizeram quando "rearranjaram" o seu catálogo para a digressão que passou pelo Coliseu de Lisboa. E à frente de tudo temos a voz, sempre excelente, e fornecedora de melodias certeiras, de Dave Gahan. Músicas inspiradas há bastantes, desde a primeira, e muito sensual, "In Chains", ou outras como "Hole To Feed", "Peace", "Corrupt", e o magnífico single "Wrong". Trata-se de um álbum bastante "noir" (diferente do "negro" da depressão estilosa), onde encontra pontos semelhantes a "Ultra", mas com mais delicadeza, que já se podia entrever em "Playing The Angel". Um pacote de onde se poderão tirar boas adições à setlist da nova digressão.
O Ípsilon, anteriores encarnações incluídas, tem sido companheiro da vida de melómano por muitos anos, e nele têm escrito algumas das pessoas que mais gosto de ler quando falam e pensam a música. Infelizmente, nos últimos tempos, a música parece andar a perder espaço no suplemento, com a excepção da clássica/erudita que hoje até tem a capa. Algo está diferente quando, numa edição, apenas dois artistas (B Fachada e Mísia) merecem menção. Não é possível que não haja mais nada a sair, e a merecer espaço e interesse, português ou estrangeiro. O que se passa para haver tal redução na oferta? Espero que seja uma coisa passageira, e que o Ípsilon volte a proporcionar a boa e variada leitura a que me habituou.
"II" pouco terá a ver com a ideia comum de "música de dança". E seja como for, isso é daqueles rótulos que hoje em dia significa tanto como "verdadeiro hip-hop", "música alternativa" ou "retorno de capital garantido". O que a dupla norueguesa fez aqui é uma colecção de músicas que progridem a passo lento, com melodias tiradas de pequenos, mas certeiros, golpes de sintetizador, baixo, guitarra ou batidas. Assim, mais do que falar em "cosmic disco", evoluímos para um ponto em que o progressivo-kraut-ambient de Tangerine Dream ou Manuel Gottsching sente uma necessidade de comunicar mais imediata, mas igualmente dotada de uma filigrana belíssima, que dá vontade de seguir em todos os pontos. Na falta de melhores conhecimentos desta área, talvez possa falar naquilo que poderia ter acontecido aos Air, caso "10000 Hz Legend" tivesse buscado outras, e melhores, inspirações para concretizar a sua ambição. Um disco onde se pressente o gosto pelo detalhe em cada passo, e pelo qual os melómanos devem agradecer.
Na Time Out de hoje, na antevisão ao Indie Lisboa, Rui Monteiro falava do filme acima num texto que continha a seguinte frase:
"Foi um tempo em que a vontade dos partidos e dos industriais e dos criminosos se confundiram numa misturada de interesses e ambições que fazem Berlusconi e Sócrates parecerem aprendizes..."
O colega João Miguel Tavares não lhe ensinou nada sobre a susceptibilidade do PM a estas coisas?
PS: Só para esclarecer, este post não contém nenhuma espécie de ataque ao Rui Monteiro, e pretende apenas brincar com a susceptibilidade do PM.
Já disse, e repeti, o quanto gosto de synth-pop. O que pensar, então, quando as grandes e ambiciosas melodias, e ambiente estou-fora-do-mundo-mas-olho-para-ele-de-cima das bandas históricas do género (mais algumas coisas novas) são substituídas pelo que vejo esta banda fazer?
É simples! O que penso é que o mundo ficaria um sítio bem melhor sem esta variação da habitual schmindiezice "As miúdas não gostam de nós, porque somos desajeitados, despenteados e nos vestimos mal como o caraças!", com vozes patetas, e sintetizadores para lá de roscof! A equação é básica! Isto com guitarras é irritante e reaccionário! Com sintetizadores também é!
Isto foi o catalisador deste post. Espero nunca ter que clickar no play:
Falo das Kelly Clarksons, Avril Lavignes, Paramores, Ashlee Simpsons, etc. Não falo disto por gostar ou não gostar das músicas (não gosto). Apenas porque isto me chamou a atenção. É um bocado como os anúncios de detergente em que os fabricantes aceitam sem pestanejar qualquer ideia de agências publicitárias que passe por "E se puséssemos uma comparação entre um Detergente Normal e o vosso, que mostrasse que o outro não tira as nódoas e o vosso tira?". Parece que a ideia para quase todos os vídeos desta gente tem apenas que seguir 3 regras:
1 - Cantora aparece em várias cenas com contexto de começo/fim/dúvidas sobre relações amorosas
2 - Cantora aparece agarrada ao microfone, fazendo movimentos e expressões exuberantes, tirados directamente da escola "Granda Maluca Do Roque"
3 - Restantes membros da banda - todos homens - olham para o chão enquanto sacam riffs punk-pop açucarados
Quem for ver a Katy Perry ao Campo Pequeno que me diga se foi diferente.
Seria engraçado se algum participante num debate televisivo levasse um dispositivo de reprodução de sons, e cada vez que um oponente dissesse algo mais controverso, era só activar o aparelhómetro, e ouvir-se-ia a voz imponente de Dave Gahan a gritar: "WRONG"!
Pelo menos era mais divertido do que a gritaria "Deixe-me agora falar! Na..deix...agorr..." habitual, não?
Esta versão de "Human Fly", dos Cramps, foi apresentada ao vivo no festival de Coachella na California. Uma apropriada homenagem a um dos melhores frontmen de sempre, por uma das melhores frontperson da actualidade: