segunda-feira, 4 de maio de 2009

Bill Callahan "Sometimes I Wish We Were An Eagle"



A carreira de Bill Callahan já vai com muitos anos e muitos discos (não me apetece ir contar quantos), como Smog ou com o seu nome de baptismo, e o certo é que a qualidade do material não só não baixa como até aumenta. "Sometimes I Wish We Were An Eagle" é prova de que, afinal, se podem fazer omeletes sem ovos. Callahan não tem uma voz minimamente "cantadora". Está, basicamente, a falar em tons serenos, levantando apenas um bocadinho o tom de cada vez. Só que, quando faz as ligeiras inflexões da melodia, acerta SEMPRE em cheio! Não se percebe como é que ele o faz, porque tudo parece ultra-simples. No caso deste disco, os belíssimos arranjos, espécie versão mais esparsa da soul/folk-orquestral cheia de classe de "Nixon" dos Lambchop, com guitarras, pianos, cordas e sopros a preencherem o espaço, aumentam ainda mais a qualidade daquilo que é mais um disco excelente para uma carreira onde eles parecem não acabar nunca. O próximo não deve demorar.

Infelizmente, não foi possível encontrar vídeos no YouTube.

"This Is England" de Shane Meadows



Anos 80, pequena cidade inglesa. Um rapaz de 12 anos, cujo pai faleceu e que pouco parece falar com a mãe, arranja brigas na escola devido a provocações. Conhece um grupo de skinheads (dos originais anti-racistas) que o aceitam e lhe dão nova auto-estima. Mas o regresso de um antigo membro do grupo após estadia na prisão, com ideologias de extrema-direita e apoio à National Front vêm mudar o cenário.

O filme de Shane Meadows é um excelente exemplo de como evitar caminhos e armadilhas óbvias, transformando o que poderia ser uma simples lamechice e "lição de vida" de bons contra maus, num óptimo trabalho sobre pertença, aceitação, amizade e escolhas. Nenhuma personagem consegue ser unidimensional, com elementos que se vão revelando durante o filme, e que mostram que algumas escolhas ideológicas duvidosas não são mais que essa mesma necessidade de pertença. Thomas Turgoose revela um grande talento no papel principal, e a banda-sonora contém grandes exemplos de bom ska, soul, reggae e pós-punk.

domingo, 3 de maio de 2009

Adrian Utley na Wire



A Invisible Jukebox, rubrica da Wire em que o entrevistado tece comentários sobre um conjunto de músicas "às cegas", teve, no mês de Abril, uma das melhores sessões que me consigo lembrar. O entrevistado, Adrian Utley dos Portishead, na sua conversa com David Stubbs, também ele um excelente crítico, mostra como a mudança que a sua banda operou em "Third" só é surpresa para quem está de fora, e como a vida dos Portishead vai muito mais além da "sofisticação" e "bom gosto" que alguns quiseram associar aos Portishead e ao "trip-hop". Algo que, aliás, resultou em várias atrocidades por esse mundo sonoro fora.

Na sessão de Utley, são ouvidos e elogiados Herbie Hancock, Claude Debussy, Patty Waters, Roy Budd, Terry Riley, A Tribe Called Quest, Rip Rig & Panic, White Noise, Big John Patton, Appleblim & Peverelist e Earth. Ou seja, temos jazz muito pouco canónico e mais experimental, minimalismo, "modern classical", hip-hop, pós-punk, pop electrónica experimental pioneira, dubstep, drone-metal e mais. Muitas coisas que não chegarão perto das restantes playlists de outros fãs de "Dummy". O que aponta para a possibilidade de mais coisas tão boas e surpreendentes como foi "Third". A minha ansiedade cresceu bastante depois de ler esta rubrica.

PS: A consideração de David Stubbs de que a fase "Daisy Age" do hip-hop foi a sua fase hippie, depois terminada com a fase "punk" (presumo que se refira ao g-funk/gangsta rap) é interessante. Se bem que "Midnight Marauders" dos A Tribe Called Quest até foi bem recebido, e os De La Soul também não andaram propriamente a fazer discos com o mesmo potencial comercial de "3 Ft High And Rising". Mas fica a pergunta interessante. Será que os que defendem afincadamente esta época como a última verdadeiramente boa do hip-hop têm perante este género uma atitude mais conservadora que perante outros?

(Não) Escolher livros



Passando pela Feira do Livro em Lisboa, apercebo-me que há 3 factores que me afastam imediatamente de qualquer livro que esteja em exposição, em feira, livraria, supermercado ou seja lá onde for:

1 - Livros sobre figuras da actualidade, que dão ares de terem sido alinhavados durante a semana passada, antes que passe o aipo. Tipo "Obama! O Homem-YouTube!"

2 - Livros que apostam nitidamente mais no título do que em qualquer possível conteúdo de interesse. Tipo "O Fim Do Petróleo" (este até existe e tudo).

3 - Livros que propoem revelar um qualquer segredo, ou face oculta de uma organização ou figura mais ou menos pública. Tipo "As Práticas da Religião Viking Seguidas Por Marcello Caetano".

E com isto, acho que está na altura de pegar nos livros que ainda não li em casa!

Os vampiros secantes



Este post vem na sequência da caixa escrita pelo Jorge Mourinha no último Ípsilon. Nela é mencionada a transformação da representação dos vampiros, de seres que personificam a luxúria e a devassidão, metamorfoseadas na sede de verdadeiro sangue e carne roubados às suas vítimas, em criaturas moles que, pronto, "só querem o direito à diferença". Algo que parece acontecer em filmes como "Twilight", que não vi nem irei ver. Recuso-me a ver filmes com vampiros castos e de boas intenções, que não fodem as namoradas porque gostam muito delas!

Quero apenas fazer uma pergunta: E se, quando o punk apareceu em Inglaterra, e os Sex Pistols foram entrevistados na BBC, em vez de ter chamado nomes ao apresentador Bill Grundy, os Sex Pistols tivessem dito "Nós só queremos que nos deixem ser diferentes. Há lugar para todos"?

MIDDLESBOROUGH 0 MANCHESTER UNITED 2

0-1 Giggs 24'

Link: Middlesbrough 0-1 Manchester Utd



0-2 Park 50'

Link: Middlesbrough 0-2 Manchester Utd



Exibição sólida e triunfo tranquilo colocam o United a 3 vitórias do tri.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

MANCHESTER UNITED 1 ARSENAL 0

1-0 0'Shea 17'

Link: Manchester Utd 1-0 Arsenal



Apesar de uma boa exibição, e várias oportunidades, o United parte para a 2ª mão com vantagem mínima.

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Neko Case "Middle Cyclone"



Escritora de canções repletas de alusões à natureza, à determinação de uma mulher de espírito inabalável, e à velha temática amorosa, Neko Case é também uma cantora formidável. Na sua voz, as canções revestem-se de uma couraça que embate nos tímpanos com a força de um bloco de cimento. Algo que, como todos saberão, é importantíssimo quando se joga neste terreno de herdeiras da folk, country e americana. "Middle Cyclone" sucede aos excelentes "Blacklisted" e "Fox Confessor Brings The Flood", causando mais um dilema em quem quiser pensar sobre qual deles o melhor. A verdade é que não há muitas cantoras como Neko Case, algo que a dinamite musical de "This Tornado Loves You", "People Got A Lot Of Nerve", "Magpie In The Morning", "Vengeance Is Sleeping" ou "Prison Girls" anuncia de viva voz. O ceptro está bem entregue nestas mãos.

Aqui podem ver uma versão ao vivo de "Vengeance Is Sleeping":

Royksopp "Junior"



Não era dos regressos à boa forma mais esperados de 2009, mas, como é hábito nestas coisas da música, só um tolo é que se queixa das surpresas agradáveis. O duo norueguês, ajudado por um conjunto de vocalistas que incluem Robyn, Anneli Drecker, ou Karin Dreijer-Andersson (The Knife, Fever Ray), retirou boa parte dos resquícios do malfadado "downtempo" do seu som, transformando-o em techno-pop garrido e sexy, de olhar parado e fatal, ao bom jeito escandinavo. Mais um exemplo, como quem lê este blog já terá provavelmente reparado, de como a pop electrónica em geral, e a Escandinávia em particular, têm tido um ano em grande. Aliás, em breve discorrerei aqui sobre o novo e excelente disco dos Pet Shop Boys. Quanto a "Junior", é sem dúvida o melhor disco da carreira dos Royksopp, e promete trazer romantismo e arrebatamento futurista a todos que sigam o seu chamado.

Em baixo podem ouvir "The Girl And The Robot" com a participação de Robyn:

Vuk - não cevic



Artista que, a julgar pela informação contida no seu MySpace, divide o seu tempo entre Helsinquia e Nova Iorque, Vuk transporta consigo o peso de muitos "antepassados" escandinavos, nesta zona de pop gelada e excêntrica. Aqui estão a folk arrevezada de Lau Nau ou Islaja, o baile de marionetas de Anja Garbarek, ou mesmo a ternura de uma Stina Nordenstam ou Emilliana Torrini. Tudo isto, claro, regado com instintos psicotrópicos, instrumentação que recorda o arcaísmo dos Pram, e uma voz brincalhona e evocativa. Uma óptima surpresa, cujo "The Plains" saiu a 22.04.2009.

Músicas para ouvir aqui.

Annie e o romance de Verão

A diva pop norueguesa tão adorada pelos bloggers deste mundo (merecia muito mais, mas é a vida) ainda não tem uma data certa para o lançamento do segundo álbum "Don't Stop", mas tem, em "Anthonio", um fantástico avanço para o mesmo. A história de um engate no Rio de Janeiro, baseado na velha história do "Não, eu gosto mesmo de ti! Isto é para durar! A sério!", cantado por Annie com um misto de saudade, melancolia e sarcasmo, muito para lá da merda para comédias românticas das Avrils, Pinks, Hillarys e tais. Com a ajuda de sintetizadores em perfeito modo Space Shuttle-a-rodopiar-à-volta-da-cabeça-e-a-deixar-nos-tontos, "Anthonio" é um dos grandes singles de 2009!

Podem ver o vídeo em baixo:

Nova música de Dinosaur Jr



J.Mascis, Lou Barlow e Murph apresentam a primeira música extraída de "Farm", disco com lançamento marcado para 22.06.2009. "I Want You To Know" não se desvia do som clássico dos Dinosaur Jr, o que são boas notícias, pois mais ninguém faz este rock que transformou a herança hardcore, Sonic Youth e indie em algo arrastado, distorcido, sonolento e repleto de feedback assim tão eficazmente. Este é outro caso em que um concerto em sala própria e longe de festivais se justificava, se o cachet o permitir:

Podem ouvir "I Want You To Know" aqui.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Bat For Lashes "Two Suns"



Pormenor importante: Este é, até ao dia 30 de Abril de 2009, o melhor disco que este ano deu a conhecer. Natasha Khan fez uma autêntica obra-prima do seu segundo disco. Com antepassados em todas as cantoras que trouxeram transcendência, realidade aumentada, expressividade à pop, como Kate Bush, Liz Fraser (Cocteau Twins) ou Mimi Goese (Hugo Largo), Natasha dá um passo adicional, e coloca-as em órbita de Saturno, numa redoma de vidro que absorve a poeira cósmica, transformando-a em sons sintéticos carregados de romantismo, sensualidade e mistério. "Glass", "Moon And Moon", "Daniel", "Pearl's Dream", "Travelling Woman", ou o dueto com Scott Walker que encerra o disco, "The Big Sleep", constituem um desafio que será muito difícil de suplantar nos meses que restam de 2009!

Em baixo podem ouvir "Glass", faixa de abertura do disco:

Green Day - novo single

Sim, este concerto é a não perder! Estes tipos têm uma colecção impressionante de canções pop-punk de efervescência irresistível, e só se fosse maluco é que não quereria lá estar!

"Know Your Enemy" serve de avanço a "21st Century Breakdown". Nota-se um som bastante mais enraízado no hardrock, sem com isso perder aquela frescura que parece embalada em vácuo, imune a contaminações. O vídeo pode ser visto em baixo:

Girls Aloud ao vivo

Não há muitas - aliás, praticamente nenhumas - girls-bands que gostasse de ver por cá. As Girls Aloud são honrosa excepção. São-no porque os seus escritores de canções, o colectivo Xenomania, sabem que a pop deve ser mais do que o vaudeville brit-bimbas de umas Spice Girls, o r&b socialite de umas All Saints, ou até as baladas telenovelescas que contaminam o que poderia ser o bom repertório das Sugababes. Deve olhar para o futuro, imaginar um refrão não como O clímax, e sim um de muitos arrepios na espinha. Deve surpreender, encontrar novas soluções dentro do formato da celebração colectiva. É isso que tantos singles deste colectivo de cinco raparigas tem feito ao longo da sua carreira. Na impossibilidade de Portugal receber Sarah, Kimberley, Cheryl, Nadine e Nicola, aqui fica a interpretação de "Biology" em Manchester: