quinta-feira, 7 de maio de 2009

...And You Will Know Us By The Trail Of Dead "A Century Of Self"



Esta foi, por alguns anos, A banda de rock por estas redondezas! Qualquer um dos 3 primeiros discos é uma obra-prima, nas quais a aventura de riffs distorcidos e sons desmembrados dos Sonic Youth adquiria contornos épicos semelhantes a um estouro de elefantes. "Source Tags And Codes", de 2002, estará no top 10 de discos rock desta década, e foi com muita pena minha que a banda não tocou cá nessa altura.

Desde então, houve "World's Apart" e "So Divided", e os Trail Of Dead começaram a aproximar-se perigosamente do punk-pop, e do "alternativo" como entendido por rádios conservadoras e limitadas. Tanto assim foi que, quando vieram ao Sudoeste, nem pensei em ir vê-los, o que poucos anos atrás seria impensável.

"A Century Of Self" trás melhorias, mas ainda não suficientes para alcançar o nível dos primeiros anos. O começo, com "The Giants Causeway" é muito bom, com tom prog e bombástico, a deixar antever coisas boas. E de facto os Trail Of Dead têm muito de grandioso e tresloucado no que toca a guitarras e bateria. Acontece que as melodias vocais andam demasiado perto desse "alternativo" indistinto em numerosas ocasiões, impedindo que o quadro assuma contornos explosivos no seu todo, apesar de surpresas como o piano Van Der Graaf Generator em "Insatiable (One)". Apesar de tudo, é um passo na direcção certa, caso queiram, e saibam, extraír as partes infectadas.

Podem ver aqui uma interpretação ao vivo de "Far Off Pavillions":

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Quem é Julian Plenti?



Nada mais que Paul Banks, vocalista dos Interpol, num projecto a solo. Para já, apenas se pode ouvir um pequeno excerto, cuja descrição não estará muito longe do "Interpol + Beirut" adiantado pela Pitchfork.

Podem ouvir, e concordar ou discordar, aqui.

Um mestre ao vivo

Com agradecimentos ao Amigo Pedro Sousa, que colocou este vídeo no Facebook e me inspirou a colocá-lo aqui. Em 1980, Stevie Wonder lançou esta música onde a sua inovação soul, feita de um pioneirismo em termos de texturas e instrumentação, se cruza com toques das músicas jamaicanas, nomeadamente o reggae e dub. Aqui fica uma performance de "Master Blaster" ao vivo, no início de uma década que, infelizmente, não veio a manter este nível de qualidade na obra de Stevie:

Falso alarme Missy

Foi chato apanhar um vídeo a meio, onde a Grandiosa Missy Elliott debitava umas rimas sobre uma batida esquelético-percussiva que fazia adivinhar um óptimo regresso, e um avanço promissor para o próximo "Block Party". Só que a ilusão durou pouco. Tratava-se apenas do novo single das Pussycat Dolls, "Whatcha Think About That". Na verdade, nem é um mau single pop, muito ajudando a já mencionada produção, cortesia do conhecido Polow Da Don. Para não perder a viagem, aqui fica o dito single:

ARSENAL 1 MANCHESTER UNITED 3

0-1 Park 7'

Link: Arsenal 0-1 Manchester Utd



0-2 Ronaldo 10'

Link: Arsenal 0-2 Manchester Utd



0-3 Ronaldo 60'

Link: Arsenal 0-3 Manchester Utd




1-3 Van Persie 75' (pen)

Link: Arsenal 1-3 Manchester Utd



Uma exibição de luxo do United garante o lugar na final da Champions. O Barcelona será o adversário em Roma.

terça-feira, 5 de maio de 2009

Elvis Perkins "Elvis Perkins In Dearland"



Em primeiro lugar, quero dizer que não fui particularmente com a cara de "Ash Wednesday", primeiro álbum de Elvis Perkins. Pareceu-me um disco de singer-songwriter despojado bastante banal, sem um toque que o distinguisse da maralha. Isso não acontece, todavia, com este "Dearland", onde Perkins demonstra uma ambição muito para lá da simples tocar-umas-canções-com-a-minha-guitarrinha. Aqui sente-se não só o toque de trovadores do século XXI, como a catarse de Conor "Bright Eyes" Oberst, mas também o pioneirismo da conversão das músicas de raíz profundamente americana em pop contemporânea que Bob Dylan usou ao longo da sua ilustre carreira. Os sopros, violinos e tambores fortes marcam presença ao longo do disco, dando a canções como "I Heard Your Voice In Dresden" uma forte capacidade de impacto e vontade de erguer os braços no ar ao som dos elevares de voz de Elvis Perkins. Talvez a melhor e mais inesperada evolução de carreira de 2009 até agora.

Em baixo podem ouvir uma versão de "Shampoo":

Flaming Lips Vs Arcade Fire - O Fim



Foi engraçado enquanto durou, mas agora Wayne Coyne dos Flaming Lips veio a público dizer o seguinte:

"I didn't necessarily mean it about the people in the Arcade Fire. I meant it about the guys that were running their stages at a couple of festivals. I wish whatever had been said wouldn't have been taken as such a defiant statement from the Flaming Lips, because it wasn't...I really feel bad about it. I like enough of their music. The idea that I'm somehow against them...I'm not!"

A Pitchfork lembra, e bem, que na declaração que iniciou a polémica, Coyne disse:

"Whenever I've been around them, I've found that they not only treated their crew like shit, they treated the audience like shit."

Mas já que parece que querem fechar isto, talvez devamos olhar para o outro lado.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Patrick Watson "Wooden Arms"



O canadiano nascido nos EUA Patrick Watson impressionou com a pop...impressionista/amniótica do seu primeiro disco "Close To Paradise". O sucessor "Wooden Arms" aprofunda os sinais presentes no disco anterior, dotando as músicas calmas de um ritmo cardíaco ainda mais reduzido, e trazendo novos elementos folk-rock a outras, com a guitarra eléctrica a tornar-se mais proeminente. Se houvesse um disco que procurasse estabelecer pontos de contacto entre "Pyramid Song" dos Radiohead, e as faixas menos mariachi dos Calexico, "Wooden Arms" teria uma boa hipótese de ser uma aproximação viável. É certo que este disco, pelas razões já apontadas, não tem o mesmo encanto de "Close To Paradise". Às vezes deseja-se que Watson mude um bocado o tom, e o ritmo quebra a partir da 6ª música. Ainda assim, continuamos a estar na presença de um cantor de talento, com a capacidade de dar à música um tom aquático e de câmara lenta que enfeitiça.

Bill Callahan "Sometimes I Wish We Were An Eagle"



A carreira de Bill Callahan já vai com muitos anos e muitos discos (não me apetece ir contar quantos), como Smog ou com o seu nome de baptismo, e o certo é que a qualidade do material não só não baixa como até aumenta. "Sometimes I Wish We Were An Eagle" é prova de que, afinal, se podem fazer omeletes sem ovos. Callahan não tem uma voz minimamente "cantadora". Está, basicamente, a falar em tons serenos, levantando apenas um bocadinho o tom de cada vez. Só que, quando faz as ligeiras inflexões da melodia, acerta SEMPRE em cheio! Não se percebe como é que ele o faz, porque tudo parece ultra-simples. No caso deste disco, os belíssimos arranjos, espécie versão mais esparsa da soul/folk-orquestral cheia de classe de "Nixon" dos Lambchop, com guitarras, pianos, cordas e sopros a preencherem o espaço, aumentam ainda mais a qualidade daquilo que é mais um disco excelente para uma carreira onde eles parecem não acabar nunca. O próximo não deve demorar.

Infelizmente, não foi possível encontrar vídeos no YouTube.

"This Is England" de Shane Meadows



Anos 80, pequena cidade inglesa. Um rapaz de 12 anos, cujo pai faleceu e que pouco parece falar com a mãe, arranja brigas na escola devido a provocações. Conhece um grupo de skinheads (dos originais anti-racistas) que o aceitam e lhe dão nova auto-estima. Mas o regresso de um antigo membro do grupo após estadia na prisão, com ideologias de extrema-direita e apoio à National Front vêm mudar o cenário.

O filme de Shane Meadows é um excelente exemplo de como evitar caminhos e armadilhas óbvias, transformando o que poderia ser uma simples lamechice e "lição de vida" de bons contra maus, num óptimo trabalho sobre pertença, aceitação, amizade e escolhas. Nenhuma personagem consegue ser unidimensional, com elementos que se vão revelando durante o filme, e que mostram que algumas escolhas ideológicas duvidosas não são mais que essa mesma necessidade de pertença. Thomas Turgoose revela um grande talento no papel principal, e a banda-sonora contém grandes exemplos de bom ska, soul, reggae e pós-punk.

domingo, 3 de maio de 2009

Adrian Utley na Wire



A Invisible Jukebox, rubrica da Wire em que o entrevistado tece comentários sobre um conjunto de músicas "às cegas", teve, no mês de Abril, uma das melhores sessões que me consigo lembrar. O entrevistado, Adrian Utley dos Portishead, na sua conversa com David Stubbs, também ele um excelente crítico, mostra como a mudança que a sua banda operou em "Third" só é surpresa para quem está de fora, e como a vida dos Portishead vai muito mais além da "sofisticação" e "bom gosto" que alguns quiseram associar aos Portishead e ao "trip-hop". Algo que, aliás, resultou em várias atrocidades por esse mundo sonoro fora.

Na sessão de Utley, são ouvidos e elogiados Herbie Hancock, Claude Debussy, Patty Waters, Roy Budd, Terry Riley, A Tribe Called Quest, Rip Rig & Panic, White Noise, Big John Patton, Appleblim & Peverelist e Earth. Ou seja, temos jazz muito pouco canónico e mais experimental, minimalismo, "modern classical", hip-hop, pós-punk, pop electrónica experimental pioneira, dubstep, drone-metal e mais. Muitas coisas que não chegarão perto das restantes playlists de outros fãs de "Dummy". O que aponta para a possibilidade de mais coisas tão boas e surpreendentes como foi "Third". A minha ansiedade cresceu bastante depois de ler esta rubrica.

PS: A consideração de David Stubbs de que a fase "Daisy Age" do hip-hop foi a sua fase hippie, depois terminada com a fase "punk" (presumo que se refira ao g-funk/gangsta rap) é interessante. Se bem que "Midnight Marauders" dos A Tribe Called Quest até foi bem recebido, e os De La Soul também não andaram propriamente a fazer discos com o mesmo potencial comercial de "3 Ft High And Rising". Mas fica a pergunta interessante. Será que os que defendem afincadamente esta época como a última verdadeiramente boa do hip-hop têm perante este género uma atitude mais conservadora que perante outros?

(Não) Escolher livros



Passando pela Feira do Livro em Lisboa, apercebo-me que há 3 factores que me afastam imediatamente de qualquer livro que esteja em exposição, em feira, livraria, supermercado ou seja lá onde for:

1 - Livros sobre figuras da actualidade, que dão ares de terem sido alinhavados durante a semana passada, antes que passe o aipo. Tipo "Obama! O Homem-YouTube!"

2 - Livros que apostam nitidamente mais no título do que em qualquer possível conteúdo de interesse. Tipo "O Fim Do Petróleo" (este até existe e tudo).

3 - Livros que propoem revelar um qualquer segredo, ou face oculta de uma organização ou figura mais ou menos pública. Tipo "As Práticas da Religião Viking Seguidas Por Marcello Caetano".

E com isto, acho que está na altura de pegar nos livros que ainda não li em casa!

Os vampiros secantes



Este post vem na sequência da caixa escrita pelo Jorge Mourinha no último Ípsilon. Nela é mencionada a transformação da representação dos vampiros, de seres que personificam a luxúria e a devassidão, metamorfoseadas na sede de verdadeiro sangue e carne roubados às suas vítimas, em criaturas moles que, pronto, "só querem o direito à diferença". Algo que parece acontecer em filmes como "Twilight", que não vi nem irei ver. Recuso-me a ver filmes com vampiros castos e de boas intenções, que não fodem as namoradas porque gostam muito delas!

Quero apenas fazer uma pergunta: E se, quando o punk apareceu em Inglaterra, e os Sex Pistols foram entrevistados na BBC, em vez de ter chamado nomes ao apresentador Bill Grundy, os Sex Pistols tivessem dito "Nós só queremos que nos deixem ser diferentes. Há lugar para todos"?

MIDDLESBOROUGH 0 MANCHESTER UNITED 2

0-1 Giggs 24'

Link: Middlesbrough 0-1 Manchester Utd



0-2 Park 50'

Link: Middlesbrough 0-2 Manchester Utd



Exibição sólida e triunfo tranquilo colocam o United a 3 vitórias do tri.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

MANCHESTER UNITED 1 ARSENAL 0

1-0 0'Shea 17'

Link: Manchester Utd 1-0 Arsenal



Apesar de uma boa exibição, e várias oportunidades, o United parte para a 2ª mão com vantagem mínima.