O problema deste segundo disco dos Wooden Shjips (o primeiro era colecção de singles) não é estar mal feito. Até está muito bem feito. O problema é mesmo estar bem feito demais. Passo a explicar, isto trata-se de rock drónicodélico como mandam as regras. As guitarras tremem, expandem-se, enrolam-se e amarfanham-se. Os teclados fazem as notas correr à volta do resto durante algum tempo. A secção rítmica mantém-se fiel ao ritmo inicial. A voz evoca Morrison e os irmãos Reid. Pois, tudo certo. E ficamos a desejar o assalto sónico de uns Comets On Fire. Porque afinal o psicadelismo/dronismo não foi criado para ser canónico, e sim para desafiar expectativas. Assim, é apenas mais um género para ser copiado por dezenas de bandas chatas. O que acontece com o "indie", se bem notaram.
Foi graças a esta compilação da Soul Jazz que conheci esta dupla inglesa do início dos anos 90, composta por Deman Rocker e Flinty Badman, com produção dos Shut Up And Dance. O que aqui temos é um condensado de diversos tipos de músicas dançáveis que proliferavam por Inglaterra na época. Temos hip-hop, ragga (claro!), ritmos que remetem para Madchester, dancehall, techno, reggae, e alguma da pré-história do drum and bass, só para citar alguns exemplos. Sem que seja possível evitar mencionar alguma verdura no trabalho dos Ragga Twins, sendo óbvio que ainda havia por onde crescer, a verdade é que deixaram uma obra bastante energética e vigorosa, na qual emerge o talento brit de importar as músicas de outras partes e devolvê-las com rótulo 100% caseiro, sem perder a eficácia.
Em nome de São Otis, deve haver alguma maneira de impedir o Paulo Gonzo de gravar, ou pelo menos de editar, o que se anuncia como um disco de covers soul, r&b e pop. Não consigo sequer começar a imaginar o que um dos expoente da pop sopeira/beta/TVI portuguesa pode fazer com tantas e tantas músicas. Isto não é um trabalho de covers que procuram dar uma visão pessoal das músicas, por mais que me tentem convencer do contrário. Isto é um Michael Bolton à portuguesa que tem tanta "soul" na voz como eu tenho o talento do Dexter Morgan para desmembrar criminosos. Se isto aparece, vai ser difícil que alguma não venha parar ao éter das inescapáveis. Há que detê-lo!
Para além do sucessor de "At War With The Mystics" vir a ser, ao que se diz, um disco duplo, veja-se algumas das declarações de Wayne Coyne e respectivo entrevistador:
"And some of my favorite records – thinking Beatles 'White Album,' Zeppelin's 'Physical Graffiti' and even some of the longer things that the Clash have done – part of the reason I like them is that they're not focused. They're kind of like a free-for-all and go everywhere."
"Among the new songs currently in the mix are the Joy Division-meets-Miles Davis Group (John McLaughlin era)-sounding "Convinced of the Hex" and the John Lennon-inspired "I Don't Understand Karma," which Coyne describes as his response to "Instant Karma.""
"We were sitting at (drummer) Steven's house and we just started out having these freak-out jam sessions where he'd play drums and I'd play bass and we just would sort of do freaky stuff."
Sabe-se do que são capazes estes tipos, por isso a expectativa cresce! Podem ler o artigo na totalidade aqui.
Não irei falar muito sobre este disco. Apenas recomendá-lo para todos aqueles que gostam dos efeitos corrosivos que as influências e ritmos e formas africanas de tocar guitarra têm sobre o funk, a soul, o rock e o psicadelismo ocidental, e ainda mais quando a elas se junta uma bateria tipo polvo epiléptico. Há muitas edições por aí, calhou-me comprar esta. Foi uma boa escolha.
2 - Minor Threat "Complete Discography" 3 - Bad Brains "Black Dots" 4 - Dead Kennedys "In God We Trust, Inc" 5 - Husker Du "Land Speed Record" 6 - Minutemen "The Punch Line" 7 - Bad Religion "How Could Hell Be Any Worse?" 8 - Big Boys "Wreck Collection" 9 - MDC "Millions Of Dead Cops"/"More Dead Cops" 10 - VA "Flex Your Head" (Dischord)
A evitar: - Primeiras gravações de Beastie Boys - Primeiro disco de Meat Puppets - Álbuns metaleiros de SSD, TSOL e DRI - "Into The Unknown" dos Bad Religion
Foi no programa de David Letterman, nos EUA. Panda Bear, Avey Tare e Geologist apresentaram "Summertime Clothes". A julgar pelo cenário, os Animal Collective estão cada vez mais próximo de uns Daft Punk ou Orbital. E, valha a verdade, juntar a pop psicadélica americana ao imaginário visual e sonoro da música de dança de estádio é uma excelente ideia:
Esta foi, por alguns anos, A banda de rock por estas redondezas! Qualquer um dos 3 primeiros discos é uma obra-prima, nas quais a aventura de riffs distorcidos e sons desmembrados dos Sonic Youth adquiria contornos épicos semelhantes a um estouro de elefantes. "Source Tags And Codes", de 2002, estará no top 10 de discos rock desta década, e foi com muita pena minha que a banda não tocou cá nessa altura.
Desde então, houve "World's Apart" e "So Divided", e os Trail Of Dead começaram a aproximar-se perigosamente do punk-pop, e do "alternativo" como entendido por rádios conservadoras e limitadas. Tanto assim foi que, quando vieram ao Sudoeste, nem pensei em ir vê-los, o que poucos anos atrás seria impensável.
"A Century Of Self" trás melhorias, mas ainda não suficientes para alcançar o nível dos primeiros anos. O começo, com "The Giants Causeway" é muito bom, com tom prog e bombástico, a deixar antever coisas boas. E de facto os Trail Of Dead têm muito de grandioso e tresloucado no que toca a guitarras e bateria. Acontece que as melodias vocais andam demasiado perto desse "alternativo" indistinto em numerosas ocasiões, impedindo que o quadro assuma contornos explosivos no seu todo, apesar de surpresas como o piano Van Der Graaf Generator em "Insatiable (One)". Apesar de tudo, é um passo na direcção certa, caso queiram, e saibam, extraír as partes infectadas.
Podem ver aqui uma interpretação ao vivo de "Far Off Pavillions":
Nada mais que Paul Banks, vocalista dos Interpol, num projecto a solo. Para já, apenas se pode ouvir um pequeno excerto, cuja descrição não estará muito longe do "Interpol + Beirut" adiantado pela Pitchfork.