quarta-feira, 20 de maio de 2009

Primer do Roland TB-303 na Wire

Estas são as músicas que utilizam o célebre sintetizador que Peter Shapiro escolheu como mais demonstrativas das suas facetas:

- Heaven 17 "Let Me Go"
- Shannon "Let The Music Play"
- Alexander Robotnick "Problemes D'Amour"
- Mantronix "Bassline"
- Ice-T "Squeeze The Trigger"
- Sleezy D "I've Lost Control"
- Phuture "Acid Tracks"
- Armando "Land Of Confusion"
- Joe Smooth "Reign"
- Kevin Saunderson "The Groove That Won't Stop"
- K-Alexi Shelby "Vertigo"
- Baby Ford "Oochy Koochy (FU Baby Yeh Yeh)"
- 808 State "Let Yourself Go" (303 Mix)
- Humanoid "Stakker Humanoid"
- Fuse "FU"
- Plastikman "Sheet One" (LP)
- Hardfloor "Acperience 1"
- Hardfloor "TB Resuscitation" (LP)
- Dust Brothers "Chemical Beats"
- Model 500 "The Flow (Jedi Knights Remix)"
- Fatboy Slim "Everybody Needs a 303"
- Tim Taylor & Dan Zamani "Planet Of Drums"
- Damon Wild & Tim Taylor "Bang The Acid"
- Woody McBride "Basketball Heroes"
- Aux 88 "The Countdown"
- AFX "Analord EPs"

Como é óbvio conheço muito poucas destas músicas. Mas quem sabe estejam no YouTube ou locais semelhantes. Fiquem com "Acid Tracks" para ilustrar:

Macacos do Chinês "Ruídos Reais"



A melhor maneira de descrever "Ruídos Reais" é usar o termo "oportunidade perdida". Isto porque o EP "Plutão", como já disse neste blog, prometia uma banda livre dos clichês serôdios do hip-hop português, e capaz de incorporar as influências grime, UK garage e dubstep em elementos de músicas mais tradicionalmente portuguesa, ou afro-PALOP. O disco contem 4 canções muito boas - "Plutão", "Pessoa", "Fala Bem" (com Buraka Som Sistema) e "Ruídos Reais". E 4 muito más - "Rolling na Reboleira", "Saudade", "Machadinha" e "Pombos Gordos". As 4 primeiras são boas por terem os zumbidos e requebros electrónicos, e as rimas de cadência irregular mas cativante. As outras são más porque são previsíveis e estereotipadas até mais não. De que vale um grupo gabar-se de não fazer as coisas "previsíveis" da MTV, se depois faz algo 10 vezes pior? Alguém que, de uma vez por todas, liberte o hip-hop de Portugal deste proselitismo cansativo. Os MDC e seus ouvintes terão muito, mesmo muito a ganhar se o conseguirem!

Como bom exemplo, aqui fica "Plutão":

Sonic Youth - Argumentos contra


Quem gosta de ler sobre música gosta de textos bem escritos, quer concordem ou não com os mesmos. Mark Fisher escreveu uma série de textos contradizendo a reverência com que os Sonic Youth são encarados actualmente, e até no passado. Só li o último, mas achei que merecia mencioná-lo. Podem lê-lo aqui.

Burial à beira de um grande erro?



Num artigo de capa da Wire de Maio, Steve "Kode9" Goodman apresentou a Derek Walmsley algumas faixas daquilo que será o terceiro álbum de William "Burial" Bevan. O alarme surge quando se lê que existem nestas elementos de "Euro Rave". No caso, elementos com semelhanças com "Don't You Want Me" de Felix.

Burial já lançou dois excelentes álbuns, com nítida progressão entre um e outro, sem com isso perder a sua identidade musical, feita de tons desolados, graves e misteriosos. O "Euro Rave" foi uma mancha horrível na história da música, cheia de sintetizadores balofos, letras imbecis e vozes insuportáveis. Estas duas coisas não são conciliáveis. Espero sinceramente que Burial tenha a ideia de como ultrapassar este problema!

Entretanto, aqui fica "Archangel":

terça-feira, 19 de maio de 2009

Andrew Bird "Noble Beast"


A passo firme, Andrew Bird tem-se destacado como um excelente e imaginativo escritor de canções. Apesar de só conhecer os dois discos anteriores a este, "Noble Beast" exibe um Bird mais clássico, mais dedicado às canções escorreitas e cuidadosamente buriladas, sem que, contudo, tal se traduza numa diminuição do seu fascínio. Andrew Bird tem, em muito de "Noble Beast", uma enunciação das palavras que facilmente lembra a de Thom Yorke. Mas, ao contrário do vocalista dos Radiohead, a música assume formas mais reconhecíveis, inscrevendo-se na formatura da americana, quer seja pelas aproximações à country ou a folk, ou mesmo ao periodo pré-rock, ou ao tex-mex. Claro que os assobios e violinos de Bird não faltam, e todas as canções são ourivesaria de alto gabarito. Transformar o que podia ser complicado e inacessível (veja-se as letras e os títulos das canções) em algo possuidor de simples e reluzente beleza é algo que só muito talento pode conseguir.

Em baixo uma versão ao vivo de "Souverian":

segunda-feira, 18 de maio de 2009

The Pains Of Being Pure At Heart "The Pains Of Being Pure At Heart"


O primeiro ponto é aquele que todos devem fazer: A música é melhor que o nome da banda. E convenhamos, a não ser que se tratasse de um desastre de proporções 30 Seconds To Mars-ianas, tal não seria difícil. Só que esse pormenor não chega para que a estreia destes norte-americanos seja memorável pelas boas razões. Lá memorável no sentido em que todas estas canções, transplantadas do Reino Unido em 1986-91 para aqui, são facilmente apreendíveis e cantaroladas, isso é. Faltar-lhe-à, portanto, ter algo que o faça passar de pastilha elástica do C86/twee/shoegaze-pop para o campo das bandas cujas memórias perduram, e que ainda hoje são descobertas por novos fãs. Para já, os TPOBPAH ganham, apenas, o rótulo tão amigável quanto traiçoeiro de “simpáticos”.

"Tenure Itch" é a melhor canção do disco. Ouçam-na em baixo:

Sonic Youth "The Eternal"


Sonic Youth. Este é um disco dos Sonic Youth. Se não sabem ao que soam as vozes de Thurston Moore e Kim Gordon, as guitarras de Moore e Lee Ranaldo, o baixo de Gordon, e a bateria de Steve Shelley, então estamos mal. Moore e Gordon cantam num tom falsamente desapaixonado, que se torna muitíssimo evocativo, e até sensual. Moore e Ranaldo jogam uma corrida de obstáculos, permanentemente à procura da distorção espinhosa que nem os próprios Sonic Youth se tenham lembrado até hoje. Shelley serve de âncora, com ritmos que têm muito de marcial, mas que se tornam sinistros quando conjugados com os riffs e solos. E agora o que é que "The Eternal" tráz? Nada de particularmente novo, mantendo os SY no caminho traçado desde "Murray Street", com a escrita de canções concisas, melódicas e sui generis que só eles sabem fazer, descendentes de "Kool Thing" e "Goo", embora "Disconnection Notice" de "Murray Street" sirva como melhor exemplo. Podia pensar-se em estagnação, mas seria um grave erro. Como se pôde ler sobre "In Rainbows" dos Radiohead, "The Eternal" são os Sonic Youth a divertirem-se como grupo, e poucas coisas melhores existem na música.

Aqui podem ouvir um medley do disco:

Bon Iver "Blood Bank"



"For Emma, Forever Ago" era um álbum de curta duração, por isso não escandalizaria se "Blood Bank" fosse apenso ao mesmo. A solução será ouvir um logo a seguir ao outro. Justin Vernon mantém a sua voz de romântico solitário, e capaz de grandes quantidades de intimismo. É verdade que este EP podia passar bem sem o auto-tune da última "Woods" (nada contra o auto-tune, é que a música é só repetir uma estrofe acapella), mas as restantes três são óptimos exemplos do método Bon Iver. Esperemos pelo próximo capítulo, agora longe da neve que inspirou o excelente "For Emma..."

Em baixo uma versão ao vivo de "Babys":

Woven Hand@Teatro Miguel Franco (Leiria)

É impossível evitar o cliché da intensidade quando falo de David Eugene Edwards. Tente por onde tentar, não dá. Edwards apresenta uma candidatura convincente a ser o Ian Curtis do século XXI pela forma como tremelica e se entrega em palco, apesar de não se levantar do banco durante a maior parte do espectáculo. Outra hipótese é referi-lo como uma mistura de Axl Rose possuído pelo "black oil" dos "X-Files". E Edwards toca e canta MUITO alto, o que faz com que os 80 minutos de música apresentados perante a assistência que encheu o teatro em Leiria sejam recebidos como uma perseguição de serial-killer. Se os Violent Femmes tivessem gravado "Hallowed Ground" no Egipto assolado pelas pragas bíblicas, o mais provável seria terem este som de americana amplificada, corrosiva e infernal. Só foi pena a relativamente curta duração. Um concerto que ninguém que lá esteve deverá esquecer!

Um vídeo de "Beautiful Axe" feito ontem:



Na primeira parte, o português Nuno Rancho apresentou-se munido de voz, guitarra eléctrica e loops, e canções com Eddie Vedder na voz, e algo de "Sketches..." de Jeff Buckley na guitarra. O facto de estar mais perto do intimismo de "Yield" ajudou-o a mostrar maior promessa que os imitadores de Pearl Jam circa 1994. Vejamos como evolui.

domingo, 17 de maio de 2009

Kasabian Vs Happy Mondays

Desafio quem vir este vídeo da interpretação do novo single "Vlad The Impaler", ao vivo no festival Camden Crawl, a não vislumbrar o estilo voz/esgar de Shaun Ryder na maneira de cantar de Tom Meighan.

Diga-se de passagem que a música tem um riff e um refrão jeitosos:

MANCHESTER UNITED 0 ARSENAL 0

Com este resultado o Manchester United é o tricampeão da Premier League!

Em baixo as imagens da festa:

Link: Man Utd - Premier League Champions 2009

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Mi Ami "Watersports"



Vindo, basicamente, do nada, "Watersports" é outro potencial candidato ao top 5 de 2009. Tudo começou, como este disco, com "Echonoecho". Os gritos de Daniel Martin-McCormick fazem pensar num Nic Offer (!!!) em que a fúria de Mark Stewart (The Pop Group) ou James Chance (The Contortions) se sobrepôs às exortações à dança, sem que o gosto por esta desapareça totalmente. Ouça-se o momento logo a seguir ao diálogo voz-bateria, e recorde-se o primeiro disco dos Liars. Ouça-se aquele baixo com doses elevadíssimas de bom colesterol, a vibrar como se saído das mãos e óculos de Bootsy Collins. Ouçam-se aqueles ritmos de bateria tirados do punk-funk mais agressivo. Ouça-se aquela guitarra dos tempos em que a no-wave e os Sonic Youth se confundiam, e partilhavam palcos. Enfim, os Mi Ami, descendentes de uns Black Dog que nunca ouvi, são convulsão hipnótica violenta, uma pista de dança puxada pelos cabelos e regada a gasolina, centenas de semáforos a explodir e uma festa feita sobre os seus restos flamejantes! Aqui não há paz, nem tal seria desejável!

Podem ouvir algumas músicas do disco, e do igualmente excelente EP "African Rhythms", aqui.

Os discos da minha vida - Jimi Goodwin, vocalista/guitarrista de Doves


Publicado na Uncut:

- O primeiro disco que comprei -> The Stranglers "No More Heroes"

- O disco que mudou a minha vida -> The Clash "Give 'Em Enough Rope"

- O disco que me ensinou a tocar bateria -> Neil Young "Broken Arrow"

- O disco que significa veneração de um herói -> Jimi Hendrix "Electric Ladyland"

- O disco que me fez gostar de jazz -> Duke Ellington "The Ellington Suites"

- O disco que foi uma epifania na pista de dança -> Frankie Valli & The Four Seasons "The Night"

- O disco que nunca me canso de ouvir -> Joni Mitchell "Hejira"

- O disco que fez a folk renascer para mim -> Sweeney's Men "Go By Brooks"

- O disco de hip-hop que me restaurou a fé -> Edan "Beauty And The Beat"

- O disco que gostava de ter feito -> Skip Spence "Oar"

Boxcutter "Arecibo Message"



Boxcutter, ie: Barry Lynn, norte-irlandês, aparenta ser um apreciador de diversos tipos de música que têm o ritmo como factor de destaque. Neste seu terceiro disco, Boxcutter joga em diversos campos. Desde o dubstep onde, por portas travessas, criou alguma reputação, até ao electro-funk, passando pelas memórias do 2-step, drum-n-bass, acid house, e generosas quantidades de techno. Tudo alimentado a sintetizadores e restante maquinaria produtora de padrões rítmicos de apelo cinético, e sons viscosos e escorregadios. Sem dúvida que há bastante competência. O que se sente de vez em quando a falta é uma maior inventividade em cada um dos géneros abordados. Por vezes há a sensação de estarmos a ouvir uma compilação, mais do que um trabalho coerente de um músico, excepção feita à tal viscosidade de som. Quando Boxcutter descobrir um ponto de chegada menos difuso, teremos um disco promissor.

A primeira faixa "Sidetrak" para ouvir em baixo:

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Micachu & The Shapes "Jewellery"



Mica Levi tem ideias. Apetece-lhe ser uma espécie de Tom Zé inglesa, com a energia da juventude (22 anos) a contribuír para o formato final. Gosta de usar fontes improváveis para a criação dos seus sons. Na reportagem que vinha no Ípsilon falava-se em aspiradores e outras coisas. E assim temos "Jewellery", disco em que a pop twee/C86 aparece enrolada numa manta espinhosa, em que a melodia e o ruído nunca estão muito distantes um do outro. Embora, diga-se de passagem, este nunca esteja particularmente abrasivo. E resulta bem, perguntam vocês? Até certo ponto resulta. As músicas são bastante dinâmicas, nunca perdem consistência pop, e a inventividade é inegável. Então porque não é um grande disco? Simplesmente porque a voz de Levi ainda não está completamente à altura. O tom impassivo, como versão twee dos Broadcast, precisa de outra capacidade de criar empatia. Mas isto são pormenores que não deverão obstar a que os Micachu & The Shapes editem um grande álbum no futuro. Esperemos que não se desviem muito do caminho.

Em baixo um vídeo para "Golden Phone":