sábado, 30 de maio de 2009

The Bombazines "The Bombazines"


Não sendo a primeira vez que falo desta banda neste blog, o lançamento deste disco na parceria Optimus/Henrique Amaro é motivo mais que suficiente para que volte a fazê-lo. E vou dizer aquilo que basicamente disse da outra vez. Os Bombazines são a banda funk/soul que Portugal andava a precisar há um porradão de anos. Nomeadamente desde que alguém por cá achou que funk/soul era tocar baixo de uma certa maneira, e cantar de uma certa maneira limpinha e amaneirada. Marta Ren (Sloppy Joe), e Rui "Gon" (ex-Zen) são os vocalistas de serviço, e trazem nervo! Aquele nervo, aquela paixão, aquela garra, que faz esta música ser violenta, irresistível, de groove atómico, que o orgão e o baixo tão bem complementam. Só desejo poder ver estes tipos ao vivo mais cedo do que tarde.

DJ Ride "Beat Journey"



Apesar de bom, o primeiro disco de DJ Ride não antecipava a tremenda qualidade desta gravação para a série de EPs lançados através da parceria Optimus/Henrique Amaro. "Beat Journey" apresenta um músico/produtor já bastante longe da simples ortodoxia do beat hiphop. Na verdade, os álbuns que este EP mais faz lembrar são "The Private Press", histórico segundo longa-duração de DJ Shadow, e "Los Angeles", a óptima estreia de Flying Lotus. Isto porque, sobre a camada de beats escorreitos e cinéticos, encontramos um uso inventivo e certeiro de sintetizadores de diversa espécie. "Beat Journey" enrola as suas melodias em volta da cabeça e articulações, transportando o ouvinte por campos onde o hiphop se expande, parecendo o campo ilimitado que sempre deve ser. Um dos grandes discos do ano!

Gnilb Gnilb



O contrário de Bling Bling.

Já que o hiphop português passa a vida a gabar-se de não ser rico e não ser como as estrelas da MTV, caindo num cliché tão grande como aqueles que diz combater, porque não usar este termo para se auto-definir?

sexta-feira, 29 de maio de 2009

BARCELONA 2 MANCHESTER UNITED 0

1-0 Etoo 9'

Link: Barcelona 1-0 Man Utd



2-0 Messi 69'

Link: Barcelona 2-0 Man Utd




Uma grande exibição, liderada pelo génio de Xavi e Iniesta, deu a Champions ao Barcelona. Apesar de tudo, foi uma época bem positiva para o United, com o tricampeonato, o Charity Shield e a Taça da Liga como troféus.

quarta-feira, 27 de maio de 2009

Here We Go Magic "Here We Go Magic"


Continuando na teoria das palavras que parecem feitas de propósito para um certo disco, este é feito à medida para o termo "melífluo". Os Here We Go Magic são liderados por Luke Temple, e no campo das melodias cantadas com um braço em volta do ouvinte, não estarão muito longe dos Air de "Talkie Walkie". Quer isto dizer que soam a franceses, e usam electronica orquestral e "cinemática"? Nem por isso. As melodias dos HWGM estão consideravelmente mais dentro do espectro americano. Aliás, também não será exagero se evocarmos os Grandaddy. E a electronica é bastante menos elaborada. É, isso sim, o ambiente criado, e o uso de repetições que remetem para a banda de Jean-Benoit Dunckel e Nicolas Godin. Ouça-se o single "Tunnelvision", galope suave liderado por uma voz em agudo que transporta a música por um túnel cilíndrico, com os aneis de ligação a passarem diante dos olhos.
Não se trata, de todo, de um disco perfeito. Apenas seis das nova músicas são cantadas, e as três instrumentais soam a demos inacabadas. Que há aqui gente com talento para a pop é que não existe qualquer dúvida. As correntes de ar conseguem ser muito agradáveis quando feitas assim.

Para ouvir - "Fangela":

Quem sabe...



É difícil não me sentir insultado na minha inteligência pelo último anúncio do Banco Espírito Santo. Eu sei que, muito provavelmente, não serei o público-alvo desta publicidade. Mas existe mesmo alguém que acredita que uma pessoa com o dinheiro e rendimento mensal do Cristiano Ronaldo, em vez de contratar um batalhão de gestores financeiros para investir em milhentos fundos e mercados, de alto rendimento potencial, vai pôr o dinheiro numa continha a prazo qualquer? Com 3.25% de rendimento ao fim de 3 ANOS???

Vamos a ser sinceros, isto é como se ele aparecesse a comprar um Twingo (olá vizinha) num stand de carros usados. Ou a pedir um empréstimo para comprar um T1 no Poço do Bispo. Quando é que esta gente vai ter alguma decência?

(a última pergunta foi, obviamente, de retórica)

terça-feira, 26 de maio de 2009

Os discos da minha vida - Craig "The Hold Steady" Finn


O primeiro disco que tive -> The Bay City Rollers "Greatest Hits"

O disco que me fez querer ter uma banda -> The Replacements "Let It Be"

O disco que me fez querer ser um songwriter -> Bruce Springsteen "Born To Run"

O disco que me envergonha um bocadito -> Billy Joel "52nd Street"

O disco inglês até à medula -> The Kinks "The Kinks Are The Village Green Preservation Society"

O disco que me lembra uma saída à noite -> Arctic Monkeys "Whatever People Say I Am, That's What I'm Not"

O disco que me faz lembrar de perder a virgindade -> The Stone Roses "The Stone Roses"

A razão porque toco guitarra -> Husker Du "New Day Rising"

O disco que me fez querer sair de Minneapolis -> The Clash "London Calling"

O disco que me lembra novos começos -> REM "Reckoning"

segunda-feira, 25 de maio de 2009

Afinal sabiam



Parece que Tim andou a dizer ao I que não escreveu "Sem Eira Nem Beira" sem pensar nas consequências que vieram a suceder. Nomeadamente, o uso da canção como arma de protesto contra o governo Sócrates. Pode ser uma maneira de emendar a mão, depois das declarações iniciais. Mas sempre é melhor do que o habitual "Nunca foi a nossa intenção!"

Jimi Hendrix "Voodoo Chile (Slight Return)"

Já que passou pela playlist do dia, nada como recuperar esta obra-prima de um génio inigualável. Riffs destes só saem uma vez na vida:

Solange "Sol-Angel And The Hadley St. Dreams"



Convenhamos que não é todos os dias que vemos um disco sediado no r&b/soul samplar os Boards Of Canada. E convenhamos também que não se espera que a música que o faz seja das mais fracas do disco. Esses são os riscos naturais de quem contrata uma série de produtores (Jack "Plantlife" Splash, Thievery Corporation, Mark Ronson, The Neptunes, Soulshock, etc) que asseguram que o disco a gravar viajará por diversas épocas e feitios, dentro da área musical escolhida. Assim, tanto temos sons a lembrar uma Motown menos funky, como o Philly soul, a soul-pop dos 80s, o malfadado new jack swing dos 90s, e um encontro entre a nu-soul dos primeiros discos de Erykah Badu com o psicadelismo dos bons tempos de Kelis. Já disse que Solange tem Knowles como nome da família, e Beyonce como irmã? É que ninguém diria, ouvindo a música de "Sol-Angel And The Hadley St. Dreams". Regra geral, o apurado sentido pop dos arranjos e vozes tornam este disco uma audição bastante prazerosa. Como é óbvio, julgando pelo número e tipo de géneros abordados, existem pontos fracos, geralmente ligados ao factor melosidade. Que isso não impeça este disco de ir ganhando adeptos como o tempo.

Para ouvir - "I Decided Pt. 1":

domingo, 24 de maio de 2009

The Acorn "Glory Hope Mountain"



Os Acorn vieram do Canadá, via a ascendência hondurenha do vocalista Rolf Klausenar. Mas aqui pouco há que se compare à pop de contornos mais épicos, esganiçados, omnívoros ou sintéticos de uns Arcade Fire, Wolf Parade, Destroyer ou Frog Eyes. A banda de que os Acorn mais se aproximam são os americanos Department Of Eagles, no sentido em que a sua música tem muito de acústico e bucólico. A maior distinção é o facto de utilizarem mais camadas de percussão orgânica, o que dá um toque muito bem vindo a algumas das suas canções. Quando os Acorn fazem uso de vocalizações empolgantes, e guitarras que marcam o ritmo e melodia, com alguns toques centro-americanos sub-reptícios, mais o impacto da percussão, têm neles algo que sugere dança frenética, quer em casa, quer ao vivo. Talvez lhes falte alguma vivacidade nas músicas mais lentas, e a verdade é que o último terço do disco não está bem à altura do que antecedeu. Mas de qualquer modo, "Glory Hope Mountain" está carregado de belos momentos de música alegre e contagiante.

Para ouvir - "The Flood Pt. 1"

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Dois agradecimentos



Obrigado ao Mário Lopes por corroborar a minha apreciaçao dos Bombazines, com expressões como "Funkadelic do Porto" e "Blaxploitation da Ribeira"!

Obrigado ao Jorge Manuel Lopes por corroborar o que penso da atroz Kimya Dawson - "Música de e para quem parou nos 8 anos de idade"!

Obrigado!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Dalek "Gutter Tactics"


Em discos anteriores, a música do MC Dalek e do seu DJ Octopus chegava a cair demasiado no Síndroma da Massa Gosmenta. Havia impacto por detrás das rimas, e dos ruídos industriais-distorcidos, mas faltava algo que os fizesse funcionar como um todo. "Gutter Tactics" é o melhor disco de Dalek até ao momento. Aquele em que esta aparentemente simples equação encontrou a sua fórmula resolvente. Aqui, os choques e trepanações que parecem descender directamente dos históricos Bomb Squad (produtores dos Public Enemy) não parecem passar ao lado das rimas, e sim agarrá-las pelos braços, amplificando as suas palavras, as quais lidam sobretudo com ataques ao imperialismo de algumas políticas externas dos EUA. Dalek não é um MC virtuoso, apostando na sua capacidade de navegar por este terramoto sónico. É por isso reconfortante ver que Octopus consegue finalmente coexistir e fornecer a Dalek aquilo que ele precisa.

Para ouvir, "We Lost Sight":

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Primer do Roland TB-303 na Wire

Estas são as músicas que utilizam o célebre sintetizador que Peter Shapiro escolheu como mais demonstrativas das suas facetas:

- Heaven 17 "Let Me Go"
- Shannon "Let The Music Play"
- Alexander Robotnick "Problemes D'Amour"
- Mantronix "Bassline"
- Ice-T "Squeeze The Trigger"
- Sleezy D "I've Lost Control"
- Phuture "Acid Tracks"
- Armando "Land Of Confusion"
- Joe Smooth "Reign"
- Kevin Saunderson "The Groove That Won't Stop"
- K-Alexi Shelby "Vertigo"
- Baby Ford "Oochy Koochy (FU Baby Yeh Yeh)"
- 808 State "Let Yourself Go" (303 Mix)
- Humanoid "Stakker Humanoid"
- Fuse "FU"
- Plastikman "Sheet One" (LP)
- Hardfloor "Acperience 1"
- Hardfloor "TB Resuscitation" (LP)
- Dust Brothers "Chemical Beats"
- Model 500 "The Flow (Jedi Knights Remix)"
- Fatboy Slim "Everybody Needs a 303"
- Tim Taylor & Dan Zamani "Planet Of Drums"
- Damon Wild & Tim Taylor "Bang The Acid"
- Woody McBride "Basketball Heroes"
- Aux 88 "The Countdown"
- AFX "Analord EPs"

Como é óbvio conheço muito poucas destas músicas. Mas quem sabe estejam no YouTube ou locais semelhantes. Fiquem com "Acid Tracks" para ilustrar:

Macacos do Chinês "Ruídos Reais"



A melhor maneira de descrever "Ruídos Reais" é usar o termo "oportunidade perdida". Isto porque o EP "Plutão", como já disse neste blog, prometia uma banda livre dos clichês serôdios do hip-hop português, e capaz de incorporar as influências grime, UK garage e dubstep em elementos de músicas mais tradicionalmente portuguesa, ou afro-PALOP. O disco contem 4 canções muito boas - "Plutão", "Pessoa", "Fala Bem" (com Buraka Som Sistema) e "Ruídos Reais". E 4 muito más - "Rolling na Reboleira", "Saudade", "Machadinha" e "Pombos Gordos". As 4 primeiras são boas por terem os zumbidos e requebros electrónicos, e as rimas de cadência irregular mas cativante. As outras são más porque são previsíveis e estereotipadas até mais não. De que vale um grupo gabar-se de não fazer as coisas "previsíveis" da MTV, se depois faz algo 10 vezes pior? Alguém que, de uma vez por todas, liberte o hip-hop de Portugal deste proselitismo cansativo. Os MDC e seus ouvintes terão muito, mesmo muito a ganhar se o conseguirem!

Como bom exemplo, aqui fica "Plutão":