sexta-feira, 5 de junho de 2009

Zomby "Where Were U In 92"



Curiosa experiência a deste produtor inglês. Este disco é exactamente aquilo que diz na capa. Um regresso declarado e desavergonhado aos dias de 1992. E sendo assim, não há realmente muito a dizer. 1992 é uma altura em que o jungle ainda está em formação, em que o acid house não tem o impacto que já teve nos anos anteriores, e em que surgem coisas como o hardcore nas pistas de dança. Espero não me ter enganado, visto que não sou especialista. Portanto, "Where Were U In 92" apresenta sintetizadores house deslocados no espaço, ritmos secos de hip-hop, e do ragga tão adorado pelos produtores ingleses, vozes de divas house, algumas sirenes, e o aspecto sonoro geral que antecipa os baixos sub-atómicos que viriam a dominar o jungle que se seguiu. Leva algum tempo até passar da ideia de simples exercício de estilo. Um bom som é essencial para que nos contagie. Não vou é entrar em grandes encómios para o descrever. É agradável, apenas não vai muito longe se não fôr o início de uma carreira mais relevante.

Para ouvir - "Tears In The Rain"

Sean Riley & The Slowriders "Only Time Will Tell"



Depois dos Black Bombaim, e da trilogia Optimus/Henrique Amaro falada por aqui, chega outro disco para colocar no topo da tabela dos portugueses de 2009. Por melhor que o primeiro álbum de Sean Riley & The Slowriders tivesse sido, não se imaginava que conseguissem consolidar e melhorar o seu estilo de tal forma a resultar em algo tão bem feito, cheio de canções perfeitas. A voz de Afonso "Sean Riley" Simões tráz à ideia um Bob Dylan a ensinar Grant Lee Phillips a não parecer tão melífluo nas suas palavras. Como tal, Riley/Simões leva a americana no bolso como se cantá-la fosse tão fácil como jogar à bisca. E quando a usa nestas melodias que puxam pelas emoções e pela nossa própria voz, cria música sedutora como uma história ouvida à noite à porta de um bar aconchegante, rodeada de guitarra, harmónica e orgão atarefado. Uma viagem sonorizada por "Only Time Will Tell" está em vantagem logo à partida.

Para ver - o teledisco de "Houses And Wives"

AC/DC@Estádio de Alvalade



Comecemos esta apreciação ao concerto dos AC/DC que esgotou o Estádio de Alvalade com uma citação: "So exciting the audience will clap and cheer / So delightful it will run for 50 years". O excerto de uma canção de Moulin Rouge, de Baz Luhrmann, pertencendo a um filme que não é grande coisa, é bastante apropriada para o caso. Os AC/DC não dão maus concertos. Angus Young não tira maus sons da sua guitarra, e não perdeu o gosto pelo duck-walk. Cliff Williams, Malcolm Young e o extra-cool Phil Rudd não perdem rasto do suporte rítmico que as músicas precisam nem por um segundo. O público, as dezenas de milhares de pessoas, não resistem a gritar coisas como “THUN-DER” ou “HIIIIGHWAY-TA-HELL” ao mesmo tempo que Brian Johnson. Porque é fácil. Porque é divertido. Porque é contagiante. Porque é bom.

Resto da crítica no Bodyspace

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Nova música - Major Lazer

Major Lazer é um projecto dos produtores Diplo e Switch, conhecidos sobretudo pelo seu trabalho com M.I.A.. Este single, que conta com a participação de Santigold e Mr. Lexx é um estimulante pedaço de electro, dancehall, dub, e hiphop simultaneamente old-skool e futurista. E conhecendo o gosto dos mentores por todo o tipo de músicas em que o baixo, os sintetizadores e o ritmo imperem, quem sabe a quantas áreas irá um futuro álbum?

Para ver - o vídeo de "Hold The Line":

Os 10 melhores discos de The Cure

Segundo os leitores da Mojo:

10 - "4:13 Dream"

9 - "Galore"

8 - "The Head On The Door"

7 - "Three Imaginary Boys"

6 - "Faith"

5 - "Staring At The Sea"

4 - "Kiss Me Kiss Me Kiss Me"

3 - "Seventeen Seconds"

2 - "Disintegration"

1 - "Pornography"

Para ouvir - "The Hanging Garden", do vencedor:

La Roux - Segundo single



Depois da pop multitemperaturas e algo desesperada de "In For The Kill", o duo de Eleanor Jackson e Ben Langmaid vem demonstrar que não só conhece todos os interstícios do que consiste a boa electro-pop, como também sabe trazê-la para o século XXI sem a descaracterizar. Apesar da imagem da banda ser, basicamente, Eleanor, é importante realçar como temos aqui, em "Bulletproof", uma espécie de "Speak And Spell" (primeiro disco dos Depeche Mode) que foi actualizada com os ângulos e cortes que representam 2009. E além disso, existe a voz de La Roux, aguda, poderosa, implorante e confiante. O disco sai a 30 de Junho e gera muitas expectativas.

Para ver - o teledisco de "Bulletproof"

Nova música - Glasser



Cameron Mesirow é a mentora deste projecto, com um som e voz a evocar uma Bat For Lashes rodeada de instrumentação mais minimal. Sobretudo em "Apply", o acompanhamento limita-se a um sintetizador em zumbido, e percussões marciais, obtendo um efeito semelhante ao que, para além de Bat For Lashes, Joanna Newsom obteria caso trocasse a harpa por tambores altos e maças. Parece que já tocou, ou terá tocado, com outra artista apreciada por aqui - Vuk (procurem na pesquisa do blogue).

Para ouvir - "Apply" e "Glad"

Obrigado Pedro Gonçalves



Pelo cascanço, embora moderado, nesse cagalhão mal perfumado que são os Nouvelle Vague. Faltou só mandá-los à real merdinha umas 1238 vezes!

quarta-feira, 3 de junho de 2009

New Young Pony Club, estão a ouvir?



Em relação às vossas declarações à Mojo, onde diziam que o novo disco era influenciado por Slowdive, Primal Scream do início, e periodo inicial da Britpop:

O MUNDO NÃO PRECISA DE UNS ECHOBELLY NOVOS! TENHAM JUÍZO!

Para ouvir - "Ice Cream" um bom momento do primeiro disco:

Extra Golden "Thank You Very Quickly"



Por mais que se ouça este disco, o destaque absoluto tem que ir para a bateria de Onywango Wuod Omari. O homem parece que inventa um ritmo novo a cada 2 segundos, sem nunca perder a música de vista. É estupidamente contagiante e ao mesmo tempo deixa qualquer um de boca aberta. Precisei de dizer isto antes da contextualização do costume. Esta é uma banda formada por dois americanos e dois quenianos. Antes eram Golden, agora são Extra Golden, e já vão em 3 discos, e uma substituição devido à morte de um músico. Como não escrevo no Crónicas da Terra nem no Raízes e Antenas, a minha discografia e conhecimento de música benga do Quénia é zero. O que aprendo, neste disco em que ela se junta a um campo de riffs e vozes Pavement-aprende-a-cantar-com-Tortoise-e-algum-psicadelismo, é que é uma música que ondula tanto como uma ginasta rítmica, sem que queiramos ficar sentados a assistir. Pode, é um facto, dar a impressão que seria ainda melhor ao vivo (quem os viu na ZdB que confirme). Isso, todavia, não inibe o aproveitamento de um disco de groove explosivo.

Para ouvir - MySpace da banda com as duas músicas iniciais vindas deste disco.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Island Records - Selecção de 50 discos

Na Mojo de Junho:

- Nirvana "The Story Of Simon Simopath"
- Traffic "Mr. Fantasy"
- Wynder K Frog "Out Of The Frying Pan"
- Spooky Tooth "Spooky Tooth"
- King Crimson "In The Court Of The Crimson King"
- Fairport Convention "Liege And Lief"
- Jethro Tull "Stand Up"
- White Noise "An Electric Storm"
- Nick Drake "Five Leaves Left"
- Mott The Hoople "Mad Shadows"
- Free "Fire And Water"
- Cat Stevens "Tea For The Tillerman"
- McDonald And Giles "McDonald And Giles"
- Jimmy Cliff/Various "The Harder They Come"
- Roxy Music "For Your Pleasure"
- John Martyn "Solid Air"
- Toots & The Maytals "Funky Kingston"
- Sparks "Kimono My House"
- Richard & Linda Thompson "I Want To See The Bright Lights Tonight"
- Robert Palmer "Pressure Drop"
- Burning Spear "Marcus Garvey"
- Brian Eno "Another Green World"
- Dillinger "CB200"
- Max Romeo "War Ina Babylon"
- Upsetters "Super Ape"
- Bob Marley "Exodus"
- Eddie & The Hot Rods "Life On The Line"
- Junior Murvin "Police & Thieves"
- Steel Pulse "Handsworth Revolution"
- The B-52's "The B-52's"
- The Slits "Cut"
- Linton Kwesi Johnson "Forces Of Victory"
- Marianne Faithful "Broken English"
- Tom Tom Club "Tom Tom Club"
- Grace Jones "Nightclubbing"
- Was (Not Was) "Was (Not Was)"
- Black Uhuru "Red"
- Kid Creole & The Coconuts "Tropical Gangsters"
- King Sunny Ade & His African Beats "Juju Music"
- Gregory Isaacs "Night Nurse"
- John Cale "Music For A New Society"
- Aswad "Live And Direct"
- Tom Waits "Swordfishtrombones"
- U2 "Achtung Baby"
- Julian Cope "Peggy Suicide"
- PJ Harvey "Rid Of Me"
- Pulp "Different Class"
- Tricky "Maxinquaye"
- Amy Winehouse "Back To Black"
- Paul Weller "22 Dreams"

Para ouvir - Burning Spear "Marcus Garvey"

Dizzee cumpre a promessa

Ele disse que queria fazer música divertida, e aqui está "Bonkers". Dizzee Rascal a trazer o espírito do hip-house do fim dos 80s ("Push It" das Salt-N-Pepa foi representativo desse "movimento") para um futuro onde o grime aprendeu a jogar pingpong, o house está irresistivelmente funky (Armand Van Helden produz), e o r&b, electronica e hip-hop são convidados de luxo. Às voltas durante uns minutos, e sem prejuízo se voltasse a fazê-lo, aqui fica o vídeo de "Bonkers":

Wolf Eyes "Always Wrong"



A quem pretenda entrar nesta nova aventura dos rapazes do Michigan, pense em duas escolhas: Preferem afogar-se lentamente num pântano fétido, ou ser sugado e esmagado lentamente por rodas de aço afiadas? Lamento, mas têm mesmo que optar. Isto é o que qualquer disco dos Wolf Eyes faz, dizem-me? Claro que sim. E por isso é que continuam a ser tão exilarantes como em "Burned Mind" e "Human Animal" (não tenho as 21164 K7 e CD-R). Isto é Lee Perry reduzido a um monstro de alcatrão. Os SunnO))) distorcidos num espelho. O industrial desprovido de qualquer réstia de humanidade ou melodia convencional. Aqui avança-se porque se tem que avançar. Porque os circuitos e ruídos em choque não permitem parar para respirar. Emoções fortes abundam aqui. Pode ser amor ou ódio. Eu escolho a primeira hipótese!

Para ouvir - duas músicas no MySpace da banda

segunda-feira, 1 de junho de 2009

A história de "Sem Eira Nem Beira", parte 3



É chato que a música dos Xutos não ande a ser tocada. Por mais voltas e reviravoltas que os directores das estações deem, fica sempre aquele arzinho de suspeição. As declarações de José Mariño, da Antena 3, ainda permitem alguma esperança para o futuro.

Gosto da música? Nem por isso. Isto é só para falar das novas declarações:

Vejamos o que aparece no site da Blitz:

"Entrevistado pelo Expresso, Zé Pedro reconhece que a ausência de "Sem Eira Nem Beira" das playlists das rádios portuguesas " parece um complô contra o tema, ou uma espécie de exclusão por poder ferir susceptibilidades. Parece-me que a música podia ter sido aproveitada como notícia e transformar-se num hype de rádio", considera o guitarrista.

É ao vivo que os Xutos & Pontapés mais sentem a adesão do público ao tema - "Sentimo-nos compensados, portanto", garante Zé Pedro. "

Então afinal já havia intenção? Afinal queriam a adesão por causa disso? Queriam mesmo que fosse notícia e hype de rádio?

Tiguana Bibles "Child Of The Moon"



E com este disco concluo a série de apontamentos sobre a série Optimus/Henrique Amaro. Felizmente, acabo-a em óptimo tom. Este é um EP fantástico, saído das mãos de uma banda que inclui os ex-Tédio Boys Kaló (Bunnyranch) e Victor Torpedo (Parkinsons), e sobretudo a voz fabulosa de Tracy Vandal. É difícil acreditar que Tracy foi apenas vocalista dos esquecidos The Karelia. Esta voz é tão sedutora e insinuante quanto a de Ambrosia "Shivaree" Parsley, a congénere que mais me vem à cabeça quando a ouço. Estas são 4 canções (uma é repetida numa versão mais rápida) carregadas de sensualidade, que enrolam a voz, guitarra, contrabaixo, orgão e bateria em volta de um universo de amores de gente para quem parar é morrer. David Lynch de "Blue Velvet" ficaria orgulhoso de "Lost Words" e "Against The Law". Com DJ Ride, The Bombazines, e esta deliciosa pérola que tanto resvala para o retro como para o intemporal, esta colecção tem 3 das melhores colecções de música feitas este ano em Portugal. Bons indícios. Espero é que possam todos prosseguir a carreira.

Para ouvir - O Myspace da banda