segunda-feira, 22 de junho de 2009

Música nova - Dead Weather

Como todos devem saber, se gostam de ler sobre música, e a banda em que Jack "White Stripes" White é baterista, e Alison "The Kills" Mosshart vocalista. "Hang You From The Heavens", aqui apresentada ao vivo no programa de Conan O'Brien, não entra por uma terceira via, revelando semelhanças claras com as bandas-mãe dos seus membros mais famosos. Estão aqui os ritmos primitivos de largo impacto dos White Stripes, e a distorção e riffs blues pára-arranca transfigurados dos Kills. Ter uma vocalista que exala sexo também ajuda muito, como é óbvio. Um bom começo para o disco que aí vem a 14 de Julho.

Para ver - "Hang You From The Heavens"

Tortoise "Beacons Of Ancestorship"



Com It’s All Around You já com uns respeitáveis cinco anos de idade, e a caixa A Lazarus Taxon com três, decerto que John McEntire e amigos terão tido tempo suficiente para pensar que caminho seguir no próximo passo das suas carreiras. A resposta, ao ouvir Beacons Of Ancestorship, parece ter sido a diversão, uma viagem frutuosa às músicas que criaram e continuam a fazer evoluír os Tortoise.

Continua aqui.

domingo, 21 de junho de 2009

Company Flow - Excepções do seu lado?



O seguinte excerto, que me parece merecedor de reflexão, foi publicado por Sam Davies na Wire, a propósito da reedição de "Funcrusher Plus", o primeiro e fabuloso disco dos Company Flow:

"Only Cannibal Ox's 'The Cold Vein' and El-P's subsequent solo set 'Fantastic Damage' have really approached its dense brilliance. In some ways, the group's charismatic boldness has been harmful. The deliberate obscurity of the lyrics and ferociously anti-populist lines like 'When sales controls stats I have no faith in the majority' have been picked up as excuses for navel-gazing tedium - see much of the Anticon roster - and subsequent rapping disguised as the avant garde. Being so difficult wasn't as easy as it looked. Company Flow broke the ground, but few had the skills to follow them into the dystopian wormholes they opened up in rap music"

Sem ser tão radical em relação à Anticon, apetece-me realmente frisar o quanto "Funcrusher Plus" é melhor que "Ten" dos Clouddead. Que não é nem um mau disco, nem uma obra-prima. Os discos de Sole serão os que estão mais perto da fúria dos Company Flow.

Para ouvir - "Population Control"

Música nova - Táxi

Este post é mais por pena. Custa muito ver alguém que começou por escrever letras pertinentes e críticas como "Chiclete" e "TVWC" reduzido à condição de escrever pop ensosso, adequado à linha de montagem novelas-TVI. Eu gostava que o regresso dos Táxi pudesse trazer algo que fizesse jus à sua história. Nem me vou alongar mais, deixo aqui o vídeo para quem quiser confirmar/desmentir:

Estudem, dizem eles



28 economistas conhecidos dizem que o governo deve encomendar estudos sobre o TGV e outros investimentos públicos. Acho eu que as obras devem ir para a frente? Eu não tenho dados. Só um burro não sabe que irão haver consequências positivas e negativas, a curto e longo prazo, qualquer que seja a opção tomada. Se calhar, a minha posição seria favorável ao TGV por mero egoísmo, por gostar de viagens rápidas entre grandes cidades, mas aceito na boa a posição contrária.

Então porque me dei ao trabalho de escrever isto? É por irritação relativa ao tom do dito comunicado. O que pede ele? Pede que se estude. Pede que se discuta. E qual é a opinião destes 28? Não se sabe! Dizem que as coisas estão a correr muito mal. Mas qual é a ideia deles? Que se estude! Mas e eles? O que fazem todas estas pessoas com acesso a tantos números e gabinetes? O que acham elas? Não se trata de amadores. São pessoas com anos e anos de experiência e conhecimentos. Onde estão os estudos delas? Estão à espera que sejam contratados - e bem pagos - pelos estudos "futuros". Até nem seria este o maior problema. Isto, no fundo, é como o sempre ouvido "É necessário um debate aprofundado entre toda a sociedade antes de se tomar qualquer medida" quando se fala de certas propostas "fracturantes". Aqui o importante parece ser falar que se deve falar, estudar que se deve estudar. E enquanto não aparecer outro degrau, ainda temos sorte!

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Bonnie Prince Billy "Beware"



Will Oldham continua o seu processo de limpeza e expansão da música de Bonnie Prince Billy. Os tempos ultra-descarnados já há muito que ficaram para trás, mortos pelo seu álbuns de covers da própria música "Sings Greatest Palace Music". Por isso, é esquecer as saudades e ver que tal é que Oldham se sai a escrever as músicas country que tráz aqui. Sai-se muito bem em para aí metade delas, sobretudo quando consegue criar as melodias adequadas ao tom sardónico das letras. Quando a música evolui para versos e refrões que deixam tudo num tom de arranjos clássicos elegantes, temos Oldham a manter a sua identidade sem caír no mau gosto. Pior é a segunda metade do disco, em que muitas das músicas desiludem um pouco quem se tinha deixado agarrar pelo princípio. Talvez Oldham ainda precise de mais discos para atinar de vez com esta fórmula de fazer música.

Para ver - Vídeo de "I Am Goodbye"

Música nova - Polvo



Estiveram na batalha dos sucessores mais pesados dos Slint durante a década de 90, lançado álbuns como "Exploded Drawing" (o único que tenho deles). Agora, preparam-se para editar o seu primeiro disco em 12 anos, chamado "In Prism", e "Beggar's Bowl" é o primeiro avanço. Magnífico trabalho de duas guitarras a conjugarem impacto, ritmo e trepanação, e uma secção rítmica rija como o aço, e flexível como a borracha. De tão bem feito que está, é impossível dizer que este som perdeu qualquer actualidade que seja. Espero que consigam trazê-los cá.

Para ouvir - "Beggar's Bowl"

quinta-feira, 18 de junho de 2009

This Heat "This Heat"



Depois de muitos anos na prateleira, a caixa com 6 álbuns desta banda do início dos anos 80 começa a ser explorada. E o que posso dizer é que se trata de música que soaria revolucionária e provocadora mesmo que fosse lançada hoje, mesmo correndo o risco de nunca ter audiências que se assustassem (coisas da época em que vivemos). Nomear uma música "Music Like Escaping Gas" foi a coisa mais certa que Charles Bullen, Charles Heyward e Gareth Williams podiam ter feito. Aqui os sons atraem a atenção não pela beleza, mas pela antecipação do que pode vir a seguir. O que será o som seguinte. Guitarras, teclados, loops, bateria, etc, avançam como felinos de grande porte que nos hipnotizam com os olhos, e que podem, ou não, saltar a qualquer momento. Havemos de manter o medo e a incerteza até ao fim. E de lamentar quando tudo acaba.

Por falta de músicas no YouTube, este post ficará ser ilustração musical.

Música nova - Joker

Se li algo sobre Joker, esqueci-me dos detalhes. Agradeço ao JML ter posto a música no seu blog. Tendo-a ouvido, não podia deixar de a destacar aqui. Como disse, tudo o que sei de Joker vem de tê-lo visto mencionado nalgumas revistas, e da pesquisa rápida que fiz em sites agora. Sei que tem 20 anos e vem de Bristol. "Do It" é uma maléfica procissão de beats feitos de agulhas laser finas, como os sons de "808s And Heartbreaks" depois de terem cortado a jugular a quem tivesse tentado cantar por cima deles. Definitivamente, é uma pena não ter tempo para ouvir todas as coisas de dubstep que por aí andam.

Para ouvir - "Do It"

Música nova - The Gossip

Neste caso não será assim tão nova, pois já se ouve há coisa de mês ou dois. Merece, ainda assim, destaque, por ser um excelente regresso da banda de Beth Ditto. Insere-se no post-punk compacto que é habitual na banda, com a guitarra e a bateria a imprimirem uma toada rítmica bem afunkalhada, e Beth Ditto autoritária nas vocalizações, como lhe é costume. Está perto das músicas de "It's Blitz" dos Yeah Yeah Yeahs no potencial para pôr uma plateia 15-40 aos saltos, sem olhar às diferenças de barba e cabelos grisalhos.

Para ver - "Heavy Cross"

terça-feira, 16 de junho de 2009

Música nova - Raekwon, Ghostface Killah & Method Man

É difícil ficar ansioso com a edição de discos com "2" no título, quando são feitos tantos anos depois do inicial, e que dizem que vão "recuperar" o espírito desses dias. Geralmente isso é impossível. Não se volta a ter a mesma conjugação de factores e psicologia que se tinha nessa idade. Isso pensa-se até Method Man dizer "Tell a friend / It's that symbol again / That W" como se estivesse em "Tical". Até vermos que "New Wu" apresenta os seus MCs rodeados apenas de um break de bateria excelente, e de uma voz que diz "Wuuuuuuuuu / Wuuuuuuuuu". E que estes três fantásticos MCs estão precisamente isso, fantásticos, nas suas intervenções. E pronto, temos "Only Built For Cuban Linx 2" mais aguardado do que seria saudável. Um dos singles do ano!

Música nova - Clipse & Pharrell


Três dos envolvidos no excelente "Hell Hath No Fury" juntam-se em mais uma óptima música no currículo dos Clipse. Malice e Pusha-T deixam, por algum tempo, as histórias sobre venda de branca de lado, e criam uma faixa semelhante ao relaxamento do G-Funk de Dr. Dre. A diferença está na produção dos Neptunes, que faz uso do seu habitual som escorregadiço de sintetizadores. Podemos falar num cruzamento de "The Chronic" com "In Search Of...", o muito bom primeiro disco dos N*E*R*D*. E aqui a alegria vem de dizer que a vida é boa, e não de uma qualquer auto-justificação anti-"mainstream". Malice e Pusha-T continuam a ser óptimos MCs, continuando no bom caminho em direcção a "Till The Casket Drops".

Para ouvir - "I'm Good"

domingo, 14 de junho de 2009

Magik Markers "Balf Quarry"



Depois do amansado, mas muito bom "Boss", que caminho escolheriam Elisa Ambrogio (voz e guitarra) e Pete Nolan (bateria)? À primeira vista - e subsequentes - foi um caminho seguro e experimentado. Não é que as ditas guitarra, voz e bateria soem mal, antes pelo contrário. Apenas que esta forma rockeira-em-transe-sensual de cantar e este arranhar da guitarra, procurando dar forma a ruídos que não a teriam sozinhos, já é conhecida, e uma certa banda fá-lo melhor desde 1980. Será cruel, e de certeza que a banda já ouviu isto muitas vezes. É daquelas coisas que, quando ouço, não consigo evitar. E não menciono a bateria, porque a esta falta a qualidade rock propulsora de Steve Shelley. Curiosamente, as músicas que melhor resultam são aquelas em que a voz de Elisa surge acompanhada de piano ou acordeão, onde estamos de ressaca a ouvir uma banda no-wave a tentar escrever algo audível, e não sabemos se é real ou efeito do tecto a girar. Arriscar foi bom na carreira dos Magik Markers. Será bom que continuem a fazê-lo.

Para ver - vídeo de "The Lighter Side Of Hippies"

sábado, 13 de junho de 2009

25 anos

A questão Cristiano Ronaldo



Resumir o que penso é mais simples do que talvez se possa imaginar. Claro que estou triste pela saída de, talvez, o melhor jogador que vi jogar com a camisola do United. Mas, ao mesmo tempo, só poderei avaliar as consequências depois de saber quem será contratado com o dinheiro do Real Madrid, e de ver como são as primeiras exibições com tais reforços. Estou plenamente confiante que o United continuará a lutar pela vitória em todas as competições.