quarta-feira, 22 de julho de 2009

Música nova - Thom Yorke ou Radiohead?

Thom Yorke cantou isto num concerto a solo englobado num festival em Inglaterra, pelo que é impossível, para já, saber qual o futuro desta música. Examinando-a apenas pelos dados disponíveis, isto é, voz e guitarra acústica, observa-se nela o tom lânguido de "Weird Fishes (Arpeggi)" na parte inicial, ajudada pela sempre fantástica voz de Yorke. Com o passar do tempo, e a chegada da parte instrumental, o passo estuga, e, se pensarmos em Ed O'Brien e Johnny Greenwood a tocar por cima, poderemos talvez chegar ao estado de encantamento transportado a falsetes de uma "I Might Be Wrong". Aliás, mesmo que isto vá pertencer ao sucessor de "The Eraser", o mais provável é ter muitas coisas por cima. Sendo assim, apreciemo-la, para já, como o belo esqueleto que é.

Para ver - "The Present Tense"

Música nova - Rain Machine



O mentor deste projecto é Kyp Malone, figura de proa nos excelentes TV On The Radio. E o que se pode dizer é que Malone não perdeu nenhum dos seus pontos fortes no primeiro single lançado sob o pseudónimo Rain Machine. O tilintar de badalos e outros sucedâneos dá o mote para a entrada de guitarras garage-rock, comprimidas para efeito trepanador extra, e para a voz cheia de soul, funk, rock e swing de Kyp Malone, na senda do que tem sido a carreira dos TV On The Radio, onde divide o protagonismo com Tunde Adebimpe. O refrão repete o título da música como uma ordem à qual não queremos resistir, apoiada em segundas vozes femininas. E ainda há espaço para batidas e palmas que não estão longe do r&b. É já um dos singles do ano.


Para ouvir - "Give Blood"

terça-feira, 21 de julho de 2009

MALÁSIA 0 MANCHESTER UNITED 2

0-1 Macheda 11'



0-2 Owen 13'



Dois golos cedo resolvem o segundo jogo da pré-época do United, preparando a equipa para desafios mais complicados.

Música nova - Atlas Sound & Panda Bear


Um casamento que se anunciaria feliz, e assim aconteceu. Dois músicos que estiveram na mesma noite no piso de baixo do Lux juntam as suas especialidades, e apesar do todo não ser maior que a soma das partes, as partes já são suficientemente valorosas para que os resultados sejam louváveis. A boa puerilidade shoegaze rudimentar de Bradford "Atlas Sound" Cox (também dos Deerhunter) oferece uma base adequada para que Noah "Panda Bear" Lennox (dos Animal Collective, caso alguém que esteja a ler não saiba) sobre ela deposite a seu pop mágico-realista, qual Brian Wilson a esquecer os sinfonismos e a atirar água para cima dos outros banhistas. Faixa concisa e causadora de boa disposição, ficaria bem dentro de "Person Pitch", último álbum de Panda Bear.

Para ouvir - "Walkabout"

Música nova - Kings Of Convenience

O gosto de Eirik Boe e Erlend Oye pela bossa nova não é surpresa para ninguém que os acompanhe desde o início. E as versões que marcaram os concertos em Portugal são prova disso mesmo. Este é, no entanto, talvez o single em que essa influência aparece mais claramente, sobretudo na forma como a guitarra é dedilhada, criando uma melodia e um ritmo de que João Gilberto teria orgulho, caso saísse de casa mais vezes. Estes são os Kings Of Convenience no seu melhor, criadores de melodias perfeitas como cristal austríaco, e com o mesmo ar de poderem desfazer-se a qualquer momento, fazendo-nos desejar que tal nunca aconteça pela beleza estonteante que revelam. Graças a um amigo, já sei que o próximo disco se chamará "Declaration Of Dependence". Espera-se que siga as boas indicações deste single.


Para ouvir - "Mrs. Cold"

sábado, 18 de julho de 2009

Música nova - Rakim

O homem que se intitula "The God MC" regressou após prolongada ausência, e tenho que agradecer ao RMA por me ter chamado a atenção para esta música. O que aqui temos é MCing de excepção. Aquele onde tudo flui como sangue nas veias de um indivíduo 100% saudável, e soa poderoso como a voz de um chefe de claque sóbrio (caso raro, é verdade)! Rakim não perde tempo a assumir-se, mais uma vez, como a melhor prenda que o hiphop alguma vez recebeu das entidades divinas, usando as suas habituais referências religiosas e cosmológicas para falar dos seus "skills". A produção mantém uma base boom-bap, importada do início da sua carreira nos anos 80, mas também lhe adiciona alguns sintetizadores enrolados que fazem com que não esteja fora do lugar em 2009. Aliás, talento assim nunca está fora do lugar, digam o que disserem!

Para ouvir - "Holy Are You"

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Primer da Wire - Jazz visionário inglês



- Michael Garrick Quintet feat Joe Harriott & Shake Keane "October Woman/Anthem"

- Michael Garrick Trio "Moonscape" (10")

- The Mike Westbrook Concert Band "Celebration"

- Mike Westbrook "Metropolis"

- John Surman/Alan Skidmore/Tony Oxley "Jazz In Britain 68-69"

- Alan Skidmore "Once Upon A Time"

- Graham Collier Sexter/Graham Collier Nusic "Down Another Road"/"Songs For My Father"/"Mosaics"

- John McLaughlin Trio "Extrapolation"

- John Surman/The Trio "Glancing Backwards: The Dawn Anthology"

- The Don Rendell/Ian Carr Quintet "Change Is"

- Michael Garrick Sextet "The Heart Is A Lotus"

- Nucleus "Elastic Rock"/"We'll Talk About It Later"

- Nucleus "Hemispheres"

- Nucleus "Live In Bremen"

- The Keith Tippett Group "Dedicated To You, But You Weren't Listening"

- Harry Beckett "Flare Up"

- Henry Lowther Band "Child Song"

- John Surman & John Warren "Tales Of The Algonquin"

- John Surman "Morning Glory"

- Centipede "Septober Energy"

- Coxhill/Miller/Miller/Coxhill "The Story So Far...Oh Really?"

- Neil Ardley "Kaleidoscope Of Rainbows"

Reforços 2009/2010 - 4

Mame Diouf avançado senegalês ex-Molde



Não faço ideia quem seja, mas parece que marcou 12 golos em 16 jogos no campeonato norueguês. Boa sorte e bem vindo a Old Trafford!

Cymbals Eat Guitars "Why There Are Mountains"



Este é daqueles discos que, mantendo uma base mais ou menos fixa, estende as suas arestas na direcção de vários campos. Os Cymbals Eat Guitars, banda de quatro elementos de Staten Island, têm como coordenadas principais do seu som o rock épico dos The Walkmen, e a melodia idiossincrática dos Pavement. A partir daí, tanto se podem atravessar planícies progressivas, em que as canções mudam várias vezes de registo enquanto tocam, e onde não faltam, às vezes, violinos ou sopros, ou podemos, muito simplesmente, fazer um power-pop devedor da tradição americana. No fundo, é um disco que cria fascínio pela ambição e desenvoltura. Faltar-lhe-à, talvez, um conjunto mais memorável de canções, e uma originalidade mais vincada, sem deixar de ser uma audição bem prazenteira.


Para ouvir - "Wind Phoenix"

quinta-feira, 16 de julho de 2009

Moss "Tombs Of The Blind Drugged"



Nada como os MySpaces para nos ajudar nesta coisa de escrever sobre uma banda. No caso dos Moss, eles definem-se como "Occult Horror Doom". E é uma bela definição, se pensarmos que aqui existem as guitarras lentas e pesadonas, que parecem reverberar eternamente do doom metal, às quais se juntam vozes agudas, como que vindas de uma clareira distante, que costumam ser vistas nos discos de black metal. Estamos muito longe, no entanto, das velocidades deste último, decorrendo a música a passo arrastado, com bateria e, sobretudo, címbalos que explodem a intervalos regulares, fazendo-nos dar mais uma volta no carrocel. Atmosfera excelentemente construída, para um grupo inglês que pode subir ao topo do seu género se continuar a evoluír.

Para ouvir - MySpace da banda

Música nova - Why?



Para ser sincero, "The Blackest Purse" é uma canção como deve ser. Não posso, nem quero, negar que gosto de ouvir esta melodia vocal retorcida, este piano esqueléctico a acompanhar, e todo este ambiente de sala arrebentada, cheia de espaço. Então porque considero esta faixa uma desilusão? Acontece que Why?, quer seja Yoni Wolf a solo pós-Clouddead, quer já com banda de 3 elementos, tinha tudo isto antes, mas triturado com uma dose de saudável loucura que parece estar ausente aqui. E quando nos habituámos a tal loucura, o que aqui aparece soa demasiado convencional, como se bastasse trocar o piano por uma guitarra eléctrica para a música se juntar sem destoar a uma qualquer playlist indie-conservadora. Veremos como sai o resto do álbum.


Para ouvir - "The Blackest Purse"

quarta-feira, 15 de julho de 2009

These Are Powers "All Aboard Future"



Trio que reparte as suas origens por Brooklyn e Chicago, os These Are Powers apresentam uma música onde se vislumbram várias possíveis ascendências, que se agrupam para formar um todo excitante e original, ideal para vários espasmos durante a audição. A voz de Anna Barie faz lembrar uma Karen O sob o efeito de poderosos opiáceos num minuto, e anfetaminas no outro, ou mesmo os agudos desolados dos pouco divulgados Prinzhorn Dance School. O espaço entre a pouca, mas hiperactiva, instrumentação, não desdenharia aos Public Image Limited de "Metal Box", embora sem o baixo de Jah Wobble, e com a bateria substituída por ruídos electrónicos de estrutura molecular incomum, electrónica essa que poderá ter pontos de contacto com alguns discos dos Black Dice. Regue-se tudo isto com uma dose de dissonância no wave, e temos um disco que arranha de forma bem agradável os canais auditivos. Boa violência.

Para ouvir - "Blue Healer"

Alela Diane "To Be Still"



Está tudo no lugar certo neste disco. A voz é limpinha, a instrumentação folk-country tem toda a melodia que devia ter, da guitarra acústica ao banjo e violino, e as melodias são docinhas. O problema é que eu, como disse há uns dias atrás, estou completamente farto deste género musical. Hoje em dia tem alguma relevância fazer mais um disco de cantautor(a) folk-country com tudo muito bonitinho e certinho? A sensação é de redundância inescapável, como se se pudesse trocar este disco por uma centena de outros. Recomendado apenas para quem não se importa de ter mais um na colecção.

Para ouvir - "White As Diamonds"

terça-feira, 14 de julho de 2009

Músicas incompreendidas - 3

Madness "House Of Fun"

São uns malucos, não são? A cantar sobre uma "House Of Fun"? É só paródia! E o que diz a letra no início?

"Good morning miss
Can I help you son?
Sixteen today
And up for fun
I'm a big boy now
Or so they say
So if you'll serve
I'll be on my way"

E o resto da letra, e a própria palavra da banda, indicam uma história diferente. Isto é uma letra sobre um adolescente a comprar preservativos pela primeira vez. Daí ele dizer "Now I've come of age". Todo o resto da letra fala da atrapalhação e dores de crescimento associadas a tal momento. A culpa é, claro, dos vídeos e do tom vaudevillesco da música.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Mordant Music "Picking O'er The Bones"



Informações sobre a identidade de Mordant Music existem net afora. O que interessa sobre este disco, de músicas próprias e outras feitas pelo dubstepper Shackleton, é ser um pedaço de electronica de grandes propriedades evocativas, quer nos ritmos, quer nas melodias. Shackleton faz bom uso do seu género de eleição, proporcionando as atmosferas de insegurança que nos habituámos a associar-lhe, usando ritmos como passos apressados e inseguros. Por sua vez, o colectivo Mordant Music procura obter um efeito similar, mas recorrendo também às melodias enganadoramente simples da electronica brit da primeira metade dos anos 90. Isto cria diversidade no disco, sem que alguma vez a coesão se perca. São 70 minutos para dar asas à imaginação, e desejar nunca ser o protagonista desta música.

Para ver - "24 Million Or Sell Neverland"