segunda-feira, 27 de julho de 2009

A Hawk And A Hacksaw "Delivrance"



O duo americano continua a fazer evoluír o seu som, absorvendo as influências dos pontos por onde passam. "Delivrance", quarto longa-duração da banda, é, talvez, o seu disco mais animado até agora. Tanto o acordeão de Jeremy Barnes, como o violino de Heather Trost, e os diversos músicos que os acompanham, fazem uma música repleta de energia, ritmo e eufóricas melodias. Aqui cabe um enorme desejo de desatar a dançar, sem ter que recorrer aos mais básicos truques "balcânicos" (o disco foi em grande parte feito com músicos húngaros), mas nem por isso falamos de música cerebral. É, simplesmente, talento e musicalidade ao serviço de uma óptima festa. Uma banda que encaixaria muito bem em Sines.

Para ver - "I Am Not A Gambling Man"

domingo, 26 de julho de 2009

FC SEOUL 2 MANCHESTER UNITED 3

0:20 - 1-0 Damnjanovic



1:26 - 1-1 Rooney



2:45 - 2-1 Damnjanovic



4:00 - 2-2 Macheda



5:15 - 2-3 Berbatov



Desculpem a falta dos minutos. Uma cabeçada magistral de Berbatov obtém mais uma vitória difícil para o United.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Música nova - Beastie Boys & Nas



Não esperaram até estarmos mais perto do lançamento de "Hot Sauce Committee pt.1", nem que MCA melhore do cancro das glândulas salivares (as melhoras, pá!) Os Beastie Boys recrutam o também já veterano Nasir Jones, e lançam mais um dos seus habituais desafios aos "rivais". "Too many rappers and still not enough MCs". E nada de enganos, estes tipos são MCs à moda antiga, e exibem-no. A capacidade de interacção nos microfones de Ad-Rock, MCA e Mike D continua a não ter paralelo, parecendo funcionar por telepatia pura. Não estamos perante grandes inovações, permanecendo o estilo clássico já utilizado em "To The 5 Boroughs", aqui adequado a uma qualquer perseguição automóvel dos 70s tão adorados pelos Beasties. Continuam a saber fazê-lo e a soarem relevantes. Que possam estar a 100% muito em breve.

Para ouvir - "Too Many Rappers"

Música nova - The Flaming Lips



A banda de Wayne Coyne, Michael Ivins e Steven Drozd não perdeu o gosto pela surpresa, e nestes dois avanços para "Embryonic" estamos bastante longe dos sons de "The Soft Bulletin" ou "Yoshimi Battles The Pink Robots". No primeiro caso, os Lips parecem ter querido fazer um parente amarfanhado de "Astronomy Domine" dos Pink Floyd, cheio de reverberações krautrock, e gritos recheados de eco. No segundo, ouvimos guitarras pesadas e esquizóides como há não lhes era habitual, talvez desde "Transmissions From The Satellite Heart" de 1993, e para além disso o ambiente criado é muito mais sinistro do que lhes tem sido habitual, sem qualquer vestígio do deslumbramento infantil de uma "Do You Realize?". Ou seja, temos mudança. Para já, é muito boa. Siga o disco.

Para ouvir - "Silver Trembling Hands" e "Convinced Of The Hex"

Opal "Happy Nightmare Baby"



Este disco não se encontra à venda nas lojas, e só foi possível descobri-lo através da gentileza da Internet. Trata-se de uma banda dos anos 80, na qual participavam David Roback e Hope Sandoval, futuros Mazzy Star, mas cuja vocalista era Kendra Smith, ex-Dream Syndicate. O percurso em direcção ao som da banda de "Among My Swan" já era visível, se atentarmos na languidez e tom encantatório das vozes. Contudo, o lado instrumental denota uma maior influência dos ensinamento do psicadelismo dos 60s-70s, e dos Velvet Underground, pelo que talvez seja mais correcto colocá-los ao lado de bandas suas contemporâneas como os Yo La Tengo e os Galaxie 500. Quem se aventurar na descoberta terá aqui 11 canções narcóticas e expansivas, encharcadas de psicadelismo do bom.

Podem testar o disco aqui.

Para ouvir - "Magick Power"

quarta-feira, 22 de julho de 2009

El Michels Affair "Enter The 37th Chamber"



Não tem nada que saber. Um grupo de indivíduos resolve homenagear os eminentemente homenageáveis Wu-Tang Clan, e sai um disco com versões "orgânicas" dos instrumentais de clássicos como "C.R.E.A.M.", "Glaciers Of Ice" ou "Incarcerated Scarfaces". Poderá parecer um conceito algo limitado, mas a verdade é que existe aqui muita qualidade, sobretudo na maneira como as músicas swingam por si só, demonstrando que a música dos Wu (e respectivos projectos a solo) abre espaço para interpretações que valorizam o uso de instrumentos como o baixo, a bateria ou o piano, sem falar nos sopros e, por vezes, violinos que os acompanham. Enquanto se aguardam mais novidades do campo Wu, é bom lembrar a história com a ajuda desta troupe.

Para ouvir - "Protect Ya Neck"

Música nova - Thom Yorke ou Radiohead?

Thom Yorke cantou isto num concerto a solo englobado num festival em Inglaterra, pelo que é impossível, para já, saber qual o futuro desta música. Examinando-a apenas pelos dados disponíveis, isto é, voz e guitarra acústica, observa-se nela o tom lânguido de "Weird Fishes (Arpeggi)" na parte inicial, ajudada pela sempre fantástica voz de Yorke. Com o passar do tempo, e a chegada da parte instrumental, o passo estuga, e, se pensarmos em Ed O'Brien e Johnny Greenwood a tocar por cima, poderemos talvez chegar ao estado de encantamento transportado a falsetes de uma "I Might Be Wrong". Aliás, mesmo que isto vá pertencer ao sucessor de "The Eraser", o mais provável é ter muitas coisas por cima. Sendo assim, apreciemo-la, para já, como o belo esqueleto que é.

Para ver - "The Present Tense"

Música nova - Rain Machine



O mentor deste projecto é Kyp Malone, figura de proa nos excelentes TV On The Radio. E o que se pode dizer é que Malone não perdeu nenhum dos seus pontos fortes no primeiro single lançado sob o pseudónimo Rain Machine. O tilintar de badalos e outros sucedâneos dá o mote para a entrada de guitarras garage-rock, comprimidas para efeito trepanador extra, e para a voz cheia de soul, funk, rock e swing de Kyp Malone, na senda do que tem sido a carreira dos TV On The Radio, onde divide o protagonismo com Tunde Adebimpe. O refrão repete o título da música como uma ordem à qual não queremos resistir, apoiada em segundas vozes femininas. E ainda há espaço para batidas e palmas que não estão longe do r&b. É já um dos singles do ano.


Para ouvir - "Give Blood"

terça-feira, 21 de julho de 2009

MALÁSIA 0 MANCHESTER UNITED 2

0-1 Macheda 11'



0-2 Owen 13'



Dois golos cedo resolvem o segundo jogo da pré-época do United, preparando a equipa para desafios mais complicados.

Música nova - Atlas Sound & Panda Bear


Um casamento que se anunciaria feliz, e assim aconteceu. Dois músicos que estiveram na mesma noite no piso de baixo do Lux juntam as suas especialidades, e apesar do todo não ser maior que a soma das partes, as partes já são suficientemente valorosas para que os resultados sejam louváveis. A boa puerilidade shoegaze rudimentar de Bradford "Atlas Sound" Cox (também dos Deerhunter) oferece uma base adequada para que Noah "Panda Bear" Lennox (dos Animal Collective, caso alguém que esteja a ler não saiba) sobre ela deposite a seu pop mágico-realista, qual Brian Wilson a esquecer os sinfonismos e a atirar água para cima dos outros banhistas. Faixa concisa e causadora de boa disposição, ficaria bem dentro de "Person Pitch", último álbum de Panda Bear.

Para ouvir - "Walkabout"

Música nova - Kings Of Convenience

O gosto de Eirik Boe e Erlend Oye pela bossa nova não é surpresa para ninguém que os acompanhe desde o início. E as versões que marcaram os concertos em Portugal são prova disso mesmo. Este é, no entanto, talvez o single em que essa influência aparece mais claramente, sobretudo na forma como a guitarra é dedilhada, criando uma melodia e um ritmo de que João Gilberto teria orgulho, caso saísse de casa mais vezes. Estes são os Kings Of Convenience no seu melhor, criadores de melodias perfeitas como cristal austríaco, e com o mesmo ar de poderem desfazer-se a qualquer momento, fazendo-nos desejar que tal nunca aconteça pela beleza estonteante que revelam. Graças a um amigo, já sei que o próximo disco se chamará "Declaration Of Dependence". Espera-se que siga as boas indicações deste single.


Para ouvir - "Mrs. Cold"

sábado, 18 de julho de 2009

Música nova - Rakim

O homem que se intitula "The God MC" regressou após prolongada ausência, e tenho que agradecer ao RMA por me ter chamado a atenção para esta música. O que aqui temos é MCing de excepção. Aquele onde tudo flui como sangue nas veias de um indivíduo 100% saudável, e soa poderoso como a voz de um chefe de claque sóbrio (caso raro, é verdade)! Rakim não perde tempo a assumir-se, mais uma vez, como a melhor prenda que o hiphop alguma vez recebeu das entidades divinas, usando as suas habituais referências religiosas e cosmológicas para falar dos seus "skills". A produção mantém uma base boom-bap, importada do início da sua carreira nos anos 80, mas também lhe adiciona alguns sintetizadores enrolados que fazem com que não esteja fora do lugar em 2009. Aliás, talento assim nunca está fora do lugar, digam o que disserem!

Para ouvir - "Holy Are You"

sexta-feira, 17 de julho de 2009

Primer da Wire - Jazz visionário inglês



- Michael Garrick Quintet feat Joe Harriott & Shake Keane "October Woman/Anthem"

- Michael Garrick Trio "Moonscape" (10")

- The Mike Westbrook Concert Band "Celebration"

- Mike Westbrook "Metropolis"

- John Surman/Alan Skidmore/Tony Oxley "Jazz In Britain 68-69"

- Alan Skidmore "Once Upon A Time"

- Graham Collier Sexter/Graham Collier Nusic "Down Another Road"/"Songs For My Father"/"Mosaics"

- John McLaughlin Trio "Extrapolation"

- John Surman/The Trio "Glancing Backwards: The Dawn Anthology"

- The Don Rendell/Ian Carr Quintet "Change Is"

- Michael Garrick Sextet "The Heart Is A Lotus"

- Nucleus "Elastic Rock"/"We'll Talk About It Later"

- Nucleus "Hemispheres"

- Nucleus "Live In Bremen"

- The Keith Tippett Group "Dedicated To You, But You Weren't Listening"

- Harry Beckett "Flare Up"

- Henry Lowther Band "Child Song"

- John Surman & John Warren "Tales Of The Algonquin"

- John Surman "Morning Glory"

- Centipede "Septober Energy"

- Coxhill/Miller/Miller/Coxhill "The Story So Far...Oh Really?"

- Neil Ardley "Kaleidoscope Of Rainbows"

Reforços 2009/2010 - 4

Mame Diouf avançado senegalês ex-Molde



Não faço ideia quem seja, mas parece que marcou 12 golos em 16 jogos no campeonato norueguês. Boa sorte e bem vindo a Old Trafford!

Cymbals Eat Guitars "Why There Are Mountains"



Este é daqueles discos que, mantendo uma base mais ou menos fixa, estende as suas arestas na direcção de vários campos. Os Cymbals Eat Guitars, banda de quatro elementos de Staten Island, têm como coordenadas principais do seu som o rock épico dos The Walkmen, e a melodia idiossincrática dos Pavement. A partir daí, tanto se podem atravessar planícies progressivas, em que as canções mudam várias vezes de registo enquanto tocam, e onde não faltam, às vezes, violinos ou sopros, ou podemos, muito simplesmente, fazer um power-pop devedor da tradição americana. No fundo, é um disco que cria fascínio pela ambição e desenvoltura. Faltar-lhe-à, talvez, um conjunto mais memorável de canções, e uma originalidade mais vincada, sem deixar de ser uma audição bem prazenteira.


Para ouvir - "Wind Phoenix"