sexta-feira, 31 de julho de 2009

La Roux "La Roux"



Elly Jackson, a vocalista deste duo (sim, La Roux são dois, como os Goldfrapp) pode ser considerada um oposto vocal de David Gahan. Isto porque o seu modo favorito de expressão é o agudo. Claro que as hipóteses de ter uma carreira de contornos Depechianos não devem ser muitas. O que importa agora é avaliar este disco, e posso, neste caso, afirmar que estamos perante um óptimo pedaço de synth-pop, naquele que tem sido um ano fantástico para o género. Não só Jackson sabe perfeitamente como colocar a tão importante sexualidade gelada nas melodias, como também consegue prender a atenção de ponta a ponta nas músicas, algo em que não está muito longe dos Ladytron, pese as diferenças na parte instrumental. A parte que cabe a Ben Langmaid prefere servir os sons em pequenas porções, tornando-os fulcrais no dinamismo das canções. Pelo menos, como início de carreira, seria difícil desejar melhor sorte.

Para ouvir - "Tigerlily"

Red Red Meat "Bunny Gets Paid"



Reedição de um disco de 1995, e que agora descobri. Banda onde pontificavam Tim Rutilli e Ben Massarella, que hoje fazem parte dos excelentes Califone. E posto isto, claro que a primeira pergunta é: Que semelhanças? Estas encontram-se, por exemplo, na peculiar voz slacker-americana de Rutilli, e no tom de lâminas enferrujadas que as guitarras possuem. Os riffs nunca são aquilo que nos habituámos a chamar de "fortes", antes criam texturas que afundam a voz em ambientes mais surreais - como as letras de Rutilli - e deformam o blues, a folk, a country e géneros aparentados. Ainda não encontramos aqui a experimentação aberta dos Califone, algo que coloca, digo eu, os Red Red Meat ainda aquém desta banda. Mas "Bunny Gets Paid" não deixa de ser um óptimo e inventivo disco de transfiguração de muita música que nos habituámos a ouvir de forma mais "clássica".

Para ver - "Chain Chain Chain"

quinta-feira, 30 de julho de 2009

MANCHESTER UNITED 2 BOCA JUNIORS 1

1-0 Anderson 23'



2-0 Valencia 41'



2-1 Insua 55'



Anderson estreia-se a marcar, Valencia marca na estreia, e o United chega à final da Audi Cup para defrontar o Bayern.

O auge da carreira

Já me foi dito, e não posso discordar, que toda a atenção dada a Cristiano Ronaldo nos media após a transferência para o Real Madrid, se deve ao dinheiro pago, e não exactamente ao clube em questão. Mas, embora tenha confiança na "sobrevivência" do Manchester United sem Ronaldo, não posso esconder a irritação que me causa a forma como Ronaldo é tratado como tendo chegado ao pico da carreira em termos desportivos. Parece que antes estava num clubezeco qualquer, e agora sim, está num sítio consonante com o seu talento. Ter sido tricampeão da Premier League, local de onde saíram 5 dos 8 últimos finalistas da Champions League, parece apenas uma nota de rodapé.

Ronaldo já disse que uma das razões porque quis sair de Manchester foi o facto de já ter ganho tudo com essa camisola. Seria bonito um bocadinho mais de consideração, ao invés de se tratar o Real Madrid de uma forma tão exagerada.

Pet Shop Boys "Yes"



Regresso inspiradíssimo este do duo Neil Tennant - Chris Lowe. É certo que nem todas as músicas contém o toque pop-detonador dos Xenomania, mas não só os dois singles - "Love, Etc" e "Pandemonium" - feitos com o colectivo são superlativos, e das melhores coisas deste ano, como parecem ter inspirado os Pet Shop Boys a escreverem alguma da sua música mais cativante. Não é que o segredo da sua magia se tenha alterado. Neil Tennant continua a ter das vozes mais carismáticas da pop, fazendo as sílabas ressoar na sua boca como se a mesma fosse um aquário redondo do tamanho de uma casa, e utilizando cada verso e refrão para criar melodias extraordinárias. O resto é completar o quadro com a habitual electrónica que tanto quer ser uma festa disco-hi-nrg-pop deslavada, como um belo copo de vodka após o regresso a casa. E nem faltam guitarras e harmónica neste disco. Imprescindível a todos os fãs de pop.

Para ouvir - "The Way It Used To Be"

quarta-feira, 29 de julho de 2009

Frases - TT



"Às vezes dizer 'amor' é lamechas, mas há maneiras de fazer com que fique leve e bacano"

Da próxima vez que alguém tentar engatar uma pita de 15 anos cantando-lhe uma música de TT, tente defender-se dizendo que estava apenas a ser "leve e bacano".

The Phenomenal Handclap Band "The Phenomenal Handclap Band"



Não só temos aqui uma banda com um nome engraçadote, temos também uma banda que faz dos anos 70 aparentemente a sua maior inspiração. Numa jornada que começa com uma música chamada "Journey To Serra Da Estrela" (não sei se motivada por alguma estadia na mesma), passamos por géneros habitualmente associados à época, como sejam as guitarras e ritmos pacatos do soft-rock, orgãos e sintetizadores que pintalgaram algumas canções soul, funk ou disco, e secções rítmicas que pulularam na intersecção entre a new wave e o disco, não estando muito distantes dos Blondie ou Tom Tom Club, no caso de "15 To 20". Podemos também lembrar o recente disco de Map Of Africa, cuja subversão/homenagem aos cânones do soft-rock tantos elogios recolheu. Devo dizer, no entanto, que um bocadinho mais de vivacidade não ficava nada mal a este disco. Talvez evoluam nesse sentido.

Para ver - "You'll Disappear"

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Músicas incompreendidas - 4

The Cardigans "Lovefool"

Esta é outra daquelas músicas que vai parar a compilações românticas, tudo graças a um refrão que diz "Love me love me / Say that you love me". O problema é que a frase seguinte é "Fool me fool me / Go on and fool me". Mais do que uma declaração de amor belo e apaixonado, a protagonista da canção é incapaz de se aperceber que o objecto da sua paixão não sente nada por ela, e apenas a engana com palavras bonitas. A canção faz até menção aos avisos da família. As canções supostamente românticas são sempre uma boa fonte de enganos.

HANGZHOU GREENTOWN 2 MANCHESTER UNITED 8

O jogo já foi ontem, e não me lembro de a que minutos foram marcados os golos. Fica o resumo:



A vitória mais expressiva do United na pré-época até agora. O próximo teste prevê-se mais difícil, frente ao Boca Juniors.

A Hawk And A Hacksaw "Delivrance"



O duo americano continua a fazer evoluír o seu som, absorvendo as influências dos pontos por onde passam. "Delivrance", quarto longa-duração da banda, é, talvez, o seu disco mais animado até agora. Tanto o acordeão de Jeremy Barnes, como o violino de Heather Trost, e os diversos músicos que os acompanham, fazem uma música repleta de energia, ritmo e eufóricas melodias. Aqui cabe um enorme desejo de desatar a dançar, sem ter que recorrer aos mais básicos truques "balcânicos" (o disco foi em grande parte feito com músicos húngaros), mas nem por isso falamos de música cerebral. É, simplesmente, talento e musicalidade ao serviço de uma óptima festa. Uma banda que encaixaria muito bem em Sines.

Para ver - "I Am Not A Gambling Man"

domingo, 26 de julho de 2009

FC SEOUL 2 MANCHESTER UNITED 3

0:20 - 1-0 Damnjanovic



1:26 - 1-1 Rooney



2:45 - 2-1 Damnjanovic



4:00 - 2-2 Macheda



5:15 - 2-3 Berbatov



Desculpem a falta dos minutos. Uma cabeçada magistral de Berbatov obtém mais uma vitória difícil para o United.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

Música nova - Beastie Boys & Nas



Não esperaram até estarmos mais perto do lançamento de "Hot Sauce Committee pt.1", nem que MCA melhore do cancro das glândulas salivares (as melhoras, pá!) Os Beastie Boys recrutam o também já veterano Nasir Jones, e lançam mais um dos seus habituais desafios aos "rivais". "Too many rappers and still not enough MCs". E nada de enganos, estes tipos são MCs à moda antiga, e exibem-no. A capacidade de interacção nos microfones de Ad-Rock, MCA e Mike D continua a não ter paralelo, parecendo funcionar por telepatia pura. Não estamos perante grandes inovações, permanecendo o estilo clássico já utilizado em "To The 5 Boroughs", aqui adequado a uma qualquer perseguição automóvel dos 70s tão adorados pelos Beasties. Continuam a saber fazê-lo e a soarem relevantes. Que possam estar a 100% muito em breve.

Para ouvir - "Too Many Rappers"

Música nova - The Flaming Lips



A banda de Wayne Coyne, Michael Ivins e Steven Drozd não perdeu o gosto pela surpresa, e nestes dois avanços para "Embryonic" estamos bastante longe dos sons de "The Soft Bulletin" ou "Yoshimi Battles The Pink Robots". No primeiro caso, os Lips parecem ter querido fazer um parente amarfanhado de "Astronomy Domine" dos Pink Floyd, cheio de reverberações krautrock, e gritos recheados de eco. No segundo, ouvimos guitarras pesadas e esquizóides como há não lhes era habitual, talvez desde "Transmissions From The Satellite Heart" de 1993, e para além disso o ambiente criado é muito mais sinistro do que lhes tem sido habitual, sem qualquer vestígio do deslumbramento infantil de uma "Do You Realize?". Ou seja, temos mudança. Para já, é muito boa. Siga o disco.

Para ouvir - "Silver Trembling Hands" e "Convinced Of The Hex"

Opal "Happy Nightmare Baby"



Este disco não se encontra à venda nas lojas, e só foi possível descobri-lo através da gentileza da Internet. Trata-se de uma banda dos anos 80, na qual participavam David Roback e Hope Sandoval, futuros Mazzy Star, mas cuja vocalista era Kendra Smith, ex-Dream Syndicate. O percurso em direcção ao som da banda de "Among My Swan" já era visível, se atentarmos na languidez e tom encantatório das vozes. Contudo, o lado instrumental denota uma maior influência dos ensinamento do psicadelismo dos 60s-70s, e dos Velvet Underground, pelo que talvez seja mais correcto colocá-los ao lado de bandas suas contemporâneas como os Yo La Tengo e os Galaxie 500. Quem se aventurar na descoberta terá aqui 11 canções narcóticas e expansivas, encharcadas de psicadelismo do bom.

Podem testar o disco aqui.

Para ouvir - "Magick Power"

quarta-feira, 22 de julho de 2009

El Michels Affair "Enter The 37th Chamber"



Não tem nada que saber. Um grupo de indivíduos resolve homenagear os eminentemente homenageáveis Wu-Tang Clan, e sai um disco com versões "orgânicas" dos instrumentais de clássicos como "C.R.E.A.M.", "Glaciers Of Ice" ou "Incarcerated Scarfaces". Poderá parecer um conceito algo limitado, mas a verdade é que existe aqui muita qualidade, sobretudo na maneira como as músicas swingam por si só, demonstrando que a música dos Wu (e respectivos projectos a solo) abre espaço para interpretações que valorizam o uso de instrumentos como o baixo, a bateria ou o piano, sem falar nos sopros e, por vezes, violinos que os acompanham. Enquanto se aguardam mais novidades do campo Wu, é bom lembrar a história com a ajuda desta troupe.

Para ouvir - "Protect Ya Neck"