quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Música nova - Wild Beasts



Se dizem que um passo atrás pode valer dois à frente, não serão os Wild Beasts que o irão provar desde já. Apenas provam que o passo atrás que dão, até por volta de 1983, é bastante preferível a outros que preferem voltar ao 2004 que voltava a 1980 e deixava as partes interessantes de lado. O 1983 a que a banda de Hayden Thorpe presta as suas homenagens é, como bem li noutros sítios, aquele cujas sonoridades são marcadas pelos Orange Juice e pelos The Smiths. Temos a melodia vocal de crooner que nunca chegou às grandes casas de espectáculo, temos a guitarra-campaínha que tanto faz ritmo como melodia, temos a bateria omnipresente e hiperactiva a marcar o compasso, e obtemos pop literata para conquistar os corações de novatos e veteranos. Seria bom que conseguissem ao menos o sucesso que os detestáveis Glasvegas têm conseguido.

Para ouvir - "All The King's Men"

MANCHESTER UNITED 2 ARSENAL 1

0-1 Arshavin 39'



1-1 Rooney 58' (pen)



2-1 Diaby 63' (pb)



Vitória suada e importante do United antes do interregno para os jogos das selecções.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Someday you will find us...

Foram bons anos. Não sei se algum dia voltarão. Já não seria a primeira ameaça. Se fôr a sério, então obrigado por darem um bom nome à ambição e arrogância de saberem que pertencem num estádio, com 100000 pessoas a berrar todas as letras!

El-B "The Roots Of El-B"



Lewis Beadle não tem andado muito activo desde que o dubstep suplantou o UK Garage/2-step sob os holofotes mediáticos. E no meu caso isso não espanta, porque nunca fui de ligar muito ao 2-step. Sempre me pareceu uma versão demasiado yuppie "sofisticada" do r&b e do drum n'bass. Mas esta colectânea dos trabalhos de El-B vale bem a pena ouvir, englobando uma série de produções em nome próprio, sob o nome Ghost, e remisturas para outros artistas, em que o lado mais pop-de-fato-e-gravata do 2-step tem pouca expressão. No seu lugar, encontramos os sub-graves do drum n'bass, ritmos sacados ao hip-hop, a soca (diz o booklet, eu não sei identificá-los), ao dancehall, ao dub e ao ragga, combinados com o abanar quebrado próprio do UK Garage. Aquela mistura tão brit de músicas americanas, inglesas, jamaicanas e outras caribenhices, que propicia festa para as articulações para onde quer que vá. E aqui a mente não é esquecida durante 78 bons minutos.

Para ouvir - "Digital"

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

DM Stith "Heavy Ghost"



A Internet não contém muitas fotos de David Michael Stith, e talvez isso tenha alguma relação com o tom geral da sua música. Filho de pais com treino clássico, Stith exibe um cuidado apurado na delicadeza e depuração dos arranjos de "Heavy Ghost". Trata-se, assim, de um disco feito de um envolvente impressionismo, em que as palavras e os suaves sons de guitarras, pianos, ou pequenos ruídos percutivos tentam, paradoxalmente, atropelar-se uns aos outros, e ao mesmo tempo respeitar escrupulosamente o espaço que cada um ocupa. Neste sentido, é possível encontrar comparações com "Close To Paradise" de Patrick Watson, obtendo a mesma sensação de imersão num mundo que funciona a uma corrente e velocidade individualizadas. Porventura, seria desejável que existessem menos canções/esboços de tão curta duração, mas isso não invalida que "Heavy Ghost" mereça destaque pelo que oferece.

Para ver - "Pity Dance"


DM Stith- Pity Dance from Asthmatic Kitty on Vimeo.

Sorteio da Liga dos Campeões

Os adversários do Manchester United são:

- CSKA Moscovo

- Besiktas

- Wolfsburgo

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Crippled Black Phoenix "The Resurrectionists"



"The Resurrectionists" é um disco bonito. Simplesmente é tão "bonito" que cansa. Começa muito bem, com notórias influências dos Pink Floyd fase 1973-79, sobretudo nas guitarras bolha-de-sabão-a-plocar, e na voz virada para dentro. Depois é que surgem alguns problemas, nomeadamente a existência de músicas que se aproximam perigosamente de versões acústicas de rock fm conforme o entendemos em rádios americanas de 2009. Passa-se por situações em que a instrumentação fica a curta distância de igualar o delírio do eixo Godspeed You Black Emperor/A Silver Mt Zion, sendo essa curta distância o que separa este disco entre ser razoável e ser bom (muito bom nunca poderia ser, devido ao que disse na frase anterior). Em suma, ouça quem gostar de uma voz que nunca deixa de ser carinhosa e evocativa, mas evite-se para quem gostar de um pouco menos de delicadeza no seu "peso".

Para ouvir - "Crossing The Bar"

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Adeus Selecção Portuguesa(?)

Deco não me incomodou, Pepe não me incomodou, Obikwelu não me incomodou, Liedson incomoda-me. A partir do momento em que se "contratam" jogadores para uma selecção como se se tratasse de um clube, ela já não significa nada. Não agitei a bandeira portuguesa durante as últimas competições de selecções por nacionalismos. Agitei porque, foda-se, é giro torcermos pelo nosso país numa competição. É giro juntar um grupo homogéneo assim e disputar torneios contra grupos semelhantes. É da mesma maneira como consigo falar na boa com amigos que torcem pelo Liverpool. Sim, sou adepto do Manchester United. E não gostaria de os ver disputar a liga italiana ou espanhola. Por mim, o Queiroz, o Madaíl e todos os outros podem ir para o real CQOF. Esta selecção está morta e enterrada para mim, e recusar-me-ei a ver qualquer jogo dela.

Músicas incompreendidas - 5

The Police "Every Breath You Take"

Esta coisa das músicas românticas parece ser, sem dúvida, o campo em que mais se cometem estes enganos. E valha a verdade, não é difícil pensar na música assinalada como uma bela demonstração de amor e paixão. Pena que se trate de um caso em que um dos lados não se sente propriamente lisonjeado pela atenção gerada. A música é sobre "stalking", daí ele dizer sempre "I'll be watching you". Mas enfim, se acham "How my poor heart aches with every step you take" algo que mostra uma tremenda paixão entre duas pessoas, quem sou eu para discordar, excepto o gajo que inventou esta rubrica para este blog?

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

WIGAN 0 MANCHESTER UNITED 5

0-1 Rooney 55'



0-2 Berbatov 57'


Original Video- More videos at TinyPic

0-3 Rooney 64'


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0-4 Owen 84'


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0-5 Nani 90+1'


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Uma segunda parte de luxo do ataque do United permite recuperar da derrota em Burnley.

Edward Sharpe & The Magnetic Zeros "Up From Below"



Conjunto americano de 10 elementos, os Edward Sharpe & The Magnetic Zeroes dedicam-se ao conhecido ponto onde decorrem as intersecções da folk, country e rock, fazendo-o como uma mestria de melodias e arranjos que resultam num disco contagiante de energia ao estilo de uma boa "revue". O uso de sopros, e consequente ar de grandiosidade e euforia, pode levar a pensar no disco deste ano de Elvis Perkins. Mas a banda estende a sua toalha ainda a outros géneros, como sejam o swing/rockabilly (atente-se no piano tão "barrelhouse" nalguns casos, ou na secção rítmica doutros), e a música latino-americana, dum jeito que não remete para o mariachi dos Calexico, mas para outro tipo de sensualidade. "Up From Below" adequa-se a todos aqueles para quem uma boa junção de danças "tradicionais" faça todo o sentido.

Para ver - "Janglin" ao vivo

sábado, 22 de agosto de 2009

My Toys Like Me "Where We Are"


Desculpem a longa ausência. Muita coisa para ouvir.

Duo constituído pela Frances Noon, pelo multi-instrumentista Lazlo Legezer, e uma série de convidados, estes My Toys Like Me surgem como uma panaceia adequada para quem saudades dos bons tempos dos Laika, e de discos como "North Pole Radio Station" dos Pram. Isso quer dizer que temos por aqui uma voz que adopta um registo de infantilidade controlada, soando encantadora onde podia soar irritante. E uma colecção de arranjos que cosem divertidas peças de electrónica tic-tac, acompanhadas de guitarras em distorção ligeira, com participação de violinos, trompetes, flautas e xilofones noutras faixas. Música que se tece como teia de aranha de pequenos filamentos em volta dos neurónios. Boas coisas em embalagens pequenas.

Podem experimentar aqui.

Para ver - "Barnaby"

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

The Horrors "Primary Colours"



"Primary Colours" é um disco bastante adequado para quem estiver farto de duas coisas. Primeiro, das eternas digressões sem material novo dos Sisters Of Mercy. Segundo, da ausência de disco novo dos My Bloody Valentine. Se aqui é certo que falta a voz de Bilinda Butcher, não deixa de ser igualmente certo que a combinação de uma voz que remete para um Peter Murphy mais rockeiro, com guitarras que aprenderam muito com Kevin Shields, dá azo a um disco altamente dinâmico e contagiante. Depois de um começo que parecia destinado ao anonimato, os Horrors conseguem aqui insuflar nova vida nas suas canções, num encontro feliz entre shoegaze e goth-rock (lá está), com pequeninas pitadas de psychobilly, e orgão agudo omnipresente, que transmite doses consideráveis de energia cinética às articulações. A sedução faz-se à média-luz.

Para ouvir - "Three Decades"

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Música nova - Banjo Or Freakout



Esta música do inglês Alessio Nataliza apresenta uma estrutura bastante simples, todavia irresistível. O som de vinil ouvido no princípio engana, pois não se trata de qualquer raridade dubstep (sem desprimor, claro). "Upside Down" é dream-pop do mais puro que pode existir, sendo formado por três elementos principais. A voz veraneante e sonhadora de Nataliza, uma guitarra acústica que marca a melodia semi-percussiva, e um sintetizador discreto que vai servindo de certa maneira como metrónomo. Tudo aqui é propício a relaxamento, posição horizontal ou meditativa. E Nataliza não deixa as coisas por menos, aplicando a fórmula dos "Aaaahs" mais para o fim da música. Um belo oposto ao nome da banda.

Para ver - "Upside Down"

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Faith No More@Sudoeste

A primeira música tocada é uma cover de um êxito soul-pop. E não é tocada com guitarras aceleradas, nem voz de grunho. É isto, bandinhas de merda nu-metal, que vocês deviam ter aprendido há muito tempo. Os Faith No More não são uma banda feita exclusivamente para descarregar testosterona e raivinha adolescente monga. Nem são uma banda que despreze a pop, a soul e outros géneros em favor de tretas juvenis (mal) disfarçadas de "radicalismo". Mas chega desta diatribe. Fale-se do concerto. Do concerto do ano! Do primeiro concerto 10/10 desde que os Coments On Fire demoliram a ZdB! De um Mike Patton impressionante de voz, empenho, humor e energia! De uma banda que tanto condensa um épico dos Genesis em 5 minutos ("Land Of Sunshine"), como faz uma tangente ao thrash/death metal ("Cuckoo For Caca"), arrasta o hiphop para píncaros sinfónicos ("Epic"), afeiçoa-se do easy listening ("Just A Man"), brinca com o funk ("We Care A Lot"), inventa a soul-prog-rock ("Be Agressive"), canta em português ("Evidence"), e continua por aí afora. Foi daquelas alturas em que nada falhou, em que o único instinto era berrar euforicamente e abanar compulsivamente o corpo. Depois de um concerto destes, sente-se que valeu a pena esperar 4.5 horas. Obrigado, Faith No More!

Para ver - "Land Of Sunshine"