quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Lightning Bolt "Earth Delights"



Quando se fala dos Lightning Bolt, tem que se assumir que o som não sairá muito do esperado. Ou seja, o baixo vai soar como uma guitarra furiosa e distorcida, e a bateria será tão violenta como uma agulha que entra e sai constantemente do olho de uma pessoa. A questão seria se "Earth Delights" iria desiludir, e posso dizer que não o faz. Nesta fase do campeonato, nota-se um ritmo mais de pistão na música dos Brians Chase e Chippendale. O stoner-rock e o krautrock parecem ter sido influências na altura de criar este disco, com as músicas a possuirem grandes possibilidades de causarem desvios na coluna, tal é a energia cinética que impõem em quem as ouve. É caso para dizer que, se os Lightning Bolt já eram uma locomotiva, agora nem precisam de túnel para atravessar montanhas.

Para ver - "Colossus"

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Música nova - Califone



Nem só de instrumentação escanifobética vive o homem, neste caso Tim Rutilli. 3 anos após o excelente "Roots And Crowns", os seus Califone preparam-se para editar (...), lançando esta "Funeral Singers" como aperitivo. Uma amiga diz-me que a voz dele faz lembrar o Kurt Cobain. Se lhe juntassem um toque mais country, até concordaria. Os arranjos, esses, são bastante simples, com a acústica a marcar o ritmo, uma bela melodia vocal de folk suja, ao bom estilo da banda, e uma guitarra eléctrica que se coloca a jeito para aplicar alguma tensão na música. Deliciosamente arcaica, como é costume na banda, demonstra que existem canções na cabeça dos seus músicos.

Para ouvir - "Funeral Singers"

Músicas incompreendidas - 6

Chumbawumba "Tupthumping"

E eis que de repente eles tiveram um êxito. E ainda hoje lhes deve fazer dinheiro, ao ser tocado nos pavilhões desportivos americanos. Como diz "I get knocked down / But I get up again / You're never gonna keep me down", e fala em "He takes a whisky drink / He takes a vodka drink", é muito boa para a paródia. Mesmo que seja de gente bem na vida, que só quer emborcar uns copos e engatar umas miúdas. Quem eram estes tipos? São uns radicais de esquerda que já lançaram um disco chamado "Pictures Of Starving Children Sell Records", e que fizeram uma música sobre a resiliência da classe trabalhadora, ora essa. E que desde terem conseguido "infiltrar" o mainstream com esta música, e de despejarem um balde de água sobre um ministro, conseguiram...bem...

Primers da Wire compilados em livro


Para os que não sabem, os primers consistem na enumeração de uma série de discos considerados "essenciais" para quem se pretenda iniciar num determinado género. No entanto, os textos, sempre excelentes, publicados na revista, nunca se ficam pelo óbvio, procurando sempre compilações, singles, raridades, colaborações, antepassados, descendentes, etc. Ter tudo isto junto numa publicação é uma óptima notícia para aqueles que apreciam a boa leitura musical.

Mais informações aqui.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Dengue Fever "Sleepwalking Through The Mekong"



Aqui está outra banda na qual tive que "entrar" sem audições prévias. "Venus On Earth", o anterior e terceiro disco da banda cambodjana-americana, teve boas críticas na generalidade dos meios melómanos. Mas como há sempre coisas que escapam, "Sleepwalking Through The Mekong" é o primeiro disco que ouço dos Dengue Fever. Dito isto, posso afirmar que isto soa-me a uma tentativa muito interessante de cruzamento entre dois mundos que talvez tenham algo mais em comum do que se suporia à primeira vista. Claro que quase ninguém por aqui conhece música do Cambodja, mas esta encaixa muito bem no rock 75% psicadélico, 20% beat 5% surreal de Ethan e Zac Holtzman, sobretudo nas músicas cantadas. Talvez falte apenas um pouco de agressividade, mas no geral, "Sleepwalking Through The Mekong" são 56 minutos de pop geograficamente adocicada.

Para ouvir - MySpace da banda

Talk Normal "Secret Cog"



Tal como os já aqui mencionados These Are Powers, os Talk Normal - um duo formado por Andrya Ambro e Sarah Register - parecem buscar basta inspiração aos dias da no wave novaiorquina. Isso é visível nas guitarras ásperas e amelódicas, que funcionam mais como marcadoras de ritmos dissonantes, e nas vozes também elas mais viradas para o agudo e o grito, do que propriamente para a criação de melodias convencionais. A principal diferença deste EP para com o disco dos These Are Powers será que "Secret Cog" não contém quaisquer vestígios de música para dançar, revelando-se agressivo de ponta a ponta. Sem que se trate de algo tão revolucionário e trepanante como, no seu tempo, foram os Mars, DNA, Contortions, Theoretical Girls ou Sonic Youth, "Secret Cog" oferece 24 minutos de visões distorcidas que entretêm os mais aventureiros.

Para ouvir - MySpace da banda

Mount Eerie "Wind's Poem"



Pouco importará a Phil Elvrum se o conteúdo lírico das suas canções falar de morte, desespero e tragédias. A sua voz continua a soar incrivelmente melíflua, como que procurando apaziguar os medos alheios, paradoxalmente provocados pelas suas letras. Em "Wind's Poem", logo a faixa inicial é exemplo cabal, visto ser povoada por guitarras...black metal (ele tinha ameaçado). Não é algo que se prolongue pelo restante do disco, onde a toada musical se torna quase ambiental, com orgãos e ritmos a passo lento, que complementam o cantar de Elvrum. É possível achar "Wind's Poem" muito chato num momento, e deixarmo-nos transportar pela sua corrente amniótica no outro. O certo é que Elvrum continua a deixar uma pegada única na música actual.

Para ver - "Wind's Poem"

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Vuk "The Plains"



A natureza é, desde há muito, usada na música para não só descrever estados de espírito e acontecimentos diários, como para, graças ao uso das suas propriedades sonoras, amplificar, difundir, e atribuír novos significados a sons mais ou menos excêntricos. E não é por dividir o seu tempo entre uma capital (Helsinquia), e um mega-metrópole (Nova Iorque), que Vuk se abstém de usar a natureza como fio corrente de todo este álbum, onde exibe uma enorme proficiência para a construção de melodias, e toca uma panóplia gigantesca de instrumentos. Respirem fundo: harmónio, percussão, acordeão, xilofone, theremin, Rhodes, Hammond, kalimba, fósforos, kantele, jew’s harp, piano, instrumentos de sopro, e guitarra, baixo e bateria na última faixa do disco.

Continua aqui, no remodelado Bodyspace.

Música nova - Raekwon, Ghostface Killah e Cappadonna



Esta será a última música que conhecerei em antecipação a "Only Built For Cuban Linx 2", uma vez que o disco já pingou, e terei todo o prazer em estreá-lo na próxima semana (isso de ouvir logo que aparece é para os fracos). E como as anteriores, esta é outra música excelente. O melhor estilo Wu continua presente, em 3:18 minutos de agressividade desbragada, por 3 MCs capazes de demolir paredes de tijolos com as suas rimas, particularmente Rae e Ghostface (Cappadonna está bem, mas os outros são de outra galáxia). Tudo sobre uma produção de J. Dilla onde uma guitarra que parece que ouviu muita música chinesa cria um padrão de olhos raiados, para benefício do "braggadocio" dos MCs. Abriguem-se ou sigam a marcha!

Para ouvir - "10 Bricks"

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Música nova - Massive Attack



Os direitos de autor já deram cabo da ligação a "Splitting The Atom", com Horace Andy. Mas felizmente esse problema não se coloca, para já, com esta "Pray For Rain", com a participação de Tunde "TV On The Radio" Adebimpe. Uma junção que parece boa no papel, e revela-se igualmente boa na prática. A voz profunda de Tunde casa muito bem com o tom despojado e sombrio da música dos Massive Attack, em qualquer das partes em que "Pray For Rain" se divide durante quase sete minutos. Assim, temos teclas atmosférico-sombrias, guitarra acústica e tambores para começar, seguida de uma parte central com percussão a meio-tempo e electrónica de gotículas, e guitarra que surge sub-repticiamente ao fundo, com Tunde a repetir uma mesma frase (não consegui perceber exactamente o quê). Finalmente a coisa fica mais moderada, com "aaaahs", e depois de um periodo com a gotícula, voltamos ao formato inicial. Evocativa, cativante e insinuante, promete um belo EP para Outubro ("Splitting The Atom" também é muito boa).

Para ouvir - "Pray For Rain"

Citação - Mark Fisher




"Making negative judgements is held to be the result of "moaning", in other words a defective mental attitude. (With the implication, as Zone points out, that with the right mental attitude, one can learn to like anything.)

The by now familiar generational form of this argument - that the only reason anyone would be negative about current culture is that they are nostalgic for their lost youth - is equally depressing in its nihilistic relativism (for it suggests that enthusiasm is dependent upon being young rather than on any inherent features of the cultural objects themselves). But this falls down for at least three reasons. First, the idea that there is something innately radical about the young, or that there is a necessary relationship between radicalism and youth, is a kind of romantic-rockist myth that might have been convincing when youth culture was at the leading edge of popular modernism, but it is hard to seriously maintain now, when "youth" is routinely mobilised as a demographic weapon in the services of hedonic conservatism. (Why is Channel 4 crap? Because it is chasing the "young". Why does mouldy old rock enjoy full spectrum dominance - because the "young" love it.) It is this demographically-constituted "young" which is nostalgic, but its nostalgia is of a formal, not a pschological kind. In any case, the equation of youth with radicalism is merely the obverse of the idea that radicalism is a pathology of youth, put aside once "maturity" arrives. Second, whenever the young were radical, it was precisely by virtue of their discontent with the time and culture in which they happened to be living. The history of pop is the story of the tension between dissatisfaction and its commodification. Third, you you only have to look at the figures for depression amongst the young to realise that the young themselves are far from being happy-go-lucky pleasure-seekers who would just be enjoying themselves if it weren't for curmudgeonly theorists stealing their mojo, daddio. Faced with objectively appalling conditions (rising unemployment, continuously assessed education yielding qualifications that are getting worth less year by year) but embedded into a matrix of CBT, SSRIs and PR, the young are the primary victims of compulsory positivity, and even apparently hedonistic phenomena such as binge drinking are symptoms of despondency rather than straightforward expressions of pleasure-seeking. (Alex's remarks on the perils of narcomaterialism notwithstanding, the dominance of a low-level obliviate and sedative like alchohol in UK youth culture, tells its own story about the long comedown we've endured.)"

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Música nova - No Age


Estão a soar "melhor", se considerarmos apenas que já não parece que foram gravados na casa-de-banho. As guitarras já não parecem tão comprimidas, e agora estão muito mais shoegazers do que anteriormente. E claro que vou usar o cliché de mencionar os My Bloody Valentine. Ouçam isto e tentem desmentir-me sem que a vossa cara fique da côr dos meus cortinados da sala! A voz de Dean Spunt, essa, adapta-se bem às novas circunstâncias, vislumbrando-se nela uma pitadinha extra de melodia veraneante, e generosas porções do melodismo sujo de "Weirdo Rippers" e "Nouns". É largar o mosh por alguns momentos, e abanar os braços no ar qual alunos de um guru convincente.

Para ouvir - "You're A Target"

Música nova - Wild Beasts



Se dizem que um passo atrás pode valer dois à frente, não serão os Wild Beasts que o irão provar desde já. Apenas provam que o passo atrás que dão, até por volta de 1983, é bastante preferível a outros que preferem voltar ao 2004 que voltava a 1980 e deixava as partes interessantes de lado. O 1983 a que a banda de Hayden Thorpe presta as suas homenagens é, como bem li noutros sítios, aquele cujas sonoridades são marcadas pelos Orange Juice e pelos The Smiths. Temos a melodia vocal de crooner que nunca chegou às grandes casas de espectáculo, temos a guitarra-campaínha que tanto faz ritmo como melodia, temos a bateria omnipresente e hiperactiva a marcar o compasso, e obtemos pop literata para conquistar os corações de novatos e veteranos. Seria bom que conseguissem ao menos o sucesso que os detestáveis Glasvegas têm conseguido.

Para ouvir - "All The King's Men"

MANCHESTER UNITED 2 ARSENAL 1

0-1 Arshavin 39'



1-1 Rooney 58' (pen)



2-1 Diaby 63' (pb)



Vitória suada e importante do United antes do interregno para os jogos das selecções.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Someday you will find us...

Foram bons anos. Não sei se algum dia voltarão. Já não seria a primeira ameaça. Se fôr a sério, então obrigado por darem um bom nome à ambição e arrogância de saberem que pertencem num estádio, com 100000 pessoas a berrar todas as letras!