sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Por outras paragens

Por convite dos incansáveis André e Crestfall, tenho andado por aqui. Também por cá as audições têm sido, principalmente, de coisas de que já falei pelo blog. Espero recomeçar em breve nas apreciações à música nova que faz falta como plaquetas no sangue.

Sugestões são sempre bem-vindas, claro.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Mos Def "The Ecstatic"



Já que foi preciso esperar 10 anos até que Mos Def se dedicasse a fazer um disco de MCing, ao menos que não perdesse o jeito que fez de "Black Star" (com Talib Kweli) e "Black On Both Sides" clássicos indiscutíveis. Se é verdade que, por muito boa vontade que se tenha, "The Ecstatic" não alcança o génio desses dois discos, também não deixa de ser um belíssimo álbum, concentrado de boas rimas e flow, e batidas que percorrem anos de música que contém groove, bravado e vitalidade. Mos permanece mordaz, quer a descrever situações na primeira pessoa, quer a falar nas questões sociopolíticas que lhe parecem mais prementes nos dias que correm. "The Ecstatic" é curto e despachado, 16 faixas em 45 minutos, sem com isso parecer ter sido feito ou acabado à pressa. Hiphop que não sai da linha, porque criou ele próprio a sua privada.

Para ouvir - "Life In Marvelous Times"

Música nova - Burial

Não foi fácil descobrir este vídeo, e é provável que seja retirado dentro de pouco tempo. Fui à procura de um streaming para linkar para aqui, mas não encontrei nenhum. Alguém sabe explicar porque é que a editora pede para tirar o vídeo, por causa de direitos de autor, mas não coloca a música para se ouvir - e conhecer - em nenhum sítio? Depois queixem-se!

Ressequido, praticamente sem forças, é como William "Burial" Bevan parece existir dentro de "Fostercare". A percussão ultra-minimalista, o ranger dos sub-graves, a voz new age/soul transplantada para terra queimada, reminiscente das que povoavam "Untrue", o seu segundo disco, encurtaram de tal forma as distâncias que soam como se estivessem no quarto connosco. Isto já não é nenhuma simples descrição de solidão urbana, como se gosta de atribuir ao dubstep. Isto já se tornou algo muito mais pessoal e transmissível. A personagem já nem para a rua se atreve a olhar. A luz tremelica, e ficamos sem saber se se conseguirá acender ou não.

Para ver - "Fostercare"

domingo, 27 de setembro de 2009

Raekwon "Only Built For Cuban Linx 2"



O PS ganhou, e enquanto começam os discursos, aproveito para elogiar um dos discos do ano. Raekwon The Chef é, depois deste disco, um de muito poucos artistas a dizer que vai fazer uma sequela de um álbum clássico, e a não desonrar a linhagem do mesmo. "Only Built For Cuban Linx 2" é o filme de blaxploitation candidato ao Óscar, de uma nitidez e complexidade de imagem estonteantes. Raekwon, ajudado por muitos Wu-Tang, dos quais se destaca Ghostface Killah, é um tremendo virtuoso das rimas, capaz de descrição de personagens, objectos e situações que obrigam a atenção constante, e recompensadora, por parte dos ouvintes. A blaxploitation, essa, vê-se igualmente na fantástica produção, que consegue recriar o calor de uma BSO clássica e a brisa gelada dos melhores momentos Wu-Tang. Em suma, temos aqui candidato a disco do ano. É bom ter-te de volta, Chef!

Para ouvir - "10 Bricks"

STOKE 0 MANCHESTER UNITED 2

0-1 Berbatov 61'



0-2 O'Shea 76'



Giggs salta do banco para fazer duas assistências, e empurrar o United até ao primeiro lugar pela primeira vez esta época.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Om "God Is Good"



Com Chris Hakius ausente da bateria, Al Cisneros (voz e baixo) virou-se para Emil Amos dos Grails para o ajudar a fazer o novo álbum dos Om. E que o som indica claramente tratar-se de um disco dos Om não há qualquer dúvida. Tanto o baixo com barriga de perú de Natal, músculo de touro premiado e passo de boi almiscarado sem pressas, como a bateria que preenche todos os espacinhos estão lá, com a voz de Cisneros a compor o tom ritualista que se exige numa banda que nasceu, originalmente, dos lendários Sleep de "Dopesmoker" (se o nome não diz tudo...). Enfim, por aqui resiste-se a qualquer tentação para acelerar o passo, ou despachar um riff ou batida que seja. A gasolina está formatada (no dia em que isso for possível) para aquela velocidade e assim será. É preciso cuidado perante o perigo de implosões, mas compensa.

Para ouvir - MySpace da banda

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Black Heart Procession "Six"



"Six" é um álbum de Black Heart Procession Extra-Concentrado. O que significa, claro, que só pode ser excelente. Quem ouve a banda desde o começo (eu foi com "Two") não ficará desiludido, e quem entrar aqui terá a essência do seu som perfeitamente destilada para fruição. Falemos então do som dos Black Heart Procession. As vozes de Pall Jenkins e Tobias Nathaniel são simultaneamente viscerais e límpidas, parecendo ocupar todo o espaço desde o horizonte até junto do nosso ouvido. O acompanhamento, dominado por pianos, orgãos, e secção rítmica, remete para uns Bad Seeds de "Let Love In" sob o efeito de calmantes, mas que não esqueceram que estão ali para exorcizar demónios. Céu e inferno, vida e morte, são presença assídua nestas canções belas de tão perturbadoras. Mais um álbum excelente para a carreira de um dos segredos mais mal guardados da música americana.

Para ver - "Witching Stone"

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

MANCHESTER UNITED 4 MANCHESTER CITY 3

1-0 Rooney 1'



1-1 Barry 15'



2-1 Fletcher 48'



2-2 Bellamy 51'



3-2 Fletcher 80'



3-3 Bellamy 90'



4-3 Owen 95'



Derby de loucos resolvido em cima da hora por um United com estrelinha de campeão.

Polvo "In Prism"



Se é verdade que poucas bandas que tenham marcado o rock americano de origens menos mainstream nos anos 80/90 voltaram a criar música (por enquanto, os Pixies e os Jesus Lizard apenas fazem tournés), não é menos verdade que a qualidade que tem saído dos discos dos reformados Dinosaur Jr é superior ao que toda a gente esperaria.

Continua aqui.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Master Musicians Of Bukkake "Totem One"



Há duas formas alternativas de encarar a música feita por este colectivo de nome pornográfico (não, não vou dizer). Ou se pensa neles como uma banda que tem pouco a fingir que tem muito a fingir que faz pouco, ou como uma banda que tem muito a fingir que tem pouco a fingir que faz muito. Qualquer que seja a opção escolhida, ao menos não ficam dúvidas, no final da audição, que este grupo de músicos ligados aos Secret Chiefs 3, Sun City Girls, etc, é capaz de impôr ao ouvinte um ambiente inescapável de cerimónia pagã, e tudo isso no bom sentido.

Continua aqui.

Música nova - Rain Machine (2)



Kyp Malone nunca terá sido tão explicitamente sociopolítico como nesta música. Discos como "Return To Cookie Mountain" e "Dear Science", com os seus TV On The Radio, embrulhavam as suas mensagens em letras mais encriptadas, embora não perdessem impacto com tal método. "Smiling Black Faces" é que, com as referências à vítima de incúria policial Sean Bell, prefere a mensagem directa para atingir os seus objectivos, e não se coíbe de ir buscar inspiração à soul e ao gospel que também fazem parte do repertório dos TVOTR. Kyp exibe uma voz magnífica, como é costume, que aqui vem acompanhada de uma guitarra em constante dedilhar, a qual compõe uma textura de intermediação entre a contenção e a explosão. Um sábio caminhar na corda bamba, que permite o focar da emoção na voz. E Malone é muito bom nessas coisas de emoções.

Para ouvir - "Smiling Black Faces"

BESIKTAS 0 MANCHESTER UNITED 1

0-1 Scholes 76'



Um United lutador e persistente continua na senda das vitórias, começando bem a Champions 2009/2010.

Frases - Ian Cohen

Crítica a disco de Tanya Morgan:

"This indie hip-hop group has been lauded as a flamekeeper for a certain time in the early 1990s when the Native Tongues held down New York with a sound that was less overtly Afrocentric but more commercially successful. But didn't Q-Tip appear on a Mobb Deep track? Didn't Phife Dawg threaten to ejaculate on someone in at least two of Tribe's most beloved singles? Wasn't De La Soul Is Dead a pitch-black rejection of the hip-hop hippie aesthetic foisted upon them by rock fans and critics? Couldn't Busta Rhymes and Redman, even at their most rah-rah, come and go as they please? Well, you all know that's true, but Brooklynati instead coasts by on a revisionist historical perspective where Tribe, De La et. al were at the forefront fighting gangsta rap not with innovation or originality, but with common decency."

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Oneida "Rated O"



Ambição desmedida, sim. Sem qualquer dúvida. Quem é que lança álbuns triplos em 2009? São cerca de 120 minutos de música que os Oneida oferecem ao público do fim dos 00s, e dentro dela têm muito rock (inclusivé com o prefixo pós), psicadelismo, acidez, crescendos, descendos, e até dub e electrónica distorcida. Com músicas que vão dos 2.5 minutos aos 20, tudo aqui conquista a atenção do ouvinte através de riffs, ruídos e ritmos (RRR) que furam ossos e põem-nos às voltas numa picadora. O tempo aqui passa num instante, enquanto cavalgamos com os Oneida, e não queremos largar até que nos mostrem o destino, ou de preferência as paisagens que percorrem até lá chegar. Isto é rock que não tem medo de olhar para cima, para baixo, para os lados e, mais importante que tudo, em frente.

Para ouvir - "Ghost In The Room"

TOTTENHAM 1 MANCHESTER UNITED 3

1-0 Defoe 50"



1-1 Giggs 24'



1-2 Anderson 40'



1-3 Rooney 77'



Mesmo reduzido a dez, o United fez uma exibição fantástica, vencendo um adversário que até agora só tinha ganho.