quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Música nova - Nice Nice


Novo duo da Warp. O seu MySpace apresenta considerável variedade de propostas. A minha escolha vai para o próximo single, o rock alternativamente musculado e freakalhado de "One Hit"

Música nova - We Are The World

Techno-disco-pop tribal/satânica? Hercules & Love Affair versão Wicker Man? Seja o que for, é contagiante:

Para ver - "Clay Stones"

Música nova - Pac Div

Hip-hop de produção e vozes bastante "noir". Tem algo da melancolia gangsta de um Scarface. O disco sai em 2010.

Para ver - "Whiplash"/"Young Black Male"

Música nova - Class Actress



Synth-pop com algo da disco de Annie na voz de Elizabeth Harper, mas talvez menos exuberante, embora com sentido pop em alta rotação. Ouvir aqui, onde também a comparam ao eixo Glass Candy/Chromatics.

Música nova - Banjo Or Freakout (2)

Já tinha aqui posto "Upside Down", agora "Left It Alone" mantém o bom esquema dream-pop-shoegaze. Parece que temos promessa nesta área.

Para ver - "Left It Alone"

Batida "Dance Mwangolé"


A recente morte de João Aguardela serviu como pretexto para os seus admiradores chamarem a atenção da comunidade melómana para o seu trabalho como Megafone. Nele, Aguardela revisitiva o cancioneiro tradicional português à luz da electrónica e dos samples. Se menciono isto no início de uma crítica sobre Dance Mwangolé, disco de estreia do projecto Batida, não é pela morte – felizmente – de ninguém. É porque se podem estabelecer paralelos entre os dois. Afinal, o que o conjunto de DJ Mpula, DJ Beat Laden (Rádio Fazuma), Ikonoklasta (Conjunto Ngonguenha), Sacerdote e outros fazem não está muito distante. Aproveitar os ritmos e melodias da música angolana, e enxertar-lhes o ADN de géneros como o kuduro, na procura da vivisecção perfeita. E, se Dance Mwangolé não atinge o nível do fabuloso Black Diamond dos Buraka Som Sistema, com quem é impossível não os comparar, não têm qualquer razão para se envergonhar do trabalho conseguido com este seu primeiro disco.

Continua aqui.

Bodyspace - Os melhores de 2009




Resultados oficiais do site no qual tenho a honra de fazer parte da Equipa:

Clickar aqui.

Música nova - Sleigh Bells

(textos mais pequeninos a partir de agora para ter tempo de escrever)

Duo homem-mulher. Ele com guitarra noisy-garage-angular, ela com voz à Blonde Redhead/Dirty Projectors. Claro que pensamos nos Kills também. Esta é a melhor música de uma banda ainda sem disco que saiu em 2009. Espero coisas muito boas para 2010.

MySpace aqui.

Para ver - "Crown On The Ground"

Sleigh Bells "Crown on the Ground" LIVE at Le Poisson Rouge NYC from AbzPunkPhoto on Vimeo.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Música nova - Samuel & The Dragon



Duo de voz e electrónicas formado por Samuel Chase e James Cameron, a sua pop combina uma voz com o toque emocional das melhores músicas lentas dos Coldplay. Mas o acompanhamento está longe de ser rock de estádio. Antes, temos sons que existirão num universo em que "Blue Lines" existe numa única fita deteriorada, e onde alguém já pôs alguns graves e síncopes rítmicas por cima. Ou talvez onde o primeiro disco de Nicolette já foi feito na era em que o dubstep e o grime assumiram as rédeas da descendência do drum n' bass. Seja como fôr, tudo se resume a mais um belo caso de desolação pop electrónica.

A ouvir - MySpace da banda

Músicas incompreendidas - 7

Pink Floyd "Another Brick In The Wall Part 2"

Nem preciso de falar muito. Toda a gente saberá como as crianças e adolescentes do seu tempo adoravam cantar "HEY! TEACHER! LEAVE THE KIDS ALONE!" (por acaso é "Leave THEM kids alone", mas isso pouco interessa). Ora, o que isolado pode parecer um simples slogan panfletário para cantar com amigos, no disco é apenas outra das razões porque a personagem Pink constrói a "Wall" à sua volta. Não é simples rebelião adolescente, é um de muitos traumas. Mas ficará por muito tempo como Aquela dos Pink Floyd.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Música nova - Kelis

É difícil acreditar que "Acapella" possa ter sido produzida pelo mesmo tipo que fez os detestáveis "When Love Takes Over" e "Sexy Chick". Mas aqui, David Guetta esquece-se apenas o suficiente do eurodance mais rasteiro (a propósito, este é o género que NUNCA deverá ter um revival ou uma reavaliação! É mau! Foi muito mau! Ponto final!), oferecendo à voz de Kelis um extracto de disco-house-trance-techno (sim, pode ser tudo) cosmificado, e, como bem indica o Popjustice, herdeiro das experiências de Giorgio Moroder com Donna Summer nos finais dos 70s. Kelis volta a mostrar que é das divas r&b mais inovadoras, adicionando o sufixo "espacial" à sua voz e melodias. Depois de muitas baladas inúteis de Beyonce e do chover no molhado do novo single de Alicia Keys, temos aqui um grande single pop, para lançar satélites até Neptuno!

Para ouvir - "Acapella"

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Discos da minha vida - Geoff "Portishead" Barrow

O primeiro disco que me lembro de ouvir: Charles Penrose "The Laughing Policeman"

A música que me fez querer fazer música: Public Enemy "Rebel Without A Pause"

O disco que foi o meu momento-iluminação: Can "Ege Bamyasi"

A canção que nunca perde força: Afrika Bambaataa & The Soulsonic Force "Planet Rock"

A canção que me mostrou como fazer experiências: The Honeycombs "Have I The Right?"

O álbum que o Nigel Godrich me deu num hotel: Radiohead "OK Computer"

A canção que me reduz a lágrimas: Johnny Cash "Hurt"

O disco que foi uma alternativa ao hiphop: Nirvana "Nevermind"

O disco que diz Perfeição Rock: Jimi Hendrix "Experience Hendrix: The Best Of Jimi Hendrix"

O disco que me influenciou mais recentemente: Silver Apples "Silver Apples"

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Kings Of Convenience "Declaration Of Dependence"



Uma banda com o som dos Kings Of Convenience só tem dois caminhos possíveis, e a verdade é que Eirik e Erlend escolheram o mais extremo. Basicamente, estão ainda mais depurados e minimalistas, ao nível de um João Gilberto, como os singles iniciais de “Declaration Of Dependence” já faziam adivinhar. As linhas vocais, sempre de um melodismo irrepreensível, não levantam ondas, induzindo antes um torpor de cadeira vibratória. As guitarras exibem a parcimónia própria da bossa-nova, tão especialistas na criação de belas melodias como as vozes. Este é o forte dos KOC, e não tem mesmo nada que saber. São simplesmente brilhantes artesãos da melodia e da delicadeza. Se “Declaration Of Dependence” adianta alguma coisa em relação ao resto da sua obra, é basicamente o de sabermos que ainda muito é possível fazer com o “template” que lhes deu fama.

Para ver - "Boat Behind"

Música nova - Yeasayer

Enquanto alguns fazem música no lowest dos fis, com sintetizadores de meia-tigela e vozes de muito-pouco-tigela, e dizem que estão a recuperar “memórias mal alinhavadas dos anos 80” (a tal da hypnagogic pop), os Yeasayer não deixaram a coisa por menos. Resolveram soar exactamente como essa tal pop plástica dos anos 80, inclusivé com pózinhos de reggae-ligeirinho. Em suma, os Yeasayer saíram das transviadices de Brooklyn e entraram no mesmo “wine bar” onde ainda tocam os êxitos dos Culture Club. Veja-se, nesse sentido, o timbre sofrido Boy George-ano da voz de (....). Aguentar um álbum inteiro assim seria dose. Para já, é esperar para ver se ficamos com um daqueles “êxitos” para apreciar com aquele piscar de olho que se faz quando se sabe que foi um dos nossos que o fez.

Para ouvir – “Ambling Alp”

St. Vincent "Actor"


"Actor" não é um disco onde se possa facilmente jogar o jogo do "Olhó que cada instrumento está a fazer". O trabalho de Anne Clark parece ter consistido em esbater a nitidez até níveis fortemente impressionistas, e assim criar aquela avant-pop excêntrica, que se torna mais aconchegante que inóspita. O segundo álbum de Clark como St. Vincent (nunca ouvi o primeiro) pode ser visto sob diversos prismas. Ora existem lullabyes de imagens distorcidas, ora recuperações da música de vaudeville/desenhos animados em contexto verso-refrão-verso-e-poeira, ora guitarras e diversa instrumentação invulgar que se consomem umas às outras sem afectar a sensualidade da voz de Clark. Há também algo de profundamente novaiorquino na criatividade desta música, embora uma Manhattan tão surrada e auto-consciente como a dos filmes de um certo meia-leca de óculos de massa. "Actor" dá-nos a escolha de viver um papel de final incerto, mas cheio de cenas cativantes até lá chegarmos.

Para ouvir - "Black Rainbow"