domingo, 3 de maio de 2009

Adrian Utley na Wire



A Invisible Jukebox, rubrica da Wire em que o entrevistado tece comentários sobre um conjunto de músicas "às cegas", teve, no mês de Abril, uma das melhores sessões que me consigo lembrar. O entrevistado, Adrian Utley dos Portishead, na sua conversa com David Stubbs, também ele um excelente crítico, mostra como a mudança que a sua banda operou em "Third" só é surpresa para quem está de fora, e como a vida dos Portishead vai muito mais além da "sofisticação" e "bom gosto" que alguns quiseram associar aos Portishead e ao "trip-hop". Algo que, aliás, resultou em várias atrocidades por esse mundo sonoro fora.

Na sessão de Utley, são ouvidos e elogiados Herbie Hancock, Claude Debussy, Patty Waters, Roy Budd, Terry Riley, A Tribe Called Quest, Rip Rig & Panic, White Noise, Big John Patton, Appleblim & Peverelist e Earth. Ou seja, temos jazz muito pouco canónico e mais experimental, minimalismo, "modern classical", hip-hop, pós-punk, pop electrónica experimental pioneira, dubstep, drone-metal e mais. Muitas coisas que não chegarão perto das restantes playlists de outros fãs de "Dummy". O que aponta para a possibilidade de mais coisas tão boas e surpreendentes como foi "Third". A minha ansiedade cresceu bastante depois de ler esta rubrica.

PS: A consideração de David Stubbs de que a fase "Daisy Age" do hip-hop foi a sua fase hippie, depois terminada com a fase "punk" (presumo que se refira ao g-funk/gangsta rap) é interessante. Se bem que "Midnight Marauders" dos A Tribe Called Quest até foi bem recebido, e os De La Soul também não andaram propriamente a fazer discos com o mesmo potencial comercial de "3 Ft High And Rising". Mas fica a pergunta interessante. Será que os que defendem afincadamente esta época como a última verdadeiramente boa do hip-hop têm perante este género uma atitude mais conservadora que perante outros?

1 comentário:

lisabel disse...

«A minha ansiedade cresceu bastante depois de ler esta rubrica.»

Só terás de esperar mais uns dez anos -_-